13- Don't Stop Believing

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Olho atordoada para o ambiente e vejo que estou no meu quarto, não no meu quarto de casa, e sim, no que eu reservei no hospital.

Felipe está largado na cadeira ao meu lado e meus pais dormem no sofá. De alguma forma, Bia, Henrique e Amanda conseguiram cobertores e 3 cadeiras, que creio serem desconfortáveis. Bia e Henrique estão extremamente fofos dormindo juntos, e Amanda está dormindo sozinha em outro canto do quarto.

Olho pra minha barriga e vejo os pontos, logo abaixo do umbigo. Não doem só é estranho.

Se não fosse pela minha nova cicatriz eu poderia jurar que só tinha engordado e que nunca tinha estado grávida.

Falando nisso, cadê meu filho?

- Felipe. - O sacudo. - Cadê meu bebê?

- Oi, minha querida. - Ele disse com sono. Acabo sorrindo. - Como você está? - Ele devia estar muito preocupado, para me chamar de "minha querida".

- Cadê meu bebê? - Ele riu. - Como ele é?

- Ele é lindo. Vou mandar trazê-lo. - Ele se levantou e percebi que o mesmo ainda estava com a roupa do futebol.

A enfermeira entra com o meu bebê enrolado, explica como eu devo segurar e alimentar e me entrega o mesmo.

Harry era como todo o bebê, nasceu com pele relativamente clara, pois nunca pegou sol, e com uma carinha fofa.

Tinha muito cabelo para um recém-nascido e eram tão lisos quanto os do pai.

- Maldade, a gente carrega por nove meses e nem parece que é meu filho. – Digo, ainda o olhando admirada. - Ele é tão lindo, meu Deus.

- Mas ele tem traços seus.  - Felipe disse. - Ele tem os seus olhos e seu nariz.

- Ele está dormindo, Felipe. - Eu digo, sem tirar os olhos do meu filho.

- Mas nasceu gritando e de olhos bem abertos. - Ele disse. - Sua mãe disse que você nasceu assim também, berrando.

- Verdade, mas como foi? Cuidaram dele direito? - Perguntei.

- Cuidaram sim, você deveria ter visto, ele nasceu gritando tanto que até os médicos reclamaram. - Felipe disse, rindo. - Sinto pena de nós, ele vai dar uma baita dor de cabeça nos dias mais difíceis.

- Já foi registrado? - Ele fez que sim com a cabeça.

- Já tiraram fotos dele?

- Não, queria que a primeira foto fosse nossa. - Sorri diante da sua fofura.

Ele pegou um objeto considerado pré-histórico, uma câmera fotográfica, se posicionou ao meu lado e tirou uma foto. Reconheci como a câmera fotográfica da minha mãe.

Quando reparei o horário, já eram nove da noite.

- Seus pais? Como eles estão? - Digo, já que não os tinha visto.

- Eles vieram ver o Harry, mas foram para casa, pois bem, eu pedi. Sei que meu pai iria causar alguns problemas com o seu pai e não queria isso.

- Mas e você, está bem? - Perguntei. Nossos pais não se davam muito bem, já que o pai de Felipe me disse aquelas coisas horríveis, não deixando meu pai nenhum pouco satisfeito.

- Eu? Eu estou ótimo, vou ficar com você nos próximos dias, seus pais deixaram. - O olhei chocada. - Mas é claro, eu durmo no sofá, bem longe de você. - Ele disse, fazendo uma falsa cara de tristeza. - Uma pena. 

Nossa gargalhada fez Harry acordar e chorar alto com o susto.

Cristo é pai, esse menino grita muito! Todos acordaram com o seu choro e eu dei o que ele queria rapidamente, antes que ficasse surda.

Não era tão doloroso quanto algumas mães diziam, e também não era tão incrível. Era normal, era biológico, podemos dizer, meu corpo fez o que devia fazer, era essa a sensação que eu tinha em relação a amamentação.

Eu vi seus olhos, tão escuros em contraste a pele clara que ele tinha, os cabelos lisos e o aperto de mão forte em meus dedos.

Meus pais vieram falar comigo, me abraçaram, tiraram fotos e choraram.

Bia e Henrique tiraram suas fotos com meu filho, o tentaram fazer sorrir, mas ele não mexia um músculo da face.

Bia explicou que mesmo que ele sorrisse, seria reflexo, então vamos esperar.

Amanda disse que foi na minha casa e trouxe alguns dos livros que eu gostaria de ler, pois eu só iria para lá amanhã. Ela me deu o meu celular, trouxe meus fones e tudo que eu precisaria para sobreviver.

Quando o horário das visitas acabou, eles foram embora e ficou apenas Felipe e eu, meus pais também queriam ficar, mas só podia ter um acompanhante e entenderam que Felipe tinha esse direito.

Uma médica chegou para levar Harry ao berçário, aí que meu problema começou.

- Não.

- Mas senhorita, temos um berçário seguro, aprova de sequestros e eles tem suas identificações, jamais trocaríamos seu filho por qualquer outra criança. - Ela tentou.

- Não, traga o berço aqui. - Disse séria. Felipe já estava dormindo, então não poderia me ajudar. A médica gemeu frustrada e fez o que eu pedi.

Harry acordou as três da manhã e depois as seis. Ele apenas comia e dormia, ficava pouco acordado.

O que era ótimo para mim, que podia descansar e me preparar para a minha nova vida.

Eu recebi visitas de várias pessoas, meus familiares, os pais do Felipe, colegas da escola, até alguns professores vieram me ver. E é claro, meus amigos.

Amanda, minha prima, trouxe suas filhas. Ri do jeito que elas olhavam encantada para o meu filho. Amanda sorriu para mim, me deu parabéns e várias dicas para lidar com noites ruins.

Henrique veio nos buscar no dia da alta, ajudou a colocar os presentes que ganhei na maternidade dentro do carro.

Em casa, o meu primeiro dia foi tranquilo, Felipe me ajudava bastante, meus pais ainda não estavam em casa, estavam no trabalho.

Quando chegou a hora de dormir e eu coloquei meu filho no seu berço, me lembrei que estava com muito medo antes dele nascer. 

Achei que seria uma mãe ruim, que não seria o suficiente, que estaria sozinha, mas quando eu olho para ele agora, me sinto a melhor pessoa do universo.

Peguei o livro que Amanda me deu e li o primeiro conto, cumprindo a minha promessa.

Fui dormir com um sorriso esperançoso no rosto, pensando que tudo daria certo.

Acho que eu só tinha que acreditar que podia, tudo só está começando e eu não posso parar de acreditar.

Impulsividade e suas Consequências (LIVRO 2, CONCLUÍDO) (EM REVISÃO)Onde histórias criam vida. Descubra agora