XXXII

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Horas antes do encontro marcado, a noite ainda reinava silenciosa sobre o castelo.
Jeongguk mal conseguira pregar os olhos. O alfa permanecera sentado à mesa da cozinha, o único lugar em que se sentia próximo de Taehyung, como se a mera presença nos arredores do quarto pudesse mantê-lo mais perto do que havia perdido. O frio da madrugada penetrava pelas frestas da janela, mas Jeongguk mal notava; os pensamentos iam e vinham como uma tempestade. Seu corpo clamava por descanso, mas o coração estava inquieto demais. Ele esperava, quase desejando, que a porta se abrisse e que Taehyung surgisse, ainda que fosse apenas para buscar água ou espiar se tudo estava em ordem.

No entanto, quem apareceu não foi o ômega, mas uma pequena silhueta sonolenta que fez o alfa prender a respiração. Jeongwoo.

O menino surgiu tropeçando levemente, os cabelos bagunçados, esfregando os olhinhos com as mãos pequenas. Por um instante, Jeongguk apenas ficou ali, estático, observando-o como se estivesse diante de um sonho. Um sorriso involuntário nasceu em seus lábios. O pequeno, porém, parecia prestes a chorar.

— O que foi, Jeongwoo? — perguntou, a voz baixa e suave, quase temendo assustá-lo.

O bebê fez um biquinho, os olhos marejando.

— Jeonie… pipi. —

Aquele pedido simples, tão inocente, aqueceu o coração do alfa. Ele achou adorável a forma manhosa com que o menino falava, a maneira como seus ombros se encolhiam de vergonha.

— Vem, eu te levo — disse, estendendo a mão, convidativo.

Mas Jeongwoo hesitou, deu um passo para trás e balançou a cabeça.

— Omma… não gosta… Jeonie chama omma… — murmurou, com a voz baixa e trêmula, como se estivesse prestes a sair correndo de volta ao quarto.

Antes que pudesse recuar, Jeongguk se aproximou devagar, agachando-se para ficar à altura dele.

— Appa vai ajudar você, filho. —

O pequeno parou, a expressão confusa. Olhou para Jeon por alguns segundos, como se buscasse alguma confirmação silenciosa. E então, lentamente, assentiu. Um sorriso largo iluminou o rosto do alfa.

— Correu! — Jeongwoo disse, levantando os bracinhos, e Jeongguk não resistiu: o pegou no colo, segurando-o firme, sentindo aquele corpinho quente contra si pela primeira vez de verdade.

Ele o ajudou a ir ao banheiro, cuidando dele com a delicadeza de alguém que temia quebrar algo precioso. Depois, ainda sem acreditar na oportunidade, foi até a despensa, pegou algumas frutas frescas, picou com calma e ofereceu ao pequeno, que comia de forma tranquila, como se aquilo fosse o mais natural do mundo.

— Quero omma… — murmurou o menino de repente, e o coração de Jeongguk apertou.

— Não quer brincar com seu appa um pouquinho? — perguntou em tom suave, quase implorando.

O bebê hesitou, depois deu um pequeno sorriso e assentiu. Jeongguk se derreteu.
Sabia que não era apropriado ficar ali, que provavelmente seria repreendido se Taehyung os encontrasse juntos, mas aquele era um momento que ele se recusava a desperdiçar.

Enquanto o pequeno se distraía, Jeongguk o sentou na cama improvisada que havia preparado e, com um nó na garganta, arriscou:

— Jeonie, seu omma tem outro alfa? —

O menino franziu a testa, os olhos se enchendo de ciúmes instantaneamente.

— Omma do Jeonie… não pode outro alfa. Só Jeonie. —

Jeongguk riu baixinho, encantado com o ciúme puro e infantil.

— Nem mesmo o appa? — provocou.

— Jeonie morde… não gosta de alfa com omma! — respondeu, emburrado, cruzando os bracinhos e fazendo um enorme biquinho.

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⏰ Última atualização: Sep 22, 2025 ⏰

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