Capítulo 17 – Confusão de emoções
O alarde dos conversadores e humanos gritando vivas que reverberavam por todo o acampamento foi o suficiente para chamar a atenção de Felipe. O rei conversador percorreu o local montado em seu cavalo, sendo guiado pelas visões dos animais, até a presença de seu irmão e de seu sobrinho. Não sabia ao certo se sorria ou se chorava.
João Victor parecia catatônico. Não exibia emoção alguma, muito menos seu sorriso costumeiro. Era estranho ver o menino apresentar o oposto de sua personalidade vibrante. Victor, então, parecia mais angustiado que outrora, e suas emoções estavam a flor da pele.
Felipe era pai, e já tivera a filha sequestrada, então sabia que tipo de sofrimento o irmão estava passando. Vendo a preocupação estampada no rosto do irmão, tratou de anunciar de imediato:
- Victor! Ana Maria está aqui!
João pareceu recuperar o rubor ao ouvir sobre a irmã. Ela estava segura e bem. Isso era o que importava para o pequeno.
Victor desceu do cavalo e manteve o filho no colo. Apoiou o rosto do menino contra o ombro e encarou o irmão, enquanto o povo bradava um viva ao príncipe resgatado.
- Onde ela está? – Victor perguntou a Felipe.
- Na minha tenda, e seria bom que você conversasse com ela a sós.
Victor franziu o cenho, preocupado, e entregou João aos braços do tio.
- Pai? – o menino reclamou, resistindo à breve despedida.
Felipe suspirou e distraiu o sobrinho com esperteza.
- João, me ajuda a encontrar a Rapunzel. Ela vai ficar tão feliz em te ver. Vocês vão brincar bastante. Nós três!
O menino assentiu, menos descontente. A medida em que Felipe se afastava para procurar por Rapunzel, Victor se apressava em direção à tenda principal, ansioso para ver a filha e descobrir se algo havia acontecido. Mil pensamentos se passavam pela cabeça do rei, que estava receoso de alguém ter ferido sua garotinha.
A correria cessou ao se deparar com a abertura da tenda. Como pai, Victor precisaria respirar fundo e segurar as lágrimas. Não poderia fazer uma cena, pois precisava ser forte para a filha. Não fazia ideia do que estava acontecendo com a menina, mas o tom de Felipe havia indicado que a situação era preocupante.
Ao se acalmar e tranquilizar o coração, Victor passou pela abertura da tenda e procurou com os olhos pela filha, até localizá-la deitada sobre almofadas, com o rosto afundado em uma delas, em claro sinal de choro. Ele chegou a sentir um arrepio de medo.
Ana Maria percebeu a presença de alguém a encará-la, e se virou, avistando o pai. Ela se ergueu das almofadas, mas continuou sentada. Chegou a abraçar um travesseiro, tentando se recompor.
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O Conto dos Contos 3 - A disputa pelo final feliz
FantasyAssim que Aurora, a grande guardiã, fechou seus olhos, quem pareceu viver um sonho foi Malévola, a mais terrível dentre as terríveis. A rainha das trevas finalmente iniciou sua guerra, mas nem tudo sairá como o planejado. Ela terá que lidar com um v...
