30. Os velhos tempos.

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04 DE JUNHO.

BYRON BAY.

Barbara Godwin Point of View

A praia estava enchendo conforme a noite caia, o luau cada vez mais movimentado. O calor em Byron Bay ainda é um incomodo, e é difícil ficar com o cabelo solto. Eu sempre o prendo para tentar me refrescar.

Chegamos tem dois dias, e eu já não aguentava mais a temperatura elevada, mesmo durante a noite.

Vou até o bar, procurando por alguma coisa gelada. Eu não sabia se o sangue quente em meu corpo era por estar do outro lado do globo terrestre ou pela discussão com Chris mais cedo.

Soltei um suspiro, pegando uma cerveja e me sentando na areia, olhando o mar escurecendo. Minha mente não pensou duas vezes antes de divagar em lembranças.

Eu estava deitada na cama do meu quarto, ainda me acostumando com o cômodo que passaria as férias. Chris se levantou do colchão, e eu me apoiei nos braços para vê-lo procurar suas roupas, completamente nu. Meus olhos se focaram em sua tatuagem nas costas, e eu mordi uma unha ao estuda-la melhor.

Sempre gostei de homens com tatuagens, embora Chris estivesse longe de ser meu tipo. Mesmo sendo cinco anos mais velho ele parecia ter a minha idade, e isso me fazia torcer o nariz. Vesti minha camiseta e também me levantei, pegando o celular e a carteira de Chris, estendendo para ele.

De calça e descalço a minha frente ele me olhou, analisando minha mão estendida com suas coisas.

Uma parte minha queria pedir para ele ficar, mas eu a ignorei, e continuei esperando que ele pegasse o que eu lhe entregava. Sem dizer nada ele pegou, enfiando nos bolsos da calça.

— Algum dia você vai pedir para eu não sair fugindo do seu quarto? — perguntou, passando a camisa pela cabeça.

— Algum dia você não vai fugir do meu quarto se eu pedir? — rebati, chutando seus sapatos.

— Foi só uma vez — argumentou, fechando os botões da calça.

Na realidade foram muitas vezes. Chris nunca foi muito do tipo carinhoso, e era extremamente prático. Eu agradeci por isso. Para mim homens serviam apenas para prazer. O lance com Chris é que acabamos tornando nossos grupos de amigo um só, e se tornou cômodo estarmos juntos. Na realidade, se tornou cômodo ter alguém para transar tão fácil.

Uma vez eu pedi para ele ficar, lá em casa. Eu estava sozinha, como sempre, e chovia em Boston. Eu sempre odiei chuvas. Mesmo sendo tarde da noite, Chris pegou suas coisas e foi embora após eu pedir para ele passar a noite.

— Tanto faz — disse, me jogando na cama. Suspirei, me acomodando nas fronhas limpas. O cheiro do perfume dele parecia já ter se impregnado na cama e lençóis.

— Por favor, não precisa mais manter essa fachada comigo — ele disse, colocando as meias — ela já caiu há muito tempo.

Soltei uma risada irônica e me deitei de lado o olhando, enrolando uma mecha do cabelo loiro no dedo.

— Que fachada? Tenho muitas.

Ele se virou e me olhou. Por alguma razão havia raiva em seu olhar, a testa franzida e os lábios em uma linha reta.

— A de vadia sem sentimentos.

Minha primeira reação foi o encarar em silêncio, chocada com sua declaração. Mas não deixei que ele se deliciasse com isso, e logo joguei a cabeça para trás, gargalhando.

Thunder BayOnde histórias criam vida. Descubra agora