Part II | C : 2

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Aquele que luta para não ser um monstro deve acautelar-se para não tornar-se também um monstro. Quando se olha muito tempo para o  abismo, o abismo olha de volta para você.
— Friedrich Nietzsche.


SEBASTIAN VELARK


DIAS ANTES. 



Vê-la surgir como uma tempestade, furiosa e sedenta por meu sangue, deixou-me fascinado e confuso ao mesmo tempo, de tudo o que ela me falou, me atento apenas na mágoa e medo estampado em seu rosto. A coragem que tivera ao vir aqui não permitiu que a saudade empurrasse meu peito, pelo contrário, trouxe em mim uma sede de raiva jamais sentida, ao menos não se tratando dela. 

Ignoro completamente o sangue escorrer do corte superficial em meu lábio inferior, apenas envio uma mensagem breve ao meu chefe de segurança, a qual não tardou a vir.

— Procure saber de forma detalhada sobre o que aconteceu, tem quinze minutos para me trazer um relatório completo. 

— Sim senhor. 

— Mande os outros consertarem o estrago feito por ela — emito mais uma ordem. 

— Sim senhor. 

Fico estagnado no lugar por longos minutos, nervoso, contendo meus demônios que estavam sedentos por ela desde que a mandei embora. Não posso dizer com certeza que minha memória retornou cem por cento, havia muito que luto para lembrar, entretanto, o pouco foi o suficiente para mandá-la embora. 

Era o certo a ser feito. 

Encho o copo com uísque puro, tomo longos goles a fim de me conter parcialmente. Os quinze minutos não foram seguidos, pois meus homens chegaram com o relatório em mãos antes do prazo estabelecido, leio e me enfureço.

— Onde estão? — Amasso os papéis. 

— Na sala de vidro, apenas um matamos, ele tentou fugir, peço perdão, senhor. 

— Dispensados, resolva tudo que for preciso, o custo não me interessa, apenas quero o serviço em andamento.

— Considere feito.

Entrar naquela sala trouxe leves memórias dela, das amarras e do desespero em saber quem eu era e o motivo de ter a raptado. Ignoro ao encarar os cinco filhos da puta, amarrados como animais prontos para o abate — ouvia os murmúrios, me atento à tensão e ao medo que exalava de seus poros, sorrio ao estar ansioso para destruir cada um com minhas próprias mãos. 

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