Passado dois dias, chegara o dia de descobrir o resultado do teste de DNA, que estava programado para sair às 11:30 da manhã daquele dia. Por causa disso, Clarisse estava bastante apreensiva, desde que acordara. Nesse momento, já eram 11:31, Marcelo acabara de chegar do trabalho, mas o resultado do teste não havia saído.
-E aí, amor? Nada ainda?-Marcelo fecha a porta do apartamento, deixando a bolsa no sofá
-Não, disseram que era para eles terem me mandado um SMS com o resultado às 11:30 e já são 11:32
Nesse momento, o homem senta-se muito próximo à mulher e, tomando sua mão, disse:
-Fica calma, meu amor, daqui a pouco, eles mandam, é normal atrasarem um pouco-Ele dá um beijo na bochecha de Clarisse, conseguindo extrair um sorriso dele e, logo, levanta-se
Ultrapassando o balcão de cozinha americana, ele anda anda até o fogão.
-E o que você fez pra nós hoje, meu amor?-ele abre as panelas que estavam vazias-Ou vamos ter que pedir quentinha hoje também?
-Vamos ter que pedir quentinha hoje também-Clarisse responde secamente
De repente, o celular de Clarisse bipa, era uma mensagem do laboratório, a mulher pegou o celular ansiosamente para ler a mensagem.
-Marcelo, deu positivo-exclama Clarisse radiante de felicidade-Ele é realmente meu pai
-Parabéns, meu amor-Marcelo se aproxima dela para beijá-la e abraçá-la-Que bom que você conseguiu realizar o seu sonho de ter um pai
Nesse instante, o celular dela toca, fazendo-a desvencilhar-se do namorado para atender:
-Você já viu o resultado, né?-começa Vargas-Quando você quer vir conhecer meu irmão? Ele tá morrendo de felicidade em saber que está a um passo de reencontrar a filha
-Pode ser esse sábado?
-Claro, o que você acha de um almoço em família no sábado?
-Parece ótimo
-Ótimo, então está combinadoEnquanto isso, na penitenciária, João Neto ainda estava na enfermaria, mas, a cada dia que passava, ela estava se recuperando fisicamente, os hematomas estavam sarando e seu maxilar tinha sido reencaixado à mandíbula. Entretanto, sua mente continuava doente, seu desejo de posse por Clarisse ainda era intenso.
De repente, ele acorda, após passar, por volta, de uma semana dormindo. Ele se levantava dizendo impropérios:
-Meu amor, Clarisse, eu já disse o quanto você está deliciosa hoje, isso, continua rebolando sua bunda grande e empinada
Nesse momento, uma enfermeira e um policial entram na sala, enquanto el continuava seu discurso ilógico:
-Agora, tira toda essa sua roupinha, primeiro o sutiã e depois, a calcinha, depois, vamos fazer um amor gostosinho
Ao ouvir isso, o policial tenta se segurar para não rir, pois era seu local de trabalho, mas ele não aguenta.
-Não ri, Hans-fala a mulher para o policial e dirigindo-se a João Neto, repreende-o-Seu João Neto, eu exijo respeito
-Desculpe, minha senhora, eu estava conversando com minha esposa Clarisse. Pera aí, mas cadê ela?-ele olha para um lado e para o outro, com certeza, tinha sido uma alucinação e, percebendo isso, começou a chorar-Clarisse, Clarisse, fica comigo, não me deixa
Em seguida, ele começou a bater a cabeça na parede, repetidas vezes, enquanto continuava chorando por Clarisse, numa terrível cena de surto psiquiátrico.
-Precisamos levá-lo para um hospital psiquiátrico agora-comenta o policial
-Vou acalmá-lo antes-disse a enfermeira saindo apressada e preocupadamente
Ao voltar, deu a João Neto uma injeção de tranquilizante, fazendo-o agir com movimentos letárgicos e, ajudando-o a deitar na cama, ele acabou voltando a dormir rapidamente.
Mais tarde, Clarisse estava, no seu apartamento, sem fazer nada, não tinha mais vontade de continuar a escrever, achou que aquele final estava bom, sem algo fixo, meio imperfeito, mas ainda não a agradava 100%, talvez fizesse outras modificações depois. Então, realmente estava entediada, até que se lembra do cartão que Paula havia lhe entregado e decide mandar uma mensagem para ela:
Clarisse:Oi, Paula
É a Clarisse
Podemos marcar de tomar café qualquer dia desses?
Paula:Oi, Clarisse
Claro
Estou com tempo livre agora, você pode vir neste momento?
Clarisse:Posso
Paula:Ótimo, então me encontre no Le Pain Le Café. Tudo bem para você?
Clarisse:Sim, estarei lá em 1 hora
Paula:Ok, eu também
Assim, as duas exs-arqui-inimigas foram se encontrar naquela cafeteria e no horário marcado. O lugar tinha o estilo dia cafés parisienses, bem aconchegante e, ao mesmo tempo, elegante. Havia mesas do lado de fora do café para as pessoas aproveitarem o iluminado sol de Fortaleza. Foi em uma dessas mesas que Clarisse esperava Paula chegar.
-E aí, Clarisse-fala Paula chegando e sentando-se à mesa em frente à nova amiga
-Oi, como você está?
-Vou bem e você?
-Também e aí...-Clarisse fala meio hesitante, mas continua-Eu te chamei aqui pra te pedir perdão por todo o ódio que eu sentia por você naquela época
-Tudo bem, é passado-fala Paula sorrindente, transbordando perdão-Mas eu sempre tive curiosidade sobre o porquê disso. Eu poderia ter chegado para você e perguntado: "Olha, por que você me trata assim, assado...", mas eu era orgulhosa demais e preferi deixar por isso mesmo, mas por que mesmo você tinha raiva de mim?
-Ah, dá até vergonha de falar-Clarisse revira os olhos pensativa-Era inveja porque você era rica, tinha vários amigos, uma vida perfeita que eu queria e, principalmente, porque eu era despeitada porque você tinha um pai e eu não
-Meu Deus, Clarisse!-exclama Paula sem jeito-Se você soubesse que a minha vida não era e nem é perfeita, acho que a vida de ninguém é perfeita, eu tinha um pai, mas ele não era presente, passava o dia todo trabalhando
-Ah, hoje eu sei disso
-Pois é, a sorte que eu tive foi que minha mãe pôde suprir a parte afetiva do meu pai, ela não trabalhava, então pôde se dedicar totalmente a mim
-É, naquela época era mais comum as mulheres não trabalharem e algumas acabavam sendo submissas
-Com certeza, hoje dou graças a Deus de poder trabalhar com o que eu gosto e na hora que eu não gostar do meu casamento, eu ter a possibilidade de sair fora
-Ah, você tá casada-comenta Clarisse
-Tô com um francês lindíssimo que conheci durante o meu mestrado que eu fiz na França e eu tenho duas filhas gêmeas lindíssimas também
-Quantos anos elas têm?
-1 ano e 7 meses-fala Paula com a alegria que as mães geralmente têm ao falar de seus filhos
-São bebezinhas ainda, você teve filho tarde, hein-comenta Clarisse, mas, ao perceber que isso poderia ser ofensivo, retificou-se-Não é uma crítica, eu apenas acho diferente da minha realidade, já que tive meu filho com 18 anos e minha filha com 23 anos
-Não, tudo bem, todo mundo na minha família achou que eu não teria mais filhos com 37 anos e se surpreenderam ainda mais quando virem que eram duas e olha que eu não fiz tratamento nenhum pra engravidar, eu simplesmente parei de tomar a pílula e meu óvulo dividiu-fala Paula e mudando de assunto-E quantos anos têm os seus filhos?
-O meu mais velho, Leonardo, vai fazer 22 anos no começo de março agora, dia 5 e a minha filha caçula vai fazer 17 anos no final do ano, dia 13 de novembro
-Os dois têm nomes com "L", legal, Leonardo e Liana, parece nome de dupla sertaneja-brinca Paula
Clarisse dá uma risadinha.
-É verdade, eu gosto mesmo dessas coisas-fala Clarisse e mudando de assunto-E como é o nome das suas gêmeas?
-Melissa e Larissa
-Parece que você também gosta dessas coisas-comenta a mulher com o cabelo castanho mais escuro
-Sim, eu gosto-Paula sorri e buscando um novo assunto-Eu já te contei da minha vida amorosa, do meu francês e você, se divorciou do João Neto e agora é uma solteira independente e empoderada?
-Independente e empoderada sim, mas solteira não, eu tô com o Marcelo e sou muito feliz com ele-Clarisse sorri apaixonada ao lembrar dele
-Eu conheço esse Marcelo?-pergunta a amiga ao ouvir a maneira como a outra o citava
-Claro, é o Marcelo, nosso professor de biologia do ensino médio-Clarisse tenta fazê-la relembrar
-O Marcelo Santiago?-questiona Paula muito surpreendida
-Ele mesmo-responde Clarisse
-Que mundo pequeno, mas vocês se gostavam já daquela época ou só depois que se reencontraram?
-A gente não só se gostava daquela época, como a gente ficou junto naquela época
-Quer dizer que vocês eram amantes? Porque não sei hoje, mas, naquela época, ele era casado com a professora de química
-Eu não me orgulho disso, mas sim, era jovem e estava apaixonada por ele, então aceitei essa situação-fala Clarisse lembrando-se com tristeza daquela época
-Meio errado isso que ele fez com você. Mesmo que você concordasse com isso, eu não quero te ofender, eu sei que é uma palavra forte, mas isso que ele fez com você foi praticamente uma pedofilia
-Eu sei, mas ele mudou, aconteceu muita coisa na vida dele que fez ele mudar e, por isso, eu o perdoo. Além disso, ele não era de todo ruim, eu lembro que quando eu fui atropelada, naquela época, ele me doou sangue
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Não quebre meu coração!
RomanceClarisse é uma mulher de meia-idade que tem um passado sofrido por ter sido abandonada pelo pai aos 5 anos, tendo que conviver com a mãe sempre falando mal dele. Somado a isso, ela foi deixada pelo grande amor de sua vida, relação que lhe rendeu mág...