Era o Henrique. Deixando sua bolsa em cima da pia, ele tira a blusa, mostrando seu peitoral todo musculoso. Com essa cena, começou a me faltar o fôlego, mas eu tinha que aguentar. Como aquele homem podia ser tão perfeito? Mas logo me recompus, ele era meu professor, eu não podia pensar isso dele. Entretanto, se eu já passei mal só com a camisa, imagine com o que estava por vir agora.
Em seguida, ele começou a tirar o calção, ficando apenas de cueca! Virei o rosto para não ficar pensando besteiras. Vi por apenas alguns segundos, mas foram poucos segundos de desejo, porque logo veio a vergonha por estar pensando nele dessa forma.
Quando eu o olho novamente, estava saindo, finalmente estava sozinha e podia ir embora.
Assim que saí, um grupo de meninos da minha sala que estava conversando me viram saindo daquele banheiro.
-Gente, olhem, é a Larissa saindo ali do banheiro masculino-grita um deles
-Que é isso, Larissa, decidiu virar homem agora?-outro pergunta
-Eu nem preciso, mesmo sendo mulher sou mais homem do que vocês-falei com soberba
De repente, todos começaram a cantar uma música antiga, debochando de mim.
-Larissa masculina, mulher macho, sim senhor
-Idiotas-gritei indo embora, apressadamente, em direção à saída da escola
Chegando em casa, fui fazer meus deveres, caprichei na tabela para o Henrique, achei tão interessante como seres tão pequeninos têm formas de locomoção diversas, o que me fazia, cada vez mais, interessar-me pela biologia.
Depois de jantar, fiquei algum tempo assistindo televisão, novelas que tratavam de histórias de amor impossíveis, barracos e armadilhas.
Com sono, fui me deitar. Era tanto sono que eu me esqueci de rezar, como fazia costumeiramente.
Naquela noite, sonhei que era a mulher do vídeo pornô que Pedro me mostrara e o pior de tudo, o homem era o professor Henrique. Estávamos sozinhos em um quarto, ele apertava minha cintura com força enquanto me beijava com luxúria. Depois, me põe em seus braços me levando até a cama para me fazer sua mulher, arrancando minha roupa com ferocidade, ardendo de desejo.
Acordei chorando com a consciência pesada, sentindo-me suja, promíscua, enfim, uma qualquer. A minha angústia era enorme, como poderia me redimir desse pecado?! Comecei a gritar chorando feito uma histérica, rezando o Pai Nosso, mas eu não conseguia, estava nervosa demais, aquele sonho havia deixado uma mácula muito grande em minha memória.
De repente, minha mãe entra no quarto.
-Que gritos são esses?-ela fala assustada ao entrar
-Tive um pesadelo-falei chorando copiosamente
Ela me abraça calorosamente contra seu peito, era difícil ver minha mãe carinhosa assim, mas eu sabia que ela me amava à sua maneira.
-Oh, minha criança, como foi o pesadelo?
Gelei, eu, de jeito nenhum poderia contar sobre isso, o que ela poderia pensar sobre mim? Precisava pensar em uma desculpa.
-Que foi? Não quer contar?-ela perguntou
-É que...que eu sonhei que a senhora tinha morrido-falei angustiada
-Oh, meu Deus, foi só um pesadelo, mamãe tá aqui-ela beija a minha testa-Quer que eu durma aqui com você?
-Não precisa, mamãe-falei
-Então, eu já vou, tenta voltar a dormir, viu, amanhã cê tem aula-ela fala desvencilhando-se de mim-Boa noite, filha
-Boa noite
Depois que ela saiu, me vieram várias lembranças do Henrique e o sonho que eu não queria reviver. Poxa, ele era meu professor e ainda era casado, eu não posso agir como uma ninfeta batata. Mas será mesmo? Será que eu estou apaixonada...apaixonada por ele?
Não, não, não, eu estou só confundindo as coisas.
Rezei um pouco e voltei a dormir, finalmente um sonho tranquilo e puro, o ideal para uma menina da minha idade.
Digo isso porque eu ainda não conhecia os princípios da psicanálise freudiana.
Passado o domingo, na segunda, pela manhã, fui à escola, a 4 aula era de Henrique. Ele agia normalmente, diferentemente de mim, que estava estranha por causa do sonho.
-Bom dia, pessoal-ele inicia-Antes de começarmos a aula, gostaria que vocês me entregassem a tabela que eu passei como dever de casa.
Assim, destaquei a folha, onde a havia feito, do meu caderno, cortei o excesso de de papel, esperando ele passar na minha carreira. Entretanto, eu estava sentado na fileira do meio, então, iria demorar um pouco.
Logo, ele passa na carteira da Hortênsia, mas ela não havia feito a tarefa, o que me deixava muito satisfeita, se não tivesse tido aquele sonho estaria feliz da vida, porque ela iria perder muitos pontos com ele.
-Me dê sua agenda, Hortênsia-ele fala sério
Ela entrega normalmente, como se deixar de fazer um dever não fosse algo tão errado, então ele carimba a agenda dela.
Alguns minutos depois, chegara minha vez, eu estava tão nervosa com a presença dele, se ele soubesse que eu já tinha visto ele só de cueca e que tinha tido um sonho erótico com ele ...., acho que nunca mais olharia na minha cara e nossa amizade tão linda, acabaria.
-E aí, Larissa, tudo bem?-ele fala sorrindo, todo simpático
-O-oi, professor-falei gaguejando um pouco e um tanto sério
-Você fez a tarefa?-ele fala com uma expressão de preocupação
-Fiz-disse de maneira austera entregando a folha a ele
-Tá tudo bem?-ele pergunta preocupado
-Tá
-É que você tá tão...distante comigo, você não estava assim ultimamente
-Eu não sei porque pensa assim, estou agindo normalmente-falei me fazendo de desentendida
-Mais tarde a gente conversa-ele fala indo para próxima carteira
Nesse momento, eu me culpava: "Nossa, como eu sou idiota! Agora ele tá chateado comigo, eu não queria tratá-lo assim"
-Bom, gente, eu não gostei nada disso, quase a metade da sala deixou de fazer o dever. Desse jeito, vocês estão se prejudicando, pois fazer essas atividades é uma forma de vocês aprenderem e exercitarem o conteúdo. Portando, da próxima vez, quero ver todos fazendo a tarefa. Finalmente, vamos começar a aula. E hoje falaremos sobre as algas, esses seres tão parecidos com as plantas, mas que não as são, porque apresentam grandes diferenças, as plantas formam tecidos verdadeiros e as algas não, plantas apresentam matotrofia, que ocorre quando a planta mãe fornece nutrientes ao embrião, enquanto as algas possuem outro processo de desenvolvimento no que tange a essa questão. Depois dessa breve explanação, vamos, de fato, para a matéria. Lembrando que as algas são seres protistas, eucariontes, podendo ser uni ou pluricelulares e são autotróficos fotossintetizantes. Elas são fundamentais para a manutenção da vida na Terra porque liberam grande quantidade de oxigênio para a atmosfera. Além disso, são consideradas como os principais seres produtores dos ambientes aquáticos. Elas podem viver em ambientes terrestres úmidos e aquáticos de água doce ou salgada. Apesar de algumas delas se parecerem com plantas, as algas não apresentam folhas, caules ou raízes, demonstrando a ausência de tecidos verdadeiros. Assim, elas são organismos bem mais simples do que as plantas. Em se tratando de reprodução, podemos perceber que elas podem se reproduzir de forma assexuada e sexuada. A reprodução assexuada pode ocorrer das seguintes formas: por divisão binária em algas unicelulares e fragmentação em algas filamentosas que são as também chamadas pluricelulares. Existem ainda algumas algas multicelulares que produzem células flageladas, os zoósporos, as quais se reproduzem por zoosporia. Porém, a maioria das algas se reproduz de modo sexuado por fusão celular, conjugação e alternância de gerações. No que tange à classificação taxonômica, as algas são divididas de acordo com o pagamento que possuem. Primeiro filo que vou colocar aqui para vocês é o Chrysophyta. O filo Chrysophyta compreende as algas douradas ou crisofíceas e as diatomáceas, as quais habitam ambientes de água doce ou salgada.
De repente, o sinal toca e Henrique tem que ir embora.
Mais tarde era aula experimental do Henrique. Chego atrasada, porque estava decidindo se ia ou não, mas minha mãe me obrigou, se ela soubesse... Ele estava corrigindo nosso dever de casa, mas parecia preocupado com outra coisa
-Professor-falei sem jeito ao ver que ele não havia notado a minha presença
-Oi, Larissa -ele fala surpreso e logo sorri-Pensei que você nem vinha hoje
-Pois é, é que tive um probleminha e me atrasei um pouco-falei
-Então, vamos lá, né-ele fala se levantando-Está preparada?
-Sim-falei desanimada
-Hoje nós vamos extrair o DNA de uma planta-ele fala-Vou te dar os comandos e você vai fazendo, Okay?
Ele me entrega um saco transparente com os morangos.
-Amasse os morangos dentro da sacola, isso se chama maceração
Assim eu fiz.
-Isso foi para quebrar a parede celular, agora nós vamos fazer a solução de lise para romper a membrana plasmática das células-ele continua-Misturando detergente, água e sal
Seguindo as recomendações dele, eu peguei um béquer e enchi com 150 mL de água. Em seguida, adiciono uma colher de chá de sal e uma colher de sopa de detergente neutro.
-Mexe lentamente para não fazer nenhuma espuma. Agora despeje 50 mL disso no macerado de morango.
Depois disso, ele me receitou que eu colocasse a solução na incubadora à 70 °C em banho maria objetivando que acontecesse desnaturação das proteínas. Após isso, era a etapa da filtração, eu tive que passar a mistura em filtro de café.
-Agora, pegue um tubo de ensaio e coloque 10 mL dessa mistura
Eu fui pegá-lo, mas, na volta, quando estava voltando para mesa, algo que Henrique me disse informalmente me fez ficar nervosa.
-Nossa, tá quente aqui, né-ele fala sacudindo a blusa para arejar seu corpo
Isso me fez lembrar, também, do meu sonho, mas aí, na mesma hora, senti-me tão constrangida por isso que acabei derrubando o tubo de ensaio no chão, fazendo com que ele quebrasse em pequenos pedacinhos.
-Ah, meu Deus, me desculpa, professor-falei chorando enquanto me abaixava para juntar os cacos
-Larissa, está tudo bem? Me fala, o que está acontecendo?-ele pergunta enquanto me ajudava a limpar aquela sujeira
Quando terminamos, decidi perguntar:
-E o tubo de ensaio, quanto vou ter que pagar por ele?
-Não se preocupe, se eles derem falta de 1, eu mesmo pago-ele fala de maneira compreensiva segurando minhas mãos para eu me tranquilizar-Agora me fala, por que você tá assim?
Eu fico alguns minutos calada, sem saber o que dizer, eu com certeza não saberia mentir para ele e, se falasse, ficaria horrorizado comigo.
-Foi algo que eu disse que você não gostou?
-Não, de jeito nenhum, você sempre foi muito legal comigo. Na verdade, fui eu que agi mal-falei
-Comigo?
-De certa forma sim
-Então, me conta, o que foi que você fez?
Eu fico calada, acuada e com medo.
-Ai, Larissa, não fica assim, com certeza não foi algo tão grave-ele tenta me tranquilizar
-Foi sim-falei abaixando a cabeça com vergonha
-Mas me fala, por favor, eu prometo que não vou te julgar
-Ontem eu sonhei que nós nos beijávamos-falei rápido e logo virei a cabeça com vergonha de olhar nos olhos dele
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Não quebre meu coração!
RomanceClarisse é uma mulher de meia-idade que tem um passado sofrido por ter sido abandonada pelo pai aos 5 anos, tendo que conviver com a mãe sempre falando mal dele. Somado a isso, ela foi deixada pelo grande amor de sua vida, relação que lhe rendeu mág...