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N/A: Boa tarde Velovers.  kkkk brincadeira.
Trouxe mais um cap para vocês, este bem maior do que o costumeiro.
Espero que gostem.
Coloquei uma referência bem legal. kkkkkkk
Ótimo feriado a todas ( os )
Até a próxima leitura.

Que minha solidão me sirva de companhia

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Que minha solidão me sirva de companhia.
que eu tenha a coragem de me enfrentar.
que eu saiba ficar com o nada
e mesmo assim me sentir
como se estivesse plena de tudo.
— Clarice Lispector.


JÉSSIKA VELARK


Oa dias tem passado lentamente, chatos e totalmente tediosos. Sebastian chegava muitas vezes nervoso, resmungando  sobre dores que parecem cada vez mais dolorosas e insuportáveis — optei por não me importar com isso como havia feito antes, até porque, não é problema meu.

Neste momento estamos jantando, meu prato passou a ser vegetariano, mesmo assim fico receosa em comer, o silêncio era quebrado pelo tintilar dos talheres; pela visão periférica percebo-o distante, a expressão costumeira de incômodo vinha em tremenda angústia, algo que não costumo ver estampado em sua face.  Tomei um pouco de vinho tinto e respiro fundo, odiando-me pela pergunta que farei.

— Você está bem? 

— Se importa? — retruca seco e impaciente. 

— Se não me importasse não estaria perguntando, acredite. — devolvo no mesmo tom, conforme corto os legumes.

Velark solta o ar e me encara, as orbes azuis me fitando como se pudesse arrancar minha alma e engoli-la. — O que quer? Duvido que esteja de fato preocupada com meu estado de saúde. — nisso ele tinha razão. Realmente não me interessa, por mim que morra.

— Quero ver meus pais. — informo. — faz meses que estou aqui e não tentei mais fugir ou pedir ajuda. — relembro. 

— Não. Está fora de cogitação. — resmunga. 

— Por quê? — aumento um pouco a voz. — Podemos dar um jeito. Prometo voltar, ou talvez, você possa ir comigo. — o amargor por dizer tais palavras por pouco não fez com que eu engasgasse com minha própria saliva. Maldita situação de merda. 

— E o que pretende dizer a eles, Jéssika? Hum? — desdenha. — O que dirá sobre mim? — seu timbre sobe uma oitava. 

Dizer a verdade traria problemas, e faço de tudo para manter meus pais a salvo desse filho de chocadeira, penso um pouco antes de responder, não o encaro, termino a bebida e o olho diretamente. 

— Podemos inventar algo. Que nos conhecemos na Holanda, durante um passeio meu e nos tornamos amigos. Não vou dizer que nos casamos, você matou meu namorado. 

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