[ REESCRITA: INÍCIO: 12/05/2023
Sebastian Velark. Um homem poderoso. Por trás de uma bela aparência e um corpo de arrancar suspiros de muitas, há algo tremendo, maligno e demoníaco. O que ele quer ele tem e não importa o que tem que fazer. Se for p...
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De todas as maldições cometidas pela humanidade, tu és o pior, tu és o maligno, o mau encarnado na pele de cordeiro. — Y.S
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JÉSSIKA VELARK
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A morte tem um gosto amargo, um cheiro de podridão…o definhar abrasador de uma alma que carece de culpa, sufocada em gritos silenciosos, pedidos de ajuda, um socorro que sei que jamais viria. Permaneço na bolha revestida de sombras, a umidade em meus olhos escorrem por minha face ainda petrificada, fechando as pálpebras consigo ter o vislumbre nítido do corpo de Hector, fechando as mãos em punho consigo sentir a maciez dos seus cabelos, do sangue manchando meu corpo mal coberto pela toalha, de sua pele perdendo o calor aos poucos, até tornar-se frio e rígido como uma rocha — os luzeiros verdes abertos em temor perpétuo, as pupilas dilatadas quase cobrindo as íris, a verdade com que me nego a aceitar sua partida. Tudo isso por minha culpa.
Ter cogitado a hipótese de que aquela mensagem seria meu aval para liberdade foi um erro mal contabilizado devido a ganância pela fuga, da fome insaciável para ter minha vida de volta, é lamentável o quanto uma ação impensada se resulta em algo catastrófico e irreparável. Aqui, carrego minha própria cruz, sendo chicoteada e em breve crucificada pelo julgamento daqueles que o amavam e o admiravam, o viam como um homem de valor e repleto de sonhos, onde todos tinham a mim — encarando minhas mãos estiradas, imagino-as perfuradas por pregos sob a madeira, e assim seria o meu fim, padecendo e morrendo por erros, mal acerto, por tudo onde o autor desses feitos permaneceria em seu trono, em seu castelo de cartas, protegido por seu império, pelo dinheiro e pela ganância que espero que no fim o engula vivo.
O amanhecer surge por entre as árvores, o céu outrora escuro agora se mostra claro como o oceano, o vento fresco sob minha pele era reconfortante, secava as lágrimas para que outras pudessem vir, visualizo um mundo que não desejo fazer parte, respiro um ar que não me pertence, sinto meu coração bater, tal sensação era repulsivo, havia uma voz no fundo de minha consciência que sussurrava em meu ouvindo, dizendo o quanto este fôlego não deveria ser meu, que essa exclusividade pertence a apenas um ser, e agora não caminha mais pela Terra.
Não movo um dedo ao ouvir a porta sendo aberta, passos suaves pelo quarto, farfalhar de tecidos e ruídos de objetos sendo movidos para serem limpos pelo que posso imaginar, talvez dias tenham se passado, não me recordo, acredito que nem seja relevante me manter conectada às horas, aos dias, nem mesmo as mudanças climáticas — a prisão mental não era condicionada em conforto e paz de espírito, pelo contrário, é uma cela moldada pelo lamento, demônios trabalhando incansavelmente para sugar-lhe até a última gota de vitalidade e sanidade, prometendo comer suas entranhas enquanto seus gritos mudos vibram por suas carnes descompostas, trazendo euforia e adrenalina. Logo o silêncio volta a estabelecer, sinto o cheiro delicioso de café fresco, leite quente e alimentos quentes e seus aromas distintos, meu estômago se retorceu pela fome, o desejo de saciar o básico do ser humano me era dificultoso, penso em me mover, desvio dos pensamentos pelo fato dele estar me assistindo de algum lugar daquele presídio de luxo, todavia, faço mesmo assim, há uma força invisível, um estímulo solene de que eu levante, que me mova, que coma e que caminhe…assim o faço, caindo na ilusão de que há uma energia boa ao meu redor, uma luz para me dar forças conforme permaneço nesse vale sombrio e mordaz.