Capítulo 28-Livro

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Não pude acreditar na sua pergunta, fiquei pensando no que fazer, em como sair daquela situação, até observei a multidão, Henrique e sua esposa Roberta conversavam sobre minha humilhação pública até que o olhar de Henrique se encontra com o meu, ele me olha com uma expressão nostálgica que sempre fazia quando estávamos sozinhos, indecifrável. Entretanto, logo em seguida, ele puxa ela para eles irem embora logo.
-Larissa?-Pedro me olha tristemente, tirando-me dos meus pensamentos
-O-oi, Pedro, o que você disse?-perguntei confusão
-Você quer namorar comigo?
-Ah...sim-falei sem muita convicção
-Isso é um sim?
-Sim-falei tentando parecer natural
Ele se levanta sorridente e me puxa para um beijo cheio de língua que foi o pior beijo da minha vida até aquele momento porque eu não estava me sentindo à vontade com muitas pessoas me olhando, mas, mesmo assim, todos bateram palmas.
Algumas pessoas que estavam na multidão vieram me parabenizar, até alguns professores fizeram piada, menos o Renan que me olhou de soslaio com uma expressão carrancuda, como se eu tivesse cometido algum pecado.
Depois de toda aquela algazarra, ele foi me deixar em casa, no caminho, íamos conversando, eu já estava me preparando para dizer que eu iria dizer que disse sim apenas para ele não passar mais vergonha ainda, mas ele veio com um assunto que eu não tive coragem de falar a verdade. Depois, mudou de assunto, aí já não tinha mais jeito. Assim que nos despedimos, ele disse:
-Meu bem, deixa eu falar com a sua mãe?
-Falar o que com ela?
-Perguntar um negócio pra ela
Lá se foi eu tirar ela da máquina de costura para falar com ele, algo do qual eu me arrependo amargamente.
-Gostaria de pedir a mão da Larissa em namoro
-Ah, meu Deus, não é possível-reclamei
-É o que, rapaz?-pergunta minha mãe sem entender nada
-E-Eu-ele começa a gaguejar-Queria pedir a autorização para namorar a Larissa
-Ah é-ela fala surpresa-Teus pais já sabem?
-Não, eu pedi no colégio hoje, mas pretendo contar logo que chegar em casa
-Nem precisa-falei
-Eu deixo, mas tem uma condição, tu deve saber pelo pessoal da cidade que eu não tenho marido. Entonce, eu faço o papel dele. Por isso, quero adverti-lo para não encostar um dedo nela. Se q quiser ficar com ela, vai ter que esperar pra depois do casamento
-Ah, não, mãe, para que isso?-reclamei de novo
-Cala a boca, Larissa!-ela grita comigo e fala já mais mansa com ele-Já tá avisado, quer mesmo namorar com ela?
-Quero
-Certo, faço muito gosto, agora deixa eu voltar pra minha máquina que eu tô cheia de costura hoje
Logo depois de me despedir dele, também entrei.
-Mãe, por que falou nesse negócio de depois do casamento?!-falei desgostosa-Eu morri de vergonha
-Não te preocupa, eu sei o que tô fazendo, isso é para evitar que tu acabe como eu e também para testar ele. Se ele fosse um cabra sem vergonha, com a minha palestra, já tinha caído fora
-Continuo achando desnecessário
-Isso porque tá agindo como uma cabeça de vento, é preciso se dar ao respeito-ela fala e depois pensa um pouco-Mas não é tão burra, conseguiu conquistar um bom rapaz, branco, de família, não é rico, mas o que que uma moça pobre do interior como você pode esperar. Agora tem que ser esperta pra poder segurar o macho
-Obrigada pelo seu elogio, mamãe-falei com sarcasmo e fui para o quarto
No dia seguinte, depois da aula, Pedro ainda insistiu para que eu fosse almoçar com a família dele para me apresentar como sua nova namorada.
Eu já havia ido lá várias vezes, então já conhecia a casa dele de cor e salteado. Com certeza, era bem melhor que a minha, mas não era o luxo todo que era a casa da Hortênsia, que era filha do prefeito.
Chegando lá, os pais deles me trataram super bem, como sempre. O almoço era maravilhoso, tinha dois tipos de carne, arroz, feijão, macarrão, farofa, salada, vinagrete e purê de batata.
-A comida está deliciosa, tia Jana
-Obrigada, querida
A mãe dele cozinhava muito bem, tanto que eu acabei abusando um pouco da comida e me deu vontade de ir ao banheiro. Eu morri de vergonha, mas como era necessidade fisiológica, pela saúde, falei:
-Com licença, eu vou no banheiro retocar a maquiagem
Mas eu não estava maquiada! Depois de fazer o que eu precisava, voltei e percebi que eles estavam conversando sobre mim e pensei muito preocupada: "Meu Deus, será que eles estão me recriminando por que eu comi demais e agora estão pensando que eu sujei o banheiro deles?!"
Curiosa, me escondi atrás da coluna da sala que dava para a sala de jantar para ouvir a conversa deles.
-Eu jurava que você iria trazer outra moça-comentou a mãe dele
-Por quê?-ele pergunta
-Porque ela não é a moça ideal para você e também pensei que vocês fossem apenas amigos
-Calma, querida, deixa ele se divertir um pouquinho, é apenas a 1ª namorada dele, ele não é obrigado a se casar com ela-fala seu Mateu
-Mas eu não tô me divertindo, eu pretendo daqui a alguns anos, se tudo der certo, me casar com ela
-Não, filho, pelo amor de Deus, eu sei que você gosta muito dela, mas você tem que casar com uma moça com uma família bem estruturada e ela só tem mãe e, convenhamos, não é muito bem falada na cidade porque é mãe solteira, além do povo falar que ela tem um caso com o Gustavo da lanchonete.
Nesse momento, senti vontade de chorar, era horrível não ter um pau e ainda sofrer discriminação por causa disso, como se eu e minha mãe tivéssemos culpa do que aconteceu.
-Mãe!-Pedro a recrimina
-Mas eu tô falando isso não é querendo julgar, até porque ela é muito minha amiga, mas sim porque queremos o melhor para você
-Mas eu não consigo entender! Por que culpa ela de um erro da mãe dela?!
Algumas lágrimas escorreram dos meus olhos.
-Realmente, você não entendeu, não estou culpando, nem tenho preconceito, afinal sempre recebi as 2 de braços abertos aqui em casa. Agora entrar para família é outros quinhentos, a mãe sempre quer o melhor para os filhos, estou apenas lhe aconselhando, porque filho de peixe, peixinho é. Agora vamos mudar de assunto que ela pode estar vindo e pode ouvir
Depois de alguns segundos refletindo e, tendo ela mudado de assunto; eu voltei à sala de jantar silenciosamente e sentei-me à mesa.
-Tá tudo bem, querida?-Janaína me pergunta
-Tá-falei e continuei comendo o que estava no meu prato
Quando estávamos saindo da casa dele, na hora de ir embora para ele me deixar em casa, falei sobre o que tinha ouvido:
-Pedro, eu escutei o que seus pais disseram sobre...aquele negócio de eu ser filha de mãe solteira-disse quase chorando e com a voz embargada
-Larissa, eu...-ele ia falar, mas eu o interrompi
-Não precisa dizer nada, Pedro, eu...eu acho melhor...-falei fungando-a gente terminar, segue o conselho dos seus pais, é o melhor que você faz

Não quebre meu coração!Onde histórias criam vida. Descubra agora