14 - Nossa comida.

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Estava com o Raul

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Estava com o Raul. Raul gostava de mim. Raul era doce, gentil e compreensivo. Raul beijava bem e era um perfeito exemplo do que uma mulher procura. Estável, higiênico e calmo.

No entanto, andando de um lado para o outro no quarto, não parava de encarar a porta, porquê sabia que do outro lado, na frente dela, estava a porta de Harry.

Ele era rude, arrogante, tinha uma cartela de comentarios inapropriados quando se irritava, mas era indiscutivelmente uma pessoa muito interessante.

Seu senso de humor era sombrio e sujo, porém, ele era esperto o bastante para sempre usar o sarcasmo ao seu favor, não importava a ocasião.

Odiava admitir, mas conversar com ele era... satisfatório? Argh!

Só podia estar louca. Tinha algo de errado com águas de avião, sabia que o ideal seria levar uma garrafinha na viagem.

Dormir nas cinco horas do voo fez com que eu ficasse totalmente desperta no hotel. E estar sozinha em um quarto enorme era entediante.

Batidas na porta me fizeram correr até ela, e antes de abrir, tratei de não parecer desesperada, respirando uma ou cinco vezes até passar o cartãozinho na tranca.

Harry estava parado no batente com as mãos nos bolsos do jeans claro e rasgado que usava.

— Eu dormi no vôo e estou tão acordado que nem calmantes resolveriam — disse, um pouco rápido demais, como se estivesse ansioso. — Pedi o serviço de quarto, mas eles não tem porções pequenas de comida então pensei que podiamos comer juntos. Aqui.

Bem, era só comida. Que mal tinha?

— O que pediu? — perguntei me afastando da porta para que ele passasse.

— Macarrão com queijo, frango frito e suco — Entrou no quarto olhando em volta. Ele cheirava a banho, até seus cabelos estavam um pouco umidos.

— Suco? — fechei a porta e fui ate a imensa cama, me sentando na ponta. Harry se sentou no pequeno sofá fofinho que ficava proximo a parede e de frente pra cama.

— Fiquei com medo de pedir refrigerante e ouvir que iria desenvolver pedra nos rins — se explicou. Era um bom ponto, mas muito mal pensando.

— Não sabe a procedência das frutas usadas aqui, quem é o fornecedor, se usam agrotóxicos na plantação, ou se os cozinheiros ao menos lavam as frutas antes de fazer um suco. As chances de contrairmos um parasita é muito maior do que desenvolver pedra nos rins em uma noite — ele não sabia nada sobre riscos, claramente.

Sr. Evans abriu a boca, se deixando afundar no sofá com o cotovelo sobre o braço do móvel.

— Nunca mais fale comigo, está estragando minha percepção das coisas.

Sorri.

— Ou abrindo seus olhos — não podia deixar que aquele quarto tão grande caísse no silêncio. — Como serviço de quarto sabe que a comida vem pra este quarto?

Três DesejosOnde histórias criam vida. Descubra agora