Capítulo 48-O aniversário do professor

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Agora com as palavras do professor, Liana se sentia na obrigação de fazer esse trabalho. Assim, dizendo para si mesma que era questão de profissionalismo, comprometeu-se a fazer o trabalho pelo bem de seu futuro, só que, no fundo de seu âmago, ela estava curiosa para ver como Guilherme vivia.
Liana estava tão absorta em seus pensamentos que não se dá conta de que há um casal na sua frente.
-Oi, oi-fala a garota
-Hã? Oi Eu Tava tão pensativa, desculpa-fala Liana sorrindo sem graça
-Percebi, você é a novata, Liana, não é?
-Sou sim
-Eu sou a Gaby e esse é meu namorado, Felipe
-Nossa que sorte a de vocês, cair no mesmo grupo
-Verdade-responde Gaby
-Eu é que não tive tanta sorte de cair no mesmo grupo que aquele Guilherme-Liana fala com raiva
-Ah, Eu vi você discutindo com ele quando cheguei-Felipe comenta-Você tem algo contra ele?
-Tudo, mas isso é uma longa história
-Ok, a gente combinou de fazer o trabalho na casa dele no sábado, tudo bem para você?
-É, fazer o que, né
-Então, combinado
Passado alguns dias, era sábado e Liana se preparava para ir à casa de Guilherme. Léo é que estava indo deixá-la, pois o pai alegava trabalho, mas, na verdade, estava se dedicando aos afazeres extra-domésticos.
-Liana, toma cuidado, assim que terminar, me liga
-Tá bom, ai, Léo tá parecendo o pai-retruca a adolescente
-Essa é a intenção
-Acho melhor você cuidar da sua mulher e do feto
-Vou fazer isso agora
-Então, vai, tchau, irmãozinho-fala Liana dando um beijo na bochecha do homem e sai do carro
Ela toca a campainha em frente a um grande portão de ferro branco. Uma senhora que aparentava uns 50 anos veio atender. Ela vestia um uniforme preto com branco que lembrava o que Jarilene, personagem de Tom Cavalcante, vestia, fazendo a jovem dar um risinho ao vê-la.
-Bom dia, eu me chamo Liana, vim fazer um trabalho da escola com Guilherme
-Ah, sim, querida, ele está esperando os amigos na sala de cinema, acompanho você até lá
Ao entrar na sala, a garota percebe que ele estava distraído, ajeitando algumas coisas, até que a mulher anuncia a presença de Liana.
Ele a olha com um quê de surpresa, provavelmente imaginando que ela não viesse, depois ele volta seu olhar à governante.
-Certo, Adelaide, pode se retirar
-Com licença-ela fala saindo
-Nossa Senhora, não imaginei que viesse
-Nem eu, mas eu faço de tudo pelos meus estudos
-Sério? Você não tem cara de nerd, é bonita demais para isso
Liana faz uma expressão de nojo para ele e logo após pergunta:
-Cadê o pessoal?
-Ainda não chegaram, você foi a primeira
-Fui, é?
-Estava ansiosa para me ver, não é?-ele dá um sorrisinho sarcástico
-Quer parar com as suas piadinhas insuportáveis?-bradou Liana-Eu não aguento mais, você enche o saco
-Tá bom, parei, mas, pelo visto, você não tem senso de humor
-Eu tenho, só não gosto do seu estilo de humor
-Ainda vou te fazer rir um dia-ele fala sorrindo-Mas por hora, já que outros não chegaram, quer que eu te apresente minha casa?
-É, pode ser-Liana faz uma expressão de tédio, seguindo-o
Eles começam o tour pela casa, saindo da sala de cinema, que dava para um grande salão, onde havia uma mesa, rodeada por 12 cadeiras, sob um lustre lindíssimo. Ao lado havia uma cristaleira, em que havia várias louças, as quais a jovem presumiu ser porcelana chinesa.
-Aqui é a sala de jantar, onde raramente meus pais chamam o resto da família. Por isso, tem tantas cadeiras
Depois de andarem mais ou menos uns 30 passos, eles chegam a sala de estar, onde havia uma televisão de 80 polegadas, um sofá bem grande, com uma mesa de centro, na qual existiam alguns itens de decoração. Em frente a tudo isso, ficava uma escada com um corrimão dourado, com um balaústre de vidro que mais parecia de cristal.
Após uma breve explicação sobre o cômodo, os dois seguem para o andar de cima, encontram um lindo salão cujo piso era tão brilhante que refletia a luz do sol que entrava pelas janelas. Esse cômodo dava para um corredor de quartos. Depois de mostrar vários quartos, com exceção do dele e o dos pais, ele fala:
-Vamos ver agora a melhor parte da casa, meu quarto
A alcova dele era toda nas cores preta, branca e verde. Ao lado direto da cama, uma mesa com um MacBook prata e uma cadeira preta. Do lado esquerdo, havia uma guitarra, o item do quarto que mais chamava a atenção de Liana, porque ela era fascinada por algumas bandas de rock.
-Nossa, você tem uma guitarra, toca uma música para mim?-o tom dela se torna doce
-Só se for agora-ele fala colocando a guitarra em volta do corpo e, em seguida, começa a tocar uma palinha da música "Smoke on the water", do Deep Purple
-Ai gostei-fala Liana sorrindo quando ele termina
-Sabia que você fica linda assim sorrindo?-ele retribui o sorriso, galanteador
-Ai, cara, essa cantada é tão cafona-Liana fala em tom de deboche-Seus pais não te ensinaram que é muito chato para uma mulher ficar ouvindo cantada o tempo todo?
-Meus pais não me ensinaram porra nenhuma, tudo o que eu sei aprendi sozinho ou com a Adelaide-seu tom de voz se torna triste-Meus pais são médicos, trabalham demais e nunca me dão atenção
-Sinto muito, não queria te chatear-fala Liana com uma expressão também triste
-Não, tudo bem
-Olha, se serve de consolo, eu sei um pouco de o que é estar na sua situação, esse ano, minha mãe saiu de casa e foi morar com o amante, um professor da época de colégio por quem ela era apaixonada e já faz 1 mês que eu não vejo ela, eu odeio o fato de ela ter preferido o amante a mim
-E seu pai?
-Depois que ela saiu de casa, também se fechou no trabalho, agora trabalha até de final de semana, acho que é porque estar comigo faz ele lembrar a falta que ela faz, morro de saudade da época em que nós éramos uma família feliz, meu pai, minha mãe, meu irmão Léo e eu, a pequeninha-Liana lembra com nostalgia-Meu pai sempre tinha tempo para ficar com a gente, almoço em família era algo sagrado, agora meu pai só quer saber de me dar dinheiro para almoçar fora sozinha
De repente, Adelaide entra no quarto avisando que Gaby e Felipe haviam chegado.
-Vamos lá fazer o trabalho-diz Guilherme pensativo saindo do quarto
Assim, começaram a pesquisar bastante sobre a democracia ateniense, período em que ocorrera, seu início com Clístenes, organização social da época em que vigorava, suas limitações, as reformas pelas quais passou para se desenvolver, com os ilustres Sólon e Drácon, comparar a democracia brasileira com a ateniense, entre outras abordagens. Dessa forma, decidiram que Guilherme iria fazer os slides, já que o trabalho estava sendo feito no MacBook dele e o resto da equipe iria dividir os temas entre si.
Depois de muito cansaço, por volta das 6 horas da tarde, eles decidiram continuar apenas na segunda à noite para darem os últimos retoques do trabalho e ensaiarem. Dessa forma, assim que terminam o que fariam naquele dia, eles foram embora de moto, tendo que Liana ficar sozinha de novo com Guilherme, esperando Léo ir buscá-la.
Os dois combinaram de ir para o quarto escutar música e para ele ensiná-la algumas técnicas para tocar guitarra.
-vamos lá-ele fala colocando a guitarra no colo de Liana e logo a posiciona para ser tocada
Em seguida, o jovem senta-se ao lado da moça, mentoreando-a.
-Você põe esse dedo aqui e outro aqui
-Assim?
-Sim, toca aí
Ela passa os dedos pelas cordas, mas o som não parecia nada agradável aos ouvidos.
-Porra, eu sou péssima
-Calma, essa é só sua primeira vez, vamos tentar de novo-ele fala e, em seguida, diz-Espera, deixa eu ver se não tem nada de errado
Ele se ajoelha no chão, em  frente a ela, observando Liana segurando a guitarra.
-Acho que ele tem-fala se aproximando de Liana lentamente, enquanto segurava suas mãos, mudando-as de lugar e, em seguida, rouba um beijo de Liana.
De início, ela resiste, mas, aos poucos, vai se entregando àquele beijo intenso, tanto que, lentamente, ele vai colocando sua língua na boca dela, até que ela se desvencilha dele, dando um tapa no braço do casanova.
-I-isso é assédio, nunca mais faça isso-Liana fala fingindo estar com raiva e afasta-se dele com um sorrisinho no rosto, odiando-se por isso.
De repente, Adelaide entra no quarto apressadamente para avisar que o irmão de Liana já havia chegado para buscá-la.
Um momento oportuno para a moça ir embora rapidamente, como uma donzela assustada que fugia com medo do amor. Essa situação não combinava nada com ela, estava em uma situação que ora queria rir de si mesma, ora se odiar por ter se deixado ceder ao beijo.
Assim que ela sai, Guilherme manda uma mensagem, via WhatsApp, para Gaby.
Gui:Gaby
Gaby:q é
Gui:ela acabou de sair, eu dei um beijo nela, mas depois ela me deu um tapa, disse q eu tava assediando ela. Será q ela n gosta de mim?
Gaby:provável né amigo
           N insiste muito, ninguém gosta de gente muito grudenta
Gui:Eu sei, mas vc n pode perguntar pelo menos o pq de ela n gostar de mim
Gaby:n sei, eu conversei só o trivial com ela e ela me parece ter uma personalidade forte, n acredito q se abriria pra qualquer um
Gui:mas tenta pelo menos, faz amizade com ela
Gaby: tá, vou tentar, mas n garanto nada
No dia seguinte, Clarisse acorda mais cedo que o comum, às 4:30, uma hora antes de Marcelo para preparar uma surpresa. Porém, antes ela decidiu fazer seus afazeres domésticos convencionais, porque, pela manhã, ela teria muito trabalho para preparar outra surpresa para ele. Então, assim que saiu da cama, ela foi até o roupeiro do banheiro e tirou toda a roupa suja para lavar, até chegou em uma camisa social dele que sempre achava que Marcelo ficava bastante atraente. Logo, não resistiu ao impulso de cheirá-la, sentindo o aroma perfume que ele sempre usava para ir trabalhar, um com toque amadeirado, misturado ao cheiro de sua pele, o qual estava bem presente na memória olfativa de Clarisse devido ao mês que completaram, passando o tempo juntos sob o mesmo teto, conhecendo ainda mais os corpos um do outro.
-Ahh-ela suspira ao reconhecer o cheiro característico do amante-Eu amo tanto o Marcelo, hoje ele completa 54 anos de existência, ai seu cheiro é tão bom, espero passar o resto da minha vida ao seu lado
Após uns 5 minutos usando o sentido olfativo, ela percebe que tem que se apressar para colocar as roupas na máquina de lavar e preparar o café da manhã do amado.
Depois de fazer tudo isso com muito carinho, pensando sempre em Marcelo, ele surge na cozinha com o cabelo todo desgrenhado, olhos pesados de sono e usando apenas uma calça azul xadrez de pijama, estando com o peito musculoso desnudo, mesmo assim Clarisse o achava lindíssimo.
-Ah, amor, você tá aqui-ele fala quase bocejando
-Bom dia, amor, feliz aniversário!-fala Clarisse com as mãos sujas de farinha de trigo
-Bom dia-ele fala puxando-a para um beijo no qual ela passa os braços em volta do seu pescoço, tomando cuidado para não sujá-lo
-O que você tá preparando aí?-ele fala soltando-a suavemente
-Surpresa!-exclama a mulher-Quando tiver pronto, você saberá
Ele sorri para ela com curiosidade.
-Bom, então, eu vou tomar banho para ir trabalhar agora-ele fala indo em direção ao quarto
-Tá bom, quando estiver tudo pronto, te chamo-ela retribui o sorriso
Enquanto na escola onde Liana estudava, está chega na classe para mais um dia de aula, após acomodar-se em uma cadeira, observa de soslaio Gaby, Felipe e Guilherme conversando e pareciam estar se divertindo, queria participar também, mas seu orgulho era maior, sempre eram suas amigas na escola em Recife que vinham conversar com ela. Mas quando ela menos esperou, Gaby e Felipe foram para perto dela para conversar com ela, cumprimentando-a.
-Sempre te vejo assim sozinha. Se quiser, pode andar comigo e com o Felipe
-Gaby, obrigada, mas prefiro não ficar de vela
-Vela, que é isso, não é como se a gente ficasse se pegando loucamente no pátio-Gaby fala em tom de deboche, enquanto o rapaz fica com as bochechas rosadas-Nós estamos no colégio e aqui é proibido o namoro. Então, pode ficar despreocupada quanto a isso, te faço mais uma vez o convite, passe um tempo com a gente para nos conhecermos melhor
-Tá, vou pensar no seu caso
Já no apartamento de Marcelo, ele tomava o café da manhã com sua amada, a mesa estava bem farta.
-Amor, essa panqueca está deliciosa
-Obrigada, eu fiz com muito carinho. Por isso, deve estar gostosa
-Desse jeito, eu tô criando altas expectativas para esse dia
-Ai, amor, desculpa, eu sei que hoje é seu aniversário, mas eu não preparei nada de especial para hoje, eu não conheço nada daqui-fala Clarisse simulando uma tristeza
-Tudo bem, amor-ele fala colocando suas mãos sobre as dela-A gente pode sair para comer alguma coisa hoje à noite
-Não, vamos ficar aqui em casa mesmo, assistindo alguma série, abraçadinhos-ela fala a última palavra afinando a voz
Ele dá de ombros, mas, para não chateá-la, fala:
-Tá bom, como quiser, mas agora eu já vou indo que já são 6:40-ele fala se levantando, pegando sua pasta e saindo para trabalhar
Na hora do recreio, Liana sai com Gaby e Felipe para o refeitório. Após comprarem seus lanches, os três sentam-se em a uma mesa e comem enquanto conversam.
-Liana, você já notou o jeito que o Guilherme te olha?-Gaby começa o assunto
-De que jeito? Acho que ele me olha normal
-Eu digo assim porque eu conheço ele há muito tempo e eu nunca vi ele insistir tanto numa menina
-Ótimo, pois diga que para o seu amigo parar de insistir porque ele só tem a perder com isso-Liana fala em tom de deboche
-Nossa, Liana, não é recíproco?
-Claro que não, eu... eu.. eu não gosto do jeito dele, ele me trata como se eu fosse um pedaço de carne, além do fato de ele ter sido xenófobo com aquele menino
-Com o Davi? Guilherme me contou que você não gostou do que eles conversaram, mas acredito que era brincadeira porque o Davi é primo do Guilherme
-E daí que é primo, não faz diferença e você tá querendo dizer que eu tô ficando doida que eu não vi algo que eu não vi?-Liana sorri tentando não parecer grosseira para não magoar Gaby
-Não, estou dizendo que você pode ter se confundido, isso acontece com todo o mundo e fica tudo bem
Assim, o dia ocorreu sem mais nada de diferente para Liana, apenas aulas nas quais Liana tentava se concentrar arduamente, sem pensar na separação dos pais ou em Guilherme. As duas situações a deixavam extremamente triste, a primeira por ser assim em si e a outra, porque Liana se culpava por sentir atração por um cara daquele tipo, além do fato de ele se oferecer o tempo todo a entediar. Nesse instante, Liana se lembrou do seu primeiro beijo aos 14 anos, quanto tempo demorou para acontecer desde o dia em que se conheceram até ser pedida em namoro para, depois tudo perder a graça e Liana terminar com ele. O que Liana realmente lutava contra era o seu irracional desejo por Guilherme, que aparentemente não tinha nada a ver com amor ou algo do tipo, estava extremamente confusa. A questão era se deveria se entregar a ele, sem o mal conhecer ou esperar pelo amor de sua vida? Além de tudo, será que isso seria normal para uma garota?
Por volta das 4:30 da tarde, Clarisse sai de casa para buscar Marcelo. Ela estava muito ansiosa, perguntando-se se ele realmente iria gostar disso, mas, mesmo assim, decidiu fazer, algo lhe dizia que sim. Ela se arrumou toda para ir encontrá-lo, mas bem natural, como ela gostava de parecer. Ela vestia um macacão preto jogger com uns maxi colares, calçando uma sandália de salto em bloco rosa bebê.
Primeiramente, ela foi à recepção pedir informações e provar que o diretor da escola permitiu a ela aparecer assim para buscar um professor. Quando ela se dirigiu à sala informada pelo recepcionista, Clarisse deu uma olhadinha sorridente pela janelinha que havia na porta, fazendo os alunos cochicharem entre si.
Marcelo estava tão concentrado na sua aula estão concentrado na sua aula que nem se deu conta desse fato.
-O DNA é formado por uma base nitrogenada, uma pentose, que é um carboidrato com cinco carbonos e o grupamento fosfato. A pentose do DNA é a desoxirribose, bem intuitivo, só lembrar que DNA é sigla para desoxyribonucleic acid, suas bases nitrogenadas podem ser...
-Professor, desculpa atrapalhar sua explicação, mas é que tem uma moça na porta da sala-avisa uma aluna de cabelos escuros que usava óculos, sentada na frente.
Marcelo olha para janela e vê Clarisse linda e sorridente apenas para ele, não resistindo à tentação de ir lá cumprimentá-la e pedir que ela esperasse a aula finalizar.
-Sua esposa, professor?-pergunta um garoto no fundão
-Futura-ele responde com um sorriso que transitava entre o charme e a brincadeira
-Eita, professor-alguns comentavam-Aniversário dele e ele tá todo saidinho
-Achei muita areia pro seu caminhãozinho, professor-continuou brincando o garoto do fundão
-Pois não é, rapaz, só pode ser muito amor mesmo para ela querer ficar com um cara pobre, feio e lascado que nem eu, ainda mais professor-ele fala amatutando sua voz
-Foi esse seu sorriso lindo, professor-grita uma menina no meio da sala, fazendo sua amiga, sentada ao seu lado, morrer de rir
-Bora parar, gente, se concentrem agora que eu vou continuar a explicação e é bom eu terminar ela antes da prova de vocês porque ela vai cair nela de qualquer jeito-Marcelo coloca ordem na sala
Lá no corredor, Clarisse sentou-se no banco que havia ao lado da sala. Nele, ficou observando o pátio, as salas, os bancos, lembrando de sua época de estudante no colégio Coronel Luís Felipe, quando conheceu Marcelo, seu encantador professor de biologia. Reconheceu o quanto foi bom ter seguido seu coração e ter feito o que queria, passando por cima da ética, da moral e dos bons costumes para viver seu romance e do quanto ficou vulnerável, mais  precisamente quando ficou grávida de Léo. Mas agora tudo tinha valido a pena, estava com quem ela queria, caminhando para ser do jeito que ela queria. Lembrou-se do seu primeiro beijo no pátio, de como ela se sentia estranha com o frenesi do primeiro amor e de quando quase perdeu a virgindade com Marcelo na mesa de professor da sala, quando o carrasco professor de matemática, Élis, entra na sala e viu tudo para depois chantagear o biólogo com dinheiro para não chantagear a diretora. Mas mesmo com as lembranças tristes, as felizes predominavam.
De repente, o som de Marcelo fechando a porta, tira-a do fluxo de lembranças.
-Clarisse, o que te deu em vir aqui me buscar aqui hoje?-Marcelo sorri com os lábios ao vê-la, mas a expressão de surpresa ainda vigorava no seu olhar
-Hoje é seu aniversário, queria fazer uma surpresa. Mas por quê? Você não gostou?
-Eu gostei, é que estou realmente surpreso, ver você aqui... numa escola
-Eu sei, eu sei, eu até tava relembrando algumas coisas, foi numa escola em que a gente se conheceu, eu era uma menina muito levada, sua aluna, lembrei do nosso primeiro beijo no pátio da escola depois da aula-Clarisse fala quase chorando de emoção e faz uma pausa para falar novamente-Lembrei até que a gente quase já transou na escola
Clarisse faz uma cara sexy, colocando o dedo indicador na boca, fazendo Marcelo cair na gargalhada.
-Clarisse, você é doida
-Por você-fala Clarisse inclinando-se para beijá-lo, mas ele se afasta
-A gente não vai se beijar no meu local de trabalho-ele fala sorrindo triunfante-Eu não beijo mais minhas alunas no corredor
Clarisse o olha com uma expressão que mesclava dúvida e ciúme, apesar de ter consciência de que era uma brincadeira dele.
-Sabe por quê?-ele a observa de forma sedutora
-Por 3 motivos: porque isso é antiético, desde que a Angra nasceu, quero ser um bom profissional e terceiro e mais importante: não encontrei uma aluna tão especial quanto você
-Ai, que lindo,Marcelo!-exclama Clarisse com um sorriso de menina travessa e fala com olhos pedintes-Quero te beijar
-Então, vamos logo para o carro-ele fala puxando Clarisse com delicadeza para eles saírem da escola

Não quebre meu coração!Onde histórias criam vida. Descubra agora