05. Manhã barulhenta.

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Christopher e eu já tínhamos acabado as duas caixas de pizza e estávamos no meio de um pote de sorvete, enquanto assistíamos ao canal da Disney pelo notebook dele.

Eu me lembro de uma vez ter ido a casa de um amigo que morava em um prédio, e fiquei no saguão esperando-o por causa de um acidente do centro, que gerou trânsito e seu atrasado. Na ocasião acontecia uma reunião de condomínio ali mesmo no lobby, e eu ouvi uma parte do que falavam. Não me lembro o contexto, mas uma mulher havia dito que não entrava na casa de outra moradora por respeito ao marido desta. Repetiu varias vezes que não ficava sozinha com o homem por respeito a esposa dele.

Fiquei me perguntando se Chris e eu estávamos faltando com respeito a Zabdiel e Barbara. Apesar de ele dizer que eles haviam dado um tempo, eu sabia que em breve iriam voltar; ele mesmo havia confessado isso, dito que por causa disso tinham dado um tempo, e não terminado. Ele precisava de um tempo para pensar antes de tomar uma decisão ainda pior.

Apesar de ficar me questionando se era errado estramos sozinhos ali, a noite foi ótima. Não conversamos muito, mas eu passei a me sentir confortável ao lado dele de uma forma que não sentia antes. A minha visão do relacionamento dele começava a mudar conforme eu via mais um lado da história. Minha mente agora estava curiosa para saber sobre Joel... Mas eu não teria coragem de o chamar para conversar disso. Isso sem dúvidas seria estranho.

Eu liguei para o meu pai e disse que iria dormir na Kimberly, que me acobertou e pediu para a mãe dela dizer ao meu pai que eu estava lá. É por isso que eu sempre levava uma torta de maçã quando ia na casa delas; a mãe dela era a melhor. E, diga-se de passagem, que ama torta de maçã.

— Ok, acho que a gente precisa dormir — falei, me esticando no sofá e pausando o vídeo.

— Juro para você que mais uma piscada e eu ia pescar um tubarão. — Chris se levantou, esticando os braços para se espreguiçar.

Abaixei a tela do notebook e o deixei no sofá.

— Vai dormir aqui? — perguntou para confirmar, enquanto coçava os olhos.

— Não quero voltar para casa — confessei.

— Bom, sinta-se à vontade. Mi casa es tu casa, e o quarto do Zabdiel você já tinha dominado em Byron Bay, ele sem dúvidas não vai se importar se você dominar aqui.

Ri do comentário, seguindo ele pelo corredor.

Era com corredor curto, acinzentado, com três portas. A que tinha ao final era a do banheiro, Chris disse, e as outras duas, uma de frente para a outra, os quartos. A do Zabdiel era o quarto da direita, com vista para a rua lateral do apartamento.

Entrei e fechei a porta, encarando o cômodo. Como todo o resto da casa, era desprovido de decoração. A cama não era baixa como a de Byron Bay, ou alta como a minha. A colcha era cinza, que combinava com o carpete no chão. Havia duas portas de madeira clara, que eu notei serem o banheiro e um pequeno closet. Fora uma cômoda em baixo da janela fechada, não havia mais nada no quarto.

Qual era o problema deles com decoração? Eu até fiquei com saudade do meu quarto roxo cheio de coisas.

Na ponta da cama havia uma sacola preta, e quando a abri fiquei surpresa ao notar que eram roupas minhas.

— Han, agora tá explicado porque eu não achei você quando desfiz as malas — falei para minha blusa preta escrita QUATRO GAYS E UM BI. 

Para a minha sorte também tinha calcinha dentro da sacola.

— Ora, ora — disse sozinha, colocando a calcinha de lado e procurando algo que fosse confortável o bastante para dormir.

Eram poucas roupas, apenas duas blusas, a preta e uma social branca, uma calça jeans e um vestido curto. Calcinhas e meias completavam o kit de esquecidos.

Thunder BayOnde histórias criam vida. Descubra agora