35. Palavras não ditas.

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Encarei Zabdiel, seus olhos sendo a única coisa que eu via.

Morar com ele?

— Tenho um apartamento no centro de Boston, — contou, afastando o cabelo do meu rosto — que eu pedi para reformarem quando soube que Natalie estava gravida. Quando ela disse que eu ficaria com a criança...

— Zabdiel... A gente só namora há dois meses — falei a primeira coisa que me veio à cabeça.

Então era por isso que ele tocou nesse assunto mais cedo...

— Não propus isso aos seus pais como seu namorado, Lara. — Ele levantou o rosto e me observou. — Propus como uma forma de te ajudar, de te dar a chance de correr atrás dos seus sonhos.

É claro que Zabdiel já sabia as negações dos meus pais sobre minhas opções de onde ficar em Boston. E é claro que ele tinha achado uma solução. Porque é o Zabdiel, e ele sempre resolve tudo. Tudo.

— O que eles falaram? — perguntei baixinho, com os dedos no pescoço dele, sentindo sua pulsação.

— Eles deixaram. — Ele se inclinou para frente, a testa encostando na minha. — Se você quiser.

A única coisa que eu conseguia pensar era em Harvard, aquilo com que sonhei desde pequena. O e-mail da minha escola brilhou em minha mente, a chance de poder conseguir fazer o Ano Zero se tornou algo possível.

Uma chance de ficar em Boston.

E principalmente, ficar em Boston com Zabdiel.

Nós tínhamos praticamente morado juntos por dois meses, e estávamos fazendo isso aqui no Canadá. Mas eram situações completamente diferentes da vida real.

Estávamos prontos para um passo tão grande e tão cedo?

Fechei os olhos e respirei baixinho, tentando silenciar minha mente. Minhas únicas sensações eram as do corpo de Zabdiel embaixo do meu, sua respiração se misturando com a minha, nossas testas juntas.

Senti que não podia respirar, que se fizesse isso toda a perfeição daquele momento iria embora. Por isso, fiquei completamente parada e em silêncio.

Senti o jeans de Zabdiel em minhas pernas, e seus dedos em meu corpo. A pele dele contra a minha, e a respiração ficando cada vez mais fraca. Senti o cheiro de vinho e macarrão, e o calor do chalé. A neve caia lá fora, ventando na janela e se acumulando na montanha.

Foi como se o mundo parasse de girar por um segundo, e só havia nós dois no universo. Quis estender isso pela eternidade.

Segurei o rosto de Zabdiel entre as mãos e o beijei. Eu senti o gosto de vinho quando seus lábios se abriram nos meus, os sabores se misturando em nossas bocas. Ele subiu as mãos por minhas costas, me puxando mais para perto dele.

— Isso é um sim? — perguntou, com os lábios juntos aos meus.

— É um sim — respondo, apertando minhas mãos em seu rosto, voltando a beija-lo.

Senti ele sorrindo durante o beijo, os braços firmes ao meu redor. Com minhas pernas uma de cada lado do seu corpo, ele se levantou comigo no colo. Segurei em seus ombros, não separando nossas bocas.

Zabdiel andou até o quarto, me deitando no colchão, cobrindo meu corpo com o dele. Enlacei minhas pernas nas dele, subindo uma mão para seu cabelo.

Ele mexeu os ombros, tirando uma mão de mim para abaixar as alças do macacão, que era um incomodo entre nós. Ter ele dobrado contra nossas barrigas não foi nada melhor, mas apenas ignoramos e voltamos a nos beijar.

A janela do quarto estava aberta, dando uma luz natural no cômodo, a lua refletindo na neve e nos mergulhando em sombras. Zabdiel afastou sua boca da minha, me olhando no escuro. Metade de seu rosto estava iluminado, o outro ocultado por sombra. Mas mesmo assim eu conseguia ver seus dois olhos castanhos brilhando, me encarando no quarto daquele chalé no meio das montanhas. Há quilômetros de Byron Bay, do outro lado do globo...

Sua feição estava tomada por tons cinza, o cabelo loiro parecendo mais escuro.

Ele abaixou o rosto, beijando minha bochecha, meu queixo e meu pescoço. Com as pernas apoiadas na cama, ele beijou meu corpo por cima do pijama, e mesmo com um tecido entre nós, eu sentia cada toque que ele me dava.

Quando chegou ao fim da blusa, a segurou entre os dedos e a subiu, tirando de meu corpo. E então voltou, subindo a boca por mim, me beijando. Eu me sentia como se estivesse exposta a neve, como se não houvesse paredes no quarto, e os beijos de Zabdiel fossem pontos de brasas, me queimando e aquecendo meu corpo.

Segurei seu rosto e o trouxe para cima, encarando seus olhos.

— Aquele dia, no quarto, você me disse que me ama — falei baixinho, passando os dedos por suas bochechas, contornando seus olhos — eu não respondi — pausei, respirando fundo — mas...

Ele não me deixou terminar e me beijou, engolindo as palavras não ditas. Porque eu não precisava dizer. Ele sabe, sempre soube.

Contornei seu pescoço com os braços, o puxando mais para mim. Arqueei meu corpo na direção do dele, e ele respondeu envolvendo um braço em minhas costas, me colando a ele.

Minhas mãos eram firmes em seu corpo, buscando por ele com necessidade. Eu sentia como se todo o oxigênio estivesse sendo sugado do mundo, e não houvesse mais ar para respirar.

Eu conhecia essa sensação, sendo atormentada por ela durante crises de ansiedade. Mas estava longe de ser isso agora, era apenas meu peito inflando, a ponto de explodir.

Por um segundo eu achei que fosse capaz de chorar nos braços de Zabdiel. Chorar pelo tanto que eu o amo.

Desci minhas mãos para os botões da jardineira que ele usava, a abrindo. Ele se ajoelhou entre minhas pernas para tirar ela, também puxando a regata por cima da cabeça. Logo a única coisa que ele usava era uma boxer cinza.

Ele era tão lindo. Simplesmente lindo. O corpo definido, cada musculo no lugar certo. O rosto sereno me olhando, suas pupilas dilatadas no escuro. O cabelo loiro, como eu me lembrava de sempre ter sido... Tão lindo. Parecia que alguém tinha desenhado ele usando o melhor pincel do mundo, dedicando horas em seus traços e contornos.

Me apoiei nos cotovelos e estiquei uma mão, puxando Zabdiel para mim outra vez. Se ele deixasse eu ficaria horas o observando.

Suas mãos foram para o meu short de pijama, o tirando do meu corpo.

Foi a vez dele de parar e me olhar. Os olhos varreram meu corpo, analisando a lingerie azul. Quando levantou o rosto para o meu eu não conseguia decifrar o que havia ali, o que se passava em sua mente enigmática.

Então ele me beijou, com tanto desejo que meu corpo derreteu em suas mãos. Ele tocou todo meu corpo exposto, os dedos firmes em minha pele, a apertando onde tocava. Seu corpo era tenso contra o meu, sua respiração pesada e rápida. Ele buscava por mim como se eu fosse fugir, como se fosse embora.

Eu poderia morar nos braços de Zabdiel para sempre, só precisando de seus lábios para me alimentar, sendo aquecida por seu próprio calor, que me queimava.

Segurei seu rosto entre as mãos, atraindo toda sua atenção para meus olhos. O encarei, vendo meu mundo refletido em sua pupila, reconhecendo cada traço de sua feição.

— Eu te amo.

Thunder BayOnde histórias criam vida. Descubra agora