Com a notícia da minha segunda gravidez, Pedro me tratava super bem, era romântico e atencioso, fazendo todos os meus caprichos, ele parecia estar realmente muito feliz. Devido a isso, pela primeira vez na vida, pensei que realmente estava me apaixonando por ele e o vendo com outros olhos.
No entanto, essa alegria toda terminou quando Briana nasceu de 7 meses, tão pequenininha que eu tinha medo de segurá-la, não queria chegar perto dela, não suportava nem o som do choro, não queria passar tempo com ela. Tive depressão pós-parto.
Fora isso, estava me sentindo horrível como mulher, engordei o dobro da primeira gravidez e estava pesando 80 kg, mediando apenas 1,63 m, eu queria morrer.
Enquanto isso, Pedro passava por cima do seu machismo e orgulho, cuidando muito bem da Briana, trocava a fralda e dava mamadeira, quando não estava trabalhando. Já nos momentos em que não podia, a babá ficava com ela.
A cada dia, eu piorava, já fazia 1 mês e meio que minha filha tinha nascido e eu não queria saber dela, só queria ficar deitada, no quarto, com Bernardo, mas tinha horas que ele queria sair do quarto para brincar e, por causa disso, eu chorava silenciosamente.
Até que Pedro preocupado com a minha situação, me levou para uma psiquiatra e uma psicóloga, sendo que a última eu carrego comigo até hoje, é minha melhor amiga, Karla, o nome dela, é incrível. Ela me tirou do fundo do poço e, a partir daí, eu comecei a melhorar de dentro para fora.
Comecei uma mudança drástica na minha vida, que foi se dando aos poucos, comecei a tomar remédios tarda preta para controlar a depressão, receitados pelo médico, e, a partir daí, comecei a me sentir mais segura para cuidar de Briana, aproveitei e fiz uma reeducação alimentar e me matriculei em uma academia.
Assim, com muito esforço e determinação, perdi 25 kg, chegando aos 55 kg, peso que eu tinha antes de engravidar de Bernardo.
Depois de ficar 100% curada da depressão, decidi ter uma conversa séria com Pedro e decidimos que não iríamos mais ter filhos com medo de que a depressão voltasse, aí eu fiz, posteriormente, aos 24 anos, uma laqueadura tubária.
Assim, passaram-se vários anos e eu vi meus filhos crescerem e se desenvolverem. Bernardo era um menino gentil e atencioso, ligado às artes, gostava muito de música e poesia, enquanto Briana era rebelde e intensa, gostava das coisas ao seu jeito, mas era muito inteligente e perspicaz.
Minha vida não era perfeita, era permeada de pequenos problemas cotidianos, mas eu nunca pensei que teria outro problema tão grave quanto a depressão pós-parto, mas tive...
Bernardo tinha 16 anos quando começou a fumar maconha por influência de amigos. Ia muito mal na escola que quase não conseguia terminar o ensino médio. Ele estava tão viciado que usava toda a sua mesada em drogas. Até tentamos tirar, mas ele vendia seus pertences e não comia, então optamos por continuar bancando-o, mesmo nessa situação, tornando-nos refém de seu vício.
Eu me sentia uma péssima mãe, ficava me perguntando onde eu tinha errado e porque ele não era como o filho das minhas amigas que estavam fazendo faculdade e se dedicando aos estudos, não perdendo o controle da vida com drogas e estragando neurônios. Isso desgastou muito meu relacionamento com Pedro, não queria saber de nada, cheguei a pensar que a depressão tinha voltado, apenas ficava muito triste em ver meu filhinho passando o dia fumando e mexendo no celular.
Entretanto, tudo mudou quando ele conheceu uma mocinha pelo Facebook, Ana, 2 anos mais nova do que ele, encantando-se pela delicadeza de sua feições, seus olhos verdes pareciam duas esmeraldas, era assim que ele a descrevia em seus poemas. Ele era um príncipe e ela princesa de tão lindos. Só que ela, muito direita, impôs uma condição para ficar com ele: teria que deixar a maconha.
Não digo que ela foi a salvação da vida dele, mas foi um start que fez ele se tocar de que estava destruindo sua vida.
Assim, ele começou a fazer de tudo para parar de fumar sozinho, mas não conseguiu. Então, ele decidiu se internar na Fazenda da Esperança e passou 1 ano e três meses lá. Depois, sua vida mudou completamente, terminou os estudos e começou a fazer faculdade de Letras, almejava ser professor, igual ao pai, enquanto trabalhava na empresa de Pedro. De vez em quando, ia visitar Ana em Fortaleza ou ela vinha vê-lo em Recife, assim o relacionamento deles parecia que vinha dando certo.
Três anos depois, quando ele tinha 21 anos e 19, Bernardo pediu Ana em casamento e disse queria apresentá-la a toda a família.
Por causa disso, eu, Pedro, Bernardo e Briana viajamos para Fortaleza para conhecer Ana.
Após uma longa viagem e toda a instalação no hotel, no dia seguinte, nós fomos conhecer a misteriosa garota e sua família. Tudo o que sabíamos sobre ela era que morava em Fortaleza desde que nascera, seus pais eram divorciados desde que era criança e que tinha tido um padrasto rico que há alguns anos tinha morrido de AVC, tudo isso contado por Bernardo.
Finalmente chegara o dia de conhecê-la, chegamos na mansão, onde ela morava com a mãe, viúva do senhor Cavaríeis.
Ao chegarmos, o mordomo abre a porta da casa para nós e logo a dona da casa chega para nos recepcionar. Ela era uma senhora bastante fina e elegante, mas tinha um quê de audácia.
-Bom dia, amigos-ela começa o diálogo-Sou a mãe da Ana. Me chamo Roberta e quem são vocês?
Logo, me toquei que esse nome me era familiar, há muitos anos eu não ouvia e observei seus rosto e suas feições, torcendo para não encontrar semelhanças entre aquela e a esposa de Henrique, mas se fosse, estaria muito diferente, totalmente mudada, achei que era loucura da minha cabeça, não podia ser ela, até porque havia várias Robertas no mundo, então decidi me tranquilizar.
O relógio já doava uma 1:00 da tarde e as duas pareciam meio apreensiva me, enquanto tentavam puxar conversa para passar o tempo, até que tomei coragem e perguntei:
-Você está esperando alguém?
-Estava esperando meu ex-marido, pai de Ana, para começar o almoço, mas, como ele está demorando muito, acho que podemos começar sem ele
-Claro que não, mãe, quero meu pai presente-fala Ana desgostosa do comentário da mãe
-Então, vamos esperar a tarde inteira-retruca Roberta
De repente, o mordomo avisa que havia alguém na porta, com certeza deveria ser o pai de Ana. Quando ele entrou na sala de jantar e ficou diante de nós, meu coração faltou sair pela boca! Era ele! Era Henrique, ele era o pai de Ana!
Da mesma maneira que fiquei feliz que Bernardo tinha encontrado alguém para acordar para a vida, fiquei triste que fosse com ela, justamente com ela.
Um misto de sentimentos me invadiu, eu não sentia ódio dele por ter me abandonado, mas odiava o destino por ter feito a gente se reencontrar naquela situação, tinha tanta gente no mundo para Bernardo se apaixonar e ele fosse apaixonar justo por uma irmã desconhecida.
Esse turbilhão de emoções não estava me fazendo bem, tinha flashbacks do passado, lembrando de Henrique, de como nos amávamos, nossas loucuras e de como tudo terminou mal. Ouvia vozes das pessoas conversando diálogos indecifráveis até que, de repente, tudo se apagou.
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Não quebre meu coração!
RomanceClarisse é uma mulher de meia-idade que tem um passado sofrido por ter sido abandonada pelo pai aos 5 anos, tendo que conviver com a mãe sempre falando mal dele. Somado a isso, ela foi deixada pelo grande amor de sua vida, relação que lhe rendeu mág...