[ REESCRITA: INÍCIO: 12/05/2023
Sebastian Velark. Um homem poderoso. Por trás de uma bela aparência e um corpo de arrancar suspiros de muitas, há algo tremendo, maligno e demoníaco. O que ele quer ele tem e não importa o que tem que fazer. Se for p...
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O amor é um cão dos diabos. — Charles Bukowski.
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SEBASTIAN VELARK
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O pânico me invade de modo absoluto e irracional, a ardência em meu rosto não fora o suficiente para aplacar a crise que rasga meu peito e dilacera tudo o que me constitui — cambaleio descrente na fúria que recai sobre mim de maneira tão inesperada.
Não sou e jamais serei um homem de bons princípios, ainda sim, minha mente tornou-se minha prisão desde em que a expulsei da pior forma possível pensando que isso fosse o melhor.
Pressiono a palma contra o peito e busco por ar, a agonia bloqueia minha visão, objetos próximos se quebram conforme busco apoio.
Me tornei miserável e hipócrita em todos esses meses, mantenho o semblante franzido e deixo o escritório, andando às pressas a fim de encontrá-la, porém sei que já não está em meus domínios a tempos. As dores de cabeça retornam como tiros, encho o copo de whisky puro e bebo em goles longos, ignorando os alertas de meu corpo anunciando crises que me deixam a um passo do precipício.
— Senhor! — Ouço Kenji chamar, me viro para encará-lo.
— O que é?
— Os portões foram destruídos, o que deseja que façamos? — Algo em seu tom de voz me deixou desconfiado e com ainda mais raiva.
— Ordene que sejam refeitos e postos o mais rápido possível.
— E quanto a senhora Velark?
— Ninguém tem autorização para ir atrás dela. Deixe-a, em outro momento resolvo — minto, enchendo novamente o copo.
Sozinho, me sento, cansado, agonizando em minha própria desgraça, afogando-me nas consequências que eu mesmo causei. Isso era o inferno.
Flashes dos momentos em que me mantive oculto de meu verdadeiro eu retornam, consigo ouvir seu sorriso, a forma cuidadosa, tudo. Simplesmente não consigo parar de pensar, não consigo impedir essas lembranças melancólicas de destruírem o que mal resta de minha sanidade mental.
Mal percebo o álcool entorpecer meus sentidos, minha visão estava totalmente turva, funcionários seguem de um lado a outro para limpar toda a bagunça que fiz e substituir os móveis — a claridade me fere, havia amanhecido nem mesmo isso consegui notar.