33. Uma dose de ciúmes.

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Zabdiel conseguiu esconder o celular em um local onde eu não conseguia achar. E acredite, eu enfiei mesmo a mão dentro da cueca dele e não achei nada. Quer dizer, achei..., mas não era o que eu estava procurando no momento.

Fomos checar as coisas no chalé ao lado, e eu fiquei bem surpresa ao ver que Chris, Barbara e Joel iriam dividir a suíte.

Peguei ela pelo braço e a puxei para um canto.

— Mas o que é isso? — Apontei para as bolsas dos três na cama de casal.

— Despedida — respondeu, de forma simples e pratica, dando de ombros. — Antes de nos separarmos mesmo, vamos ter nossa despedida.

— E o que acontece depois disso?

— Eu escolho um dos dois.

Fiz uma careta, chocada em como ela tratava o assunto de forma tão indiferente, como se fosse escolher um pão.

— Simples assim?

— A escolha já estava feita desde o começo, Lara. Nós apenas vamos criar coragem para dizer.

Meu Deus... Eu tinha muita coisa para dizer e só uma boca, então fiquei quieta.

— Quem vai fazer o jantar? — perguntou Zac, saindo da cozinha.

O chalé deles era bem maior, com diversos sofás na sala, uma grande mesa de jantar, além da cozinha também maior. E eles tinham três quartos, sendo uma suíte e outros dois com beliches de solteiro. Eu tinha dado uma rápida olhada na nova divisão, e enquanto o trio estava na suíte, Erick e Kim conseguiram um quarto só para eles. Jaime, Zac e Emi acabaram dividindo o outro.

— O que vocês vão jantar — disse Zabdiel, saindo do banheiro. Ele tinha inspecionado todos os cômodos da casa, já que achava que nenhum deles tinha feito isso. — Porque meu jantar eu que vou fazer.

— Você vai simplesmente ignorar a gente? — Chris saiu da cozinha, colocando a mão na cintura de novo. Eu quase ri da cena.

— Vou. Todo mundo aqui já tem mais de dezoito anos. Se virem, não sou mais babá de ninguém.

— Ah, mas a Lara vai ganhar janta né?

— OBVIO CHRISTOPHER! — Zabdiel deu um tapa na nuca dele. — Ela é minha namorada.

— Então eu também quero namorar você — anunciou Zac.

— Eu sou hétero, Zacharias.

Zac olhou ao redor, analisando as pessoas. Éramos em dez, quatro garotas e seis homens. Zac é gay, e mesmo se não fosse, a única mulher que sabe cozinhar no grupo é sua irmã. Então ele olhou para os garotos.

— Então eu vou namorar o Joel — concluiu, indo para o lado do amigo.

— Então vem — respondeu Joel, abrindo os braços para ele no sofá. — Eu sei cozinhar.

— Mas ele não namora a sua prima? — perguntou Jaime, olhando a cena sem entender nada.

— Sempre tem espaço pra mais um na relação — respondeu Joel, passando o braço no ombro de Zac.

Imitei Chris, colocando a mão na cintura e encarando Zabdiel.

— Que tipo de médico você os levou?

— Talvez eles não tenham cura.

Soltei o ar, negando com a cabeça e dando um tapa na testa. Será que ele tinha realmente levado eles em um psicólogo?

— Sempre achei que o Zac tinha um crush no Joel — comentou Kim, observando-os e alisando o queixo, pensativa.

Arregalei os olhos e olhei para meu ex ao lado de Joel. Será...?

— Ok, não to gostando isso não — falei, indo até eles e puxando o Zac do sofá.

A única vez que eu vi Zac com alguém foi em Byron Bay, no meio da sala de noite, e eu nem conhecia a pessoa. Confesso que a ideia de ele gostar de alguém tão conhecido do grupo não me agradava.

Olhei brava para Joel, abraçando o Zac e o apertando.

— Meu Zac.

— O que? — Zabdiel me olhou com a maior interrogação na cara.

— Você não pode namorar — falei, decidida, olhando Zac. Nós tínhamos a mesma altura, e seus olhos azuis estavam na frente dos meus.

— Mas você namora.

— Eu deixo você namorar só meu namorado.

— Não deixa, não! — protestou Zabdiel.

— Eu não to entendendo mais nada — disse Jaime, saindo da sala com os olhos assustados e com as mãos para cima, indo para o quarto.

— Se você ficar com o Joel eu corto seu pau — ameacei Zac, encarando seus olhos.

— Ele é hétero.

— To de olho em você, Zacharias.

— Então você pode seguir em frente e eu não?

— É. — O abracei de novo, passando uma perna ao redor das dele.

Eu nunca parei para pensar em como eu sentia saudades do Zac. Apesar de tudo, daquele termino ridículo que tivemos, ele sempre foi meu melhor amigo. E eu sentia falta desse melhor amigo.

Me foquei tanto em meu relacionamento e esqueci do meu amigo mais próximo. Não pude deixar de ficar triste com o pensamento.

Zac conseguia ler meus pensamentos em meu rosto. Com os dedos ao redor das minhas bochechas ele me encarou, falando baixinho para mim.

— Você sabe que sempre vai ser minha única garota, não é?

Confirmei com a cabeça, mordendo a boca para afastar a repentina vontade de chorar.

— A gente coloca a conversa em dia depois que você sair desse começo de namoro grudento, ok?

— Não somos grudentos. — Fiz bico.

— São sim — respondeu e me deu um selinho.

— Ok, tá bom. — Zabdiel enfiou o braço entre nós e nos separou.

— Você tá com ciúmes de um cara gay, Zabdiel? — perguntou Barbara, rindo dele.

— Um gay que já namorou ela. Vai saber onde a boca dele passou.

— Vai saber onde a sua boca passou — devolveu Zac.

— No lugar que a sua sem dúvidas não passou.

A sala levou um momento para interpretar o que Zabdiel disse, e então todo mundo me olhou. Minhas bochechas começaram a ficar quentes.

— Ok, já deu, — fui até Zabdiel, pegando sua mão — vamos embora.

Saímos do chalé, com Zabdiel sendo arrastado comigo.

— Para de encher o saco do Zac — falei, andando pela neve.

— Eu gosto de implicar com ele. Um dia vou beijar ele só pra ver a cara dele.

Parei onde estava, me virando para meu namorado.

— Você não vale nada.

— Você também não vale nada.

Ele me passou, chutando a neve. O segui.

— O que vamos ter para o jantar?

— A velha receita romântica.

Fiz uma careta.

— E qual seria a velha receita romântica?

— Macarrão e vinho. E claro, velas.

— É claro.

Thunder BayOnde histórias criam vida. Descubra agora