— Zabdiel? — chamei baixinho, brincando com a corrente em seu peito.
— Hm? — respondeu sonolento, prestes a dormir.
Eu queria deixa-lo descansar, mas o pensamento surgiu em mim tão de repente que eu tinha medo de ir embora da mesma forma. Era algo bobo, um questionamento simples, mas que começou a rodar em minha mente.
— Se lembra do nosso primeiro encontro, em que você disse que um encontro perfeito é aquele que é o último com a pessoa, por que virão outros depois?
— Aham... — disse, ainda de olhos fechados e a voz arrastada. Ele se mexeu na cama, virando para o meu lado, começando a se remexer. Dei um giro também, ficando de costas para ele e o deixando me abraçar. Ele só se acalmou quando acomodou o corpo contra o meu, os braços firmes me abraçando, as pernas prendendo as minhas e o rosto caindo no meu pescoço. Não iria demorar muito para ele dormir, se já não estivesse falando durante o sono. — Por que?
— Nosso primeiro encontro foi perfeito?
— Aham — murmurou, me apertando mais forte e beijando meu pescoço. — Porque tudo com você é perfeito.
*
Nós já tínhamos acampado em Byron Bay, e não foi uma boa coisa. Erick ficou preso em uma árvore, Joel caiu em um lago, Barbara e eu rolamos na lama. E fomos todos perseguidos por um sapo, aparentemente.
Mas tinha sido diferente. Lá dormimos em barracas, ao ar livre. Dessa vez Zabdiel e eu tínhamos nosso próprio lugar, e a calma que aquela montanha emanava nos deixava anestesiados. Nenhum dos dois queria sair da cama.
Eu tinha comprado pijamas combinando para nós, e Zabdiel riu quando viu eles, mas usou sem dizer nada. Minhas meias eram azuis e de peixinhos, e meus dedos brincavam com os de Zabdiel embaixo das cobertas.
— Agora eu to sem dúvidas fodido com a polícia — comentou Zabdiel, enrolando uma mecha do meu cabelo no dedo.
Franzi a testa.
— Por que?
— Porque você tem dezessete e eu vinte e cinco.
Revirei os olhos. Eu passei boas semanas ouvindo esse argumento.
— Você é muito nova, amor — falou, se arrastando para mais perto de mim, cobrindo o corpo junto ao meu embaixo da coberta.
— Para saber o que eu quero?
— Sim.
Respirei fundo. Eu não podia contradizer ele, porque estava certo. Daqui alguns anos talvez eu olhasse para trás e percebesse o engano que foi me envolver com Zabdiel. Sendo oito anos mais velho, ele tem um poder de influência em mim enorme.
Eu sabia que dizer que sou madura para a minha idade é a última coisa que devo dizer. Não sou madura porra nenhuma. Mas eu esperava estar fazendo o certo. Esperava estar olhando a situação com clareza. Se não estivesse, eu só podia contar com meus pais e meus amigos. Eles iriam me dizer se meu relacionamento começasse a sair do controle, não é? Me diriam se Zabdiel estivesse se aproveitando de mim. No fundo eu não contava com isso, porque acreditava em Zabdiel. Ele não iria se aproveitar disso tudo.
— Talvez a gente deva fazer terapia de casal — sugeri.
— Uau, nós nem fomos morar juntos ainda e já vamos fazer terapia.
— Somos precoces.
— Ah, não somos não — falou malicioso, rindo.
Ele se apoiou em um braço e inclinou o corpo sobre o meu, me beijando.
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Thunder Bay
FanfictionA areia deu lugar a neve, o mar deu lugar a lagos congelados, e Byron Bay deu lugar a Thunder Bay. Com um mês restante de férias, Lara e seus amigos viajam a uma monótona cidade no litoral norte do Canadá. As consequências de suas ações e escolhas n...
