-Vai viajar?
-Vou para Mucambo visitar minha tia
-Posso ir com você?
-Não, tu tem aula agora de tarde, não quero que perca, amanhã eu já tô voltando, eu tô indo mais porque ela teve um mal estarzinho e acabou indo parar no hospital-ela fala e continua quase já saindo-Não traga ninguém pra cá, ouviu?
-Tá bom e para comer, como vou fazer?
-Deixei um arroz e um feijão na geladeira que sobrou e tu frita um ovo
-Ok
-Tchau, Larissa-dizendo isso ela foi embora
Depois de uma hora, fui à escola assistir à aula da olimpíada, estava todo o colégio quase vazio, havia apenas alguns homens carregando coisas e levando para a quadra, onde seria a festa junina, além de se ouvir música de festa junina no pátio, local onde as turmas do fundamental estavam ensaiando. Depois de observar um pouco, fui direto para sala, estava 5 minutos atrasada.
Quando entro, encontro a sala mais vazia, apenas com Henrique sentado corrigindo provas.
-Boa tarde, Henrique-falei ao entrar-Não vai ter aula hoje
-Não sei-ele fala me observando-Acho que não, ninguém veio hoje, além de você. A não ser que você queira
-Eu quero sim-falei sorrindo com os lábios-Mas claro, se não for um problema para você, você parece bem ocupado
-Não sem problemas, eu já estava cansado mesmo de corrigir provas-ele levanta-se-Você quer se sentar aonde?
-Pode ser aqui na frente mesmo
Dizendo, eu, isso, ele pegou a carteira vizinha e junto com a que eu havia escolhido. Assim, nos sentamos próximos, mas com uma certa distância "segura" para nós dois. Depois, ele passou um td que provavelmente ele iria passar na aula.
-Vou te entregar um td e você faz mesmo sozinha para conseguir autonomia, qualquer dúvida, me pergunta, ok?
O td consistia em 20 questões dos mais variados assuntos da biologia, decidi fazer primeiro as que conseguia para depois pedir ajuda a ele nas demais. De repente, lá pela 15, de tanto ler textos enormes, comecei a ficar com dor de cabeça. Na 17, tive que parar e respirar fundo, quando ele se vira para mim.
-Larissa, se você estiver cansada, pode parar, pode levar o td para terminar el casa depois
-Não, estou bem-falei e continuei um pouco mais baixo, sem olhar nos seus olhos-É melhor ficar aqui do que em casa
-Por quê?-ele pergunta com um quê de preocupação em sua voz-Minha mãe viajou para Mucambo para ficar com minha tia no hospital e eu nunca passei um dia sem ela, não quero ficar sozinha
-Entendo
-Vou continuar aqui-falei me debruçando sobre meu td
Depois de alguns segundos, ele diz:
-Larissa, vamos sair para comeae alguma coisa, já que não quer voltar para casa, são 5 horas, você deve estar com fome
-Sério?
-Algum problema? Você não quer ir?
-Eu até queria, mas não trouxe dinheiro
-Não tem problema, eu pago-ele fala pegando sua bolsa-Vamos
Arrumei minhas coisas e segui ele. No caminho em direção ao carro, pela escola, percebia-se que ela estava vazia, os ensaios das outras turmas havia terminado. Parecia que Deus ou o destino estava conspirando para nossa saída juntos. O carro estava estacionado em um lugar quase isolado, ali passava pouca gente, para nossa sorte.
Assim que entrei no carro dele, perguntei onde iríamos comer.
-Não sei, onde você sugere?
Fiquei pensando, mas aí me veio logo na cabeça que esse encontro não seria conveniente, eu poderia ficar mal falada na rua por estar saindo com um homem casado, mesmo que fosse como amigos.
-Espera, Henrique, podem nos ver juntos e as pessoas podem especular coisas-falei pensativa
-Puxa vida-ele fala com uma expressão de extrema frustração no seu rosto enquanto passava a mão pelos cabelos-Eu esqueci que tava em Massapê, eu sei que é a cidade onde você nasceu, mas é horrível ter que ficar limitando minhas ações porque podem falar da minha vida, talvez porque nasci em uma cidade grande como Fortaleza em que quase ninguém se conhece
-Deve ser bem legal nascer em Fortaleza, sempre quis conhecer o mar
-Você iria adorar, é muito bom sentir a brisa batendo no seu rosto, se conectar com a natureza, ver os animais marinhos em seu hábitat natural, pena que o homem já modificou a paisagem mais do que deveria, é, mas...deixa...é...mas você não viajou para nenhum canto ao longo desses seus 16 anos?
-Claro que sim, mas foram poucos os lugares, só para Mucambo para vc sitar uma parte da família da minha mãe e para Sobral para comprar os negócios dela de costura
-Meu Deu, Larissa, você me deu uma ótima ideia, vamos lanchar em Sobral, é só a 30 minutos daqui e lá tem uma lanchonete super famosa, o que me diz?
-Tá bom, vamos lá
Ele pisa o pé no acelerador e fomos embora da minha pequenina cidade, onde reinava o 1º estado do positivismo, não sei porque me lembrei disso agora.(risos)
Depois de meia hora conversando durante o trajeto, acabamos chegando em Sobral. Ele estaciona o carro em frente à praça da Coluna da Hora e nos dirigimos ao Beco do Cotovelo. Lá estava totalmente lotado do início até o final da calçada, por causa do clima super descontraído, que agradava até mesmo a alta sociedade da população sobralense, representada, principalmente, pela família dos Ferreira Gomes, dos quais era o prefeito da cidade na época. A lanchonete se tratava da mais famosa da região, Beth's lanches. Tudo isso eu descobri durante uma conversa com Henrique durante o trajeto.
Logo, fomos falar com um garçom para arranjar um lugar para nós.
-Pera aí que eu vou arranjar um lugarzim bem bom para o senhor e sua namorada-fala o simpático garçom
Eu fiquei esperando o Henrique falar a verdade, mas ele não disse nada. Em seguida, o garçom levou uma mesa de plástico até o final daquela calçada e colocou à mesa em frente à parede em um lugar bem mal iluminado e nos sentamos, eu do lado da parede e ele em frente à ela. Ele entrega o cardápio para nós dois.
-Eu vou querer um sanduíche Bauru com cerveja e ela vai querer um refrigerante e...Larissa, você vai querer o quê?
-Um sanduíche de carne de sol no pão árabe, por favor
-Anotado e qual é a marca da cerveja que o senhor vai querer?
-A mais barata qual é?
-Skin, R$1,5, o senhor vai querer?
-Pode ser
-Ok, daqui a 10 minutos tá saindo o lanche de vocês-ele fala saindo-Com licença
-Henrique, por que você não falou a verdade sobre o "namorada"?-perguntei quase sorrindo encantada com os olhos dele verdes fixos em mim
-Ah-ele fala pensativo e depois quase que sedutor aproximando-se ainda mais de mim, me deixando com taquicardia
À princípio, eu nem conseguia responder nada de tão nervosa, mas depois me recompus:
-Henrique, para com isso, você sabe que mexe comigo e você mesmo disse que o nosso amor era impossível
-Eu sei, mas hoje é um dia diferente, Larissa, poderíamos, só hoje, agir diferente, deixar esses chatos papéis de professor e aluna e fazer tudo o que a gente quisesse-ele fala-Hein, o que você me diz?
-Hum, deixa eu ver-disse isso pensando em Pedro, mas era uma oportunidade única e queria muito, mesmo que fosse para sair magoada-Tá bom
Logo em seguida, ele me beijou, no início, foi um beijo lento e calmo, mas logo foi começando a ficar mais quente, quando ele colocou as mãos em volta da minha cintura.
Aquele lugar escurinho só aumentava ainda mais o desejo de nos beijarmos, não sei quanto tempo desprendemos ora nesse trabalho árduo, ora respirando ofegante, mas sempre com certa cautela, porque, afinal, estávamos em um restaurante. Entretanto, de repente, ouvimos um pigarro, era o garçom que chegava nos interrompendo com a comida.
-Com licença
-Pois não-diz Henrique
Após alguns segundos, ele sai nos deixando sozinhos.
-Acho que foi uma péssima ideia ter pedido comida-ele fala olhando para mim de uma maneira sedutora
-Ei, eu tô com fome-falei me fingindo de zangada
-Eu sei-ele fala me olhando atentamente-Mas aí você vai se encantar pela comida e não vai me beijar
-Depois de comer, eu vou ter todo o tempo do mundo para te beijar, meu amor
-Pera aí, do que você me chamou?-ele falou estranhando, mas, ao mesmo tempo, achando engraçado
-Nada não, Henrique-falei envergonhada
-Eu ouvi bem, você me chamou de meu amor-ele fala sorrindo
-Você também chama seus outros alunos de meu amor, não chama?
-Hum tá bom-ele fala sorrindo e em seguida me dá um beijo na bochecha-Você é muito fofa
Logo depois, ele se volta para seu sanduíche objetivando comê-lo.
Depois de termos terminado os sanduíches, ele logo chama o garçom para levar os talheres e os pratos.
Logo que ele sai, ele me vem com uma proposta:
-Agora que meu amor está bem alimentado pode voltar a me beijar?
-Agora sim-eu falo tomando a iniciativa de beijá-lo
-Ah, Larissa, Eu queria tanto ter nascido uns 17 anos antes-ele fala durante o beijo
-Por quê?-falei e, em seguida, coloco minha língua em cima da dele
-Para poder sair com você às claras, ter tido a chance de me declarar para você e, se você dissesse que sentia o mesmo, nunca mais te deixaria
-Hum, também não te deixaria-falei beijando o pescoço dele com carinho e continuei alguns segundos depois olhando nos olhos dele-Isso é tão lindo, mas tão utópico
-Sim, de fato, nós temos muitos impedimentos, mas eu não quero pensar nisso hoje
-Sei que vou estar sendo chata perguntando isso, me lembrei disso agora, mas é que eu fico insegura com você me dizendo essas coisas, você não ama mais a sua esposa?
-Amar é uma palavra muito forte, mas eu gosto muito dela, o problema é que o nosso casamento caiu na rotina, depois de 8 anos, ela só pensa em ter filhos, filhos...-ele fala e se retífica-Não que eu não queira ter filhos, não é isso, mas é que isso meio que esfriou. Bom, acho que estou dando detalhes demais, você deve estar entediada
-Não estou, e se você não a ama, por que ainda está com ela?
-Ah, Larissa, eu não sei, talvez por comodismo. Agora, vamos mudar de assunto, vamos aproveitar hoje-ele fala me beijando
Mas eu não conseguia deixar de pensar nisso, eu queria tanto que ele deixasse ela para ficar comigo, mas também não queria alimentar falsas esperanças. Queria perguntar se ele era capaz disso, porém fiquei com medo de ele receber um não bem na cara.
Passou o tempo, conversamos e nos beijamos muito quando um garçom nos roubou a atenção:
-Senhores, já vamos fechar
-Meu Deus, mas já!-exclamei preocupada-Que horas são 1:15-respondeu o garçom ao olhar no relógio
-É melhor nós irmos embora logo, Larissa-diz Henrique
-Claro, que horas que eu vou chegar em casa.
Logo, entrei no carro junto com Henrique e ficamos conversando mais um pouco ao longo do trajeto.
Depois de mais ou menos, 25 minutos de estrada, cheguei em casa e se aproximava o momento mais difícil da noite: a despedida.
-Bom, Larissa, acho que é isso, desculpa pelo horário, mas, de qualquer forma, espero que você tenha gostado da noite
-Sim, eu gostei muito-e para não tornar aquilo mais difícil, quis encerrar logo aquilo-Até mais, Henrique
Em seguida, tristemente dei um beijo em seu rosto. Assim que entro em casa, tomo um susto com a pessoa que vejo.
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Não quebre meu coração!
RomanceClarisse é uma mulher de meia-idade que tem um passado sofrido por ter sido abandonada pelo pai aos 5 anos, tendo que conviver com a mãe sempre falando mal dele. Somado a isso, ela foi deixada pelo grande amor de sua vida, relação que lhe rendeu mág...