• Capítulo 21 •

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Lua...

 Já faz 1 semana que as meninas foram pro sítio.

O movimento aqui tá calmo. Muito calmo por sinal.

As ameaças pararam, mas eu tenho certeza que é só eu dar uma derrapada, que eles vão sequestrar alguém.

Meu pai me convenceu, de que seria melhor se eu voltasse pro Alemão.

Quase nem queria né.

Os guris de vez em quando vem puxar assunto comigo, nada de muita intimidade, mas, eu converso, não tô que nem antes com eles, mas aos poucos vamos retomar de onde a gente parou.

Durante essa 1 semana que passou, eu e o Grego nos aproximamos bastante um do outro.

No momento eu estou aqui na casa dele, enchendo o saco do mesmo pra ele ir fazer alguma coisa pra mim comer.

Eu: Vai lá Matheus. Eu tô com fome pô.

Grego: Eu vou passar um rádio pra um dos menor, trazer uns bagulho pra gente comer então. Porque eu não vou pra cozinha, nem fudendo.

Ele se levantou do sofá e foi até a estante da TV pegar o rádio dele e já pediu também duas marmitas caprichadas lá do seu Chico.

Ele voltou pro sofá e se deitou do meu lado me puxando pra deitar no peito dele.

Eu ando pensando nele demais, tá maluco. Se eu fecho os olhos eu vejo ele sorrindo pra mim, me lembro dos nossos beijos.

QUE CARALHO TÁ ACONTECENDO COMIGO?

Eu apaixonada pelo Grego? Esse ogro desgraçado, que sabe ser bem fofo comigo quando a gente fica sozinhos?

Eu: O que você tá fazendo comigo, Matheus?

Falei olhando dentro dos olhos dele. Sempre que eu olho no olho dele, eu fico viajando naquele azul da cor do mar.

Grego: A mesma coisa que tu tá fazendo comigo, Morena!

Ele me deu um selinho enquanto mexia nos meus cabelos.

Eu: A gente vai levar esse bagulho pra frente?

Eu fazia círculos com a ponta do dedo no peito nu dele.

Grego: Tá ligada que é uma das coisas que mais quero. Mas tu tá preparada pra receber um monte de mentiras e fofoca que vão espalhar por aí?

Eu: Matheus, um relacionamento é feito a base de confiança e eu querendo ou não, confio em tu.

Grego: Eu sei disso Morena. Mas, o que eu tô querendo te dizer, é que o povo aqui não perdoa ninguém não. Eles não tão nem aí pra quem tu é, se o teu relacionamento tá bem, eles vão dar um jeito de destruir.

Eu: Eu sei disso pô. Nada que um tiro de fuzil no cu não resolva pô.

Grego: A Dani já te contou o que armaram pra ela e pro Ph a alguns anos atrás?

Eu: Não. O que fizeram com eles?

Grego: Tinha uma vagabunda que era apaixonada pelo Ph, pô. Ele comia ela direto, até que ele começou a se envolver com a Dani. Depois de um tempo ele tinha parado completamente com a putaria e tava firmão com a Dani. Até que a vagabunda dopou ele, um dia que a Dani tinha saído com as meninas, e quando ela chegou em casa, o Ph tava peladão junto com a vagabunda na cama deles pô. A Dani ficou malucona. Bateu nos dois, o coitado do Ph não entendendo nada que tava acontecendo. Nem lembrava como tinha ido parar em casa. Mais tu acha que a Dani deu bola? Ela tava achando que ele tava era de palhaçada com a cara dela. Eles se separaram, o Ph ficou malzão. Até que o Vt teve a brilhante ideia de sequestrar a vagabunda pra gente descobrir o que realmente tinha acontecido naquele dia. Ela confessou que tinha dopado ele e que não tinha rolado nada. A Dani deu mais uma surra nela. Os dois tão aí firme e forte. Mas ficaram quase seis meses separados por causa da inveja do povo. Entende o que eu tô querendo dizer?

Mano, fiquei passada legal pô.

Eu nunca que iria imaginar que eles tinham passado por um bagulho desses.

Eu: Entendo. Esse é um dos motivos que eu odeio mentiras. Sempre em um relacionamento tem que ter a conversa pô. Se tu não tá mais afim? Chega e fala. Pra que ficar traindo pô? Se quer trair nem arruma um relacionamento não pô.

Grego: Eu concordo contigo. Se quer continuar agindo como um moleque, nem se prende a ninguém não. Mais não é todo mundo que concorda com a gente né.

Eu: Eu matei meu ultimo namorado.

Ele arregalou os olhos e parou de mexer no meu cabelo na hora.

Eu: Parou de mexer no meu cabelo por que, pô? Continua.

Ele voltou a mexer olhando pra mim.

Grego: Por quê?

Eu: Tava de X9 pro meu lado. Passava as informações todinhas pro pai dele. Por isso que eu fui sequestrada daquela vez. O pai dele é um dos mandantes do sequestro. 

Grego: Que velho sem vergonha pô.

Eu: Eu passei um mês sofrendo por ter matado o filho e a mulher dele.

Grego: O que ele fez contigo morena?

Com a mão dele que tava livre, ele me abraçou pela cintura colando mais os nossos corpos.

Eu: Foi horrível. Pra eles não machucarem a Clarissa, eu me oferecia no lugar dela. Afinal ela só tava lá por minha culpa. Além deles me torturarem fisicamente e psicologicamente, eu ainda fui estuprada diversas vezes...

Comecei a chorar. Eu nunca falei dessa história pra alguém que não fosse a minha família. Mas eu também só falei uma vez pra nunca mais.

Grego: Shiii. Não precisa me contar morena.

Eu: Era três vezes na semana. Cada dia era um dos três. Eu sentia nojo de mim mesma depois que eles acabavam. Mas quando eu negava, eles ameaçavam estuprar a Clary. Eu nunca iria permitir que isso acontecesse com ela. Quando eu consegui derrubar um dos cara que sempre levava comida pra mim e pegar o celular dele, eu liguei pro Diogo, dizendo onde a gente tava. Ele disse pra mim, que não ia demorar muito virem tirar a gente dali. Quando começou a troca de tiros do lado de fora, o Fernandes, que era o pai do Gúsman, entrou dentro da sala que eu e a Clary estavamos e disse que eu também iria perder duas pessoas que eu amava. Daí ele deu um tiro na Clary. O tiro em si, não foi em um lugar a onde ela iria morrer, mas, como ela tava grávida, e pra completar entrando em trabalho de parto, o tiro só ajudou ela a não resistir no parto. Eu fiz o parto da Clara apavorada, porque não sabia nada sobre partos, a não ser aqueles que a gente vê em filmes e novelas. Ela me mandou prometer que eu cuidaria da Clara, como se ela fosse minha filha. Ela disse que eu era muito mais do que uma madrinha pra Clara e a melhor amiga dela. Eu era a irmã que a vida deu pra ela, e ela também era a minha irmã. Depois que eu e a Clara saímos daquele lugar, eu entrei em depressão. Fiquei três meses tentando me matar a cada vinte e quatro horas. Ainda é difícil pra mim falar sobre tudo o que aconteceu. Eu nunca mais consegui dormir uma noite inteira. Por isso que eu vivo de mal humor. Eu não consigo dormir, daí no dia seguinte eu fico insuportável. Qualquer coisinha me irrita.

Grego: Eu tô aqui agora contigo morena. Ninguém nunca mais vai encostar em ti. Eu prometo pô.

Ficamos assim abraçados até o Grego levantar pra ir buscar o nosso rango que tinha chegado.

Comemos entre conversas e risadas. Quando eu abri a porta pra ir embora, tinha um vapor do Grego apavorado, vindo na nossa direção.

Grego: Qual foi D2?

Quando ele falou o que tinha acontecido eu senti meu mundo desabar. Eu não sabia o que fazer naquele momento.

O Grego me abraçou e ali, nos braços dele, eu me permiti chorar.

A Mafiosa e o Dono do MorroHistórias para pegar e não largar. Descubra agora