10 - Harry um, Theodora zero.

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Não pretendia solta-la, mesmo quando a crise de choro parou

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Não pretendia solta-la, mesmo quando a crise de choro parou. Em parte por estar constrangido demais para olha-la nos olhos, e por outro lado por estar muito confortável com o carinho relutante em meu cabelo.

Gostava de carinho, o tinha muito pouco. Procurava as mulheres para sexo, e mesmo após o sexo, nenhuma delas mexia no meu cabelo. Elas costumavam querer esse tipo de atenção para elas.

A ultima pessoa a afagar meu cabelo tinha sido Eloise, a mulher que eu me recusava a chamar de mãe.

— Harry... — Meu nome junto aquele tom de voz suave e cuidadoso. — Preciso trabalhar.

Soltar ela implicaria em ter que explicar algo, lidar com um clima estranho ou me afastar daquele pequeno corpo. As três opções me eram desagradáveis.

— Eu sou o chefe — parcialmente. Após gritar tantas vezes com Eloise, e chorar como uma maldita criança, minha voz estava rouca.

— Continuo precisando trabalhar — insistiu.

Bebê chorão e carente. Otima forma de se mostrar para uma mulher. Não que importasse a maneira como ela me via, só que não custava manter um pouco de dignidade.

Ainda assim, aspirei o cheiro da sua blusa. Era marcante sem ser forte, algo floral e muito gostoso.

— De quê é esse perfume? — Ele estaria na sua pele assim como estava nas suas roupas?

Jacinto. É uma flor — informou. Suas mão foram para meus ombros e ela me afastou, me olhando se cima com muita atenção. — Não quero me intrometer na sua vida, mas...— Ela viu o choro, e provavelmente viu a mulher.

— Então não se intrometa — não iria me tornar mais digno de pena do que já estava.

Ela recuou um passo. Ser ignorante com ela estava virando um hábito.

— Certo, vou trabalhar — deu um sorriso falso e fez menção de ir embora. Seus pés estavam alcançando o meio da sala.

Droga, Harry, não seja um babaca.

— Espere — passei a mão no cabelo. Só tinha uma forma de mantê-la ali por mais tempo e amenizar o clima entre nós. — temos que discutir sobre a viagem.

A viagem para a sessão se autógrafos do meu pai tinha vindo a calhar no momento ideial. Assim como Kauan tinha dito, precisava beija-la outra vez para entender porquê a garota continuava importunando meus pensamentos.

Ir para outra cidade, outro estado, um hotel chique, era a oportunidade perfeita. Não, eu nem precisava de oportunidade, era só mandar, e ela teria que fazer. Ainda tinha dois pedidos em mãos.

Suas sapatilhas floridas assoviaram quando ela girou nos calcanhares. Com uma expressão desgostosa, voltou para a mesa e se sentou a minha frente como uma boa menina.

Três DesejosHistórias para pegar e não largar. Descubra agora