Liana estava em apuros, um homem com capuz havia a impedido de falar e a levado para um beco, onde ninguém os visse. Ela temia por sua segurança. Entretanto, quando ele tira o capuz do rosto para que ela pudesse ver quem ele era, esta percebe que era o mesmo garoto que tinha sido xenofóbico com o judeu.
-Oi, gatinha-ele fala olhando fixamente para o rosto da garota e, encantado, acaba soltando-a
-Gatinha o caralho, nunca mais se aproxime de mim-ela fala dando um chute nas partes íntimas do rapaz e ela vai ai embora rapidamente
-Ai ai ai-ele geme de dor-Você acabou de matar nossos filhos
Mais tarde, às 10:15 da noite, Clarisse dormia esparramada sobre o notebook novamente, ela nunca tinha escrito tantos capítulos de uma vez só, tinha sido, mais ou menos, uns 10 seguidos, com uma pausa para o jantar. Quando Marcelo chega de uma palestra em uma das escolas que trabalhava, ele a encontra nessa situação. Após deixar sua pasta em cima do sofá, ele a acorda delicadamente.
-Amor, você de novo, dormindo em cima do notebook-ele fala abraçando-a de lado
-Desculpa, ainda bem que eu tenho você para cuidar de mim-Clarisse fala sorrindo ainda meio sonolenta e, em seguida, Marcelo dá três beijinhos no braço dela
-E o que você tanto escreve aí? Ainda é aquele livro?-ele pergunta com ar travesso
-Sim
-Você escreve tanto que até me dá curiosidade de ler
-Alto lar, mocinho, você só vai ler junto com os outros quando eu publicar-Clarisse fala pensando em não publicar, com medo de que ele soubesse do segredo dela, mas visando parecer tranquila, ela sorri, forçando um tom de jogatina.
-Tá bom, não tá mais aqui quem falou-ele fala se afastando de Clarisse, mas logo volta -Ah, amor, esqueci te avisar, eu marquei uma consultoria com uma advogada muito boa, é para manhã, viu?
-Tá bom, então-Clarisse
-Agora que já avisei, vou tomar um banho para gente se deitar
-Posso ir com você?-Clarisse levanta-se da cadeira com um sorrisinho malicioso
-Claro que pode, meu amor-fala Marcelo puxando Clarisse para um beijo quente e tirando sua roupa
Conforme o acordado entre os dois, no dia seguinte, eles foram à consultoria com a advogada. Ela era alta, magra, tinha cabelos bem lisos e negros e usava óculos, aparentava ter entre 30 e 40 anos, além de ser bastante simpática, tanto que logo na entrada foi recebê-los com um aperto de mãos.
-Bom dia, seu Marcelo
-Bom dia, d. Amanda, essa é minha amiga Clarisse, a gente tá com um problema, acho melhor ela explicar
-É que eu vivo em um relacionamento abusivo e eu queria dar entrada no processo de divórcio, além de denunciá-lo por estupro
-A senhora tem provas para isso?
-Precisa de provas para isso? Eu achei que eu só denunciando já valesse
-Não que necessariamente precise, mas seria bom que tivesse para aumentar as chances de a gente vencer o caso e acelerar o processo de divórcio. A senhora fez o exame de corpo de delito?
-Não
-Pois seria bom fazer, faz quanto tempo do abuso?
-Não, é que ela não é bem minha amiga, somos mais do que isso, então me esqueci desse detalhe
-Ah sim, então vai ser só sua palavra mesmo, vai ser mais difícil, mas, se Deus quiser, vai dar certo-ela faz uma pausa e continua-Já marcaram a audiência do divórcio?
-Sim, o divórcio tá marcado para o dia 02\02 e o julgamento dia 05\05
-Certo, vou anotar aqui-ela fala abrindo uma agenda e escrevendo as datas-Então, já está tudo acertado, podem contar comigo-ela fala estendendo as mãos para os dois em um aperto de mão
Assim que eles saem do prédio onde a advogada trabalhava, eles entram no carro, Clarisse comenta um pouco hesitante:
-Não gostei de você ter dito para ela que éramos "amigos", "mais que amigos"- ela fala fazendo as aspas com os dedos
-E você queria que eu dissesse o quê?-ele fala-Oi, d.Amanda, essa é Clarisse e nós somos amantes
-Não, você podia ter dito: essa é Clarisse, minha namorada
-Não, porque você não é minha namorada
-O quê?-Clarisse fala tristemente, sentindo o peso das palavras dele no fundo do seu coração, era como se tivessem lhe enfiado uma estaca
-Não é minha namorada AINDA-ele fala frisando bem a última palavra e com um sorriso maroto-Porque você ainda está casada
-Meu Deus, que susto, eu pensei o pior agora, por favor, não faz isso comigo de novo-Clarisse fala com as mãos no coração, respirando profundamente-Meu coração até acelerou agora
-Meu amor, desculpa, foi só uma brincadeira-ele fala abraçando-a e beijando-a-Eu te amo muito
Enquanto isso, João Neto chega em seu escritório com algumas correspondências, várias delas eram cobranças, mas uma era da justiça federal.
-A filha da puta já deu entrada no processo de divórcio, agora vou ter que passar mais tempo em Fortaleza para resolver esse negócio-pensa João Neto ao ler o documento
Assim, ele decide matricular Liana em uma das escolas da cidade, já que as aulas já estavam próximas de começar e provavelmente iriam ficar mais um bom tempo por lá, além do fato de que Liana teria que cursar o 3 ano do ensino médio e seria interessante que não perdesse nenhuma aula devido à proximidade do vestibular. Dessa forma, poderia desfrutar mais tempo com Louise.
Uma semana depois, João Neto estava deixando Liana no colégio, ela não estava nos seus melhores dias, desde que viera para Fortaleza, sua vida estava virada de cabeça para baixo e não sabia se teria psicológico para se concentrar nos estudo, mas iria tentar pelo bem de seu futuro.
Ao se dirigir a sua sala, senta-se na 3 cadeira da última fila lateral, vê aquela multidão de alunos conversando e interagindo, sentia-se sozinha, era um sentimento horrível, retratai em alguns filmes que já tinha assistido, mas jamais imaginara que seria tão horrível vivenciá-lo. Isso era bastante estranho, porque estudava, desde a infância, em uma escola em Recife, até para ela que falava tudo o que vinha à cabeça, sem o mínimo de vergonha, agora sua mente parecia vazia.
Até que ela vê entrando na dá-la e sentando-se displicentemente o mesmo garoto que havia sido xenófobo e ela lhe dera um chute entre as perna.
-Deus, você só pode tá brincando com a minha face-pensa ela irritada
Sem pensar duas vezes, Liana foi ao encontro dele, dizendo impropérios:
-Ei, seu Zé ruela, não é possível que você vai estudar na mesma escola que eu
-Vou sim, assassina de espermatozoides, estudo aqui desde o jardim de infância-ele fala em tom de deboche-Você não é a dona do mundo para me impedir de estudar na mesma escola que você
-Só não chega perto de mim-Liana fala saindo com raiva
-Mas foi você que veio falar comigo
-Ah vá para puta que pariu-fala Liana indo se sentar na sua cadeira, pois o professor já havia chegado
Enquanto isso, já estava acontecendo a audiência de divórcio. Lá, estavam João Neto, Arthur, Clarisse, Amanda e um mediador. Todos estavam em volta de uma mesa retangular.
-Bom dia, a todos, vamos dar início a audiência de conciliação -o mediador começa-D. Clarisse, a senhora poderia relatar brevemente o que a levou ao pedido de divórcio?
-Primeiramente, foi o fato de que o nosso relacionamento se desgastou durante os anos, ele era muito ciumento e eu já perdi a paciência...-Clarisse é interrompida por João Neto
-Ah tá bom, se eu era ciumento, era por causa do professorzinho de merda
-Por favor, cale a boca, agora é o meu momento de fala
-João Neto, quanto mais você se exaltar, pior é, espere a sua vez-Arthur cochicha para João Neto
-Está bem
-Continue, d. Clarisse e senhor João Neto, por favor, controle as palavras-fala o mediador
-Como eu ia dizendo, outro motivo é que eu reencontrei uma pessoa do meu passado e eu percebi que sentia algo por ela e eu pretendo ficar com ela agora-Clarisse responde com o brilho no olhar dos apaixonados
-Relacionamento de quantos anos?
-22 anos
-E não há o que a senhora possa fazer para recuperar esse relacionamento?
-Não, porque agora eu tô apaixonada por outro homem
-Vadia-pensa João Neto
-Senhor João Neto, o senhor poderia tecer comentários sobre a fala da senhora Clarisse?
-Em primeiro lugar, eu quero dizer que se o relacionamento se desgastou, a culpa é toda dela, porque ela não queria cumprir as obrigações de esposa, não era mais carinhosa comigo. Em segundo lugar, eu quero dizer que se sou ciumento, tem motivo, porque eu desconfiava que ela me traía. E, num instante a verdade apareceu, ela abandonou o lar e foi morar com o comedor de casadas
-Olha aí, ele fica todo tempo ofendendo a mim e meu atual parceiro, eu posso denunciar ele por injúria, Amanda?
-Pode sim, d. Clarisse
-Cala a boca, João Neto, se controla, pelo amor de Deus-cochicha Arthur para João Neto
-Desculpa aí, Clarisse, vou me controlar
-Não vamos perder a compostura, senhores, tentem chegar a um acordo, mas com respeito-fala o mediador-E já que o senhor falou sobre os ciúmes, o senhor pressupõe que ainda gosta muito da sua esposa?
-Infelizmente, eu gosto muito dela. Se ela quiser voltar para mim, eu perdoo ela
-O que a senhora acha disso?
-Eu não acho nada. Como eu disse, eu tô apaixonada por outro homem. Então, João Neto, eu espero que você encontre uma pessoa boa e que ela te faça muito feliz
O homem dá de ombros e volta a prestar atenção no mediador.
-Então, a senhora está realmente decidida a se divorciar?
-Estou-responde Clarisse com convicção
-Mas você não vai se divorciar de mim assim tão fácil, porque eu não vou assinar nada
-Mas o senhor não pode obrigar a senhora Clarisse a continuar casada. Não é melhor o senhor assinar os papéis logo e facilitar o processo, evitando, assim, uma dor de cabeça?
-Claro que não, eu não vou facilitar para os dois ficarem juntos
-Pense bem, senhor, se ela quiser se separar, os senhores vão se separar, apenas vai retardar o processo. O ideal seria os dois entrarem logo em um acordo, se continua o casamento ou se facilita o divórcio
-Quero o divórcio de qualquer jeito-fala Clarisse
-E eu quero continuar casado-fala João Neto
-Sem acordo, entra-se no processo litigioso, o senhor vai ter que contratar, explicando para o juiz porque não quer se divorciar
-Então, eu prefiro esse, vai que a Clarisse é vencida pelo cansaço e desiste desse divórcio-comenta João Neto
-De jeito nenhum, estou decida
Algum tempo depois, a sessão é declarada finalizada e todos os participantes vão saindo da sala e, posteriormente, do prédio. Ao deixar o prédio, Clarisse vê Marcelo escorado no carro, em frente ao prédio, esperando por ela, João Neto saía atrás dela, enquanto ela ia ao encontro de Marcelo.
-Oi, meu amor-ela cumprimenta Marcelo com uma expressão triste e, em seguida, beija-o
-Que carinha é essa?-pergunta Marcelo
-Ah, João Neto não quis assinar logo os papéis, vamos ter que dar entrada no processo litigioso e, assim, vai demorar sei lá mais quanto tempo para eu estar realmente divorciada e ser sua namorada
-Mas vai valer a pena, não vai?
-Sim
-Então, todo o tempo de espera, pelo menos para mim, é válido desde que seja para ficar com você
-Sim, você tem razão
-Além do mais, sabe, me colocando no lugar do João Neto, eu acho que entendo ele
Nesse momento, João Neto deixa o prédio e observa os dois pombinhos conversando, de soslaio, enquanto ele caminhava em direção ao seu carro que estava estacionado ao lado do automóvel de Marcelo. Os dois pareciam tão concentrados um com o outro que nem notaram a presença dele. Assim, não resistiu à curiosidade de prestar atenção na conversa dos dois, desde a entrada do prédio até dentro do carro, em que fechou a janelas para assistir ao casal, sem nenhum risco de ser notado, situação que só trazia tormento a sua pobre alma.
-Como assim entende ele?-pergunta Clarisse
-Assim desesperado para postergar o divórcio, eu também ficaria, sabendo que estou perdendo a mulher maravilhosa que você é-fala Marcelo galanteador
-Meu amor, você é lindo-fala Clarisse beijando-o com volúpia
João Neto olha a cena com asco, sentindo uma tremenda inveja de Marcelo, Clarisse nunca o tinha beijado assim, imprimindo tanta paixão, nem mesmo na cama. Seu ódio foi tanto que que bateu no painel do carro, quando decidiu se controlar para não ter que gastar dinheiro, comprando um painel novo.
-Puta, você não vai ser feliz com ele, não vai!-pensa João Neto
-Vamos para casa, meu amor?-pergunta Marcelo, depois de abraçar Clarisse com carinho
-Vamos-ela responde com um ar de riso e entra no carro junto com ele
Na escola onde Liana estava estudando, a terceira aula era de história, o professor entra na sala quase correndo. Ele tinha uma estatura mediana, cabelo raspado, com uma barba que chegava até o seu peitoral e um físico, de certa forma atlético, braços um tanto musculosos, exceto por uma barriga protuberante, pequena, mas notável para o corpo dele, aparentando, apesar do tamanho, ser musculosa, por de baixo da blusa.
Liana considerou que, mesmo ele parecendo levar uma vida saudável, não dispensava uma cervejinha nas horas vagas, até que se assustou quando percebeu que estava refletindo demais sobre o estilo de vida dele e nas minúcias de seu corpo. Mas quem nunca ficou reparando essas coisas em professor, não é mesmo?
-Bom dia, turma, eu me chamo Augusto Camargo, vou ser o novo professor de história, no decorrer do 3º ano de vocês-ele fala escrevendo seu nome e a disciplina na lousa-O meu objetivo aqui é fazerem vocês realmente aprenderem para, dessa forma, vocês realmente passarem no vestibular. Não é só fazer questão e cabossi, é realmente aprender de verdade e levar para o resto da vida, aprender a ser um cidadão de bem. Agora com relação às aulas, eu sou um cara bem de boas, curto tirar brincadeira, mas se eu vejo que o aluno tá querendo tirar uma com a minha cara, saí fora de sala na hora, comigo é basicamente assim: chamei atenção uma vez, beleza, ninguém é perfeito, de vez em quando a gente dá uma conversadinha mesmo, agora a 2ª, tu tá fora de sala, mermão. Estamos conversados? Agora, de aquecimento para esse longo ano que estamos iniciando hoje, vou passar um trabalho pra vocês sobre a Grécia na Antiguidade.
Ele começa a escrever, na lousa, uma relação entre as turmas e seus respectivos temas, até que o rapaz xenófobo decide perguntar:
-E o que que eu vou ganhar fazendo esse trabalho, professor?
-Como é seu nome, meu jovem?
-Guilherme
-Então, você vai adquirir conhecimento, meu caro Guilherme-ele fala diretamente com ele, depois pergunta a alguém da sala-Quantos alunos tem aqui?
-52-responde outro aluno
-Então, meu povo, vou querer 13 grupos de 4 para fazer um trabalho de slides sobre os temas dispostos aqui na lousa-ele fala e pede para uma menina da frente-Princesa, escreve no caderno para mim assim oh, coloca os participantes do grupo, o tema e numeração, viu? Me entrega no final da aula
Assim, ele começou a falar os nomes aleatoriamente, tirados da chamada e a garota ia anotando, até que chegou a vez do grupo de Liana:
-7ª equipe, tema "A democracia ateniense". Participantes: Liana, Maria Gabriela, Felipe e Guilherme
No mesmo instante, Liana decide levantar o braço e perguntar:
-Você pode me mudar de grupo?
-Lógico que não, senhorita, se eu desse esse privilégio a você, teria que dá-lo a todos-ele fala secamente e volta a montar as turmas
Por causa disso, Liana decide que não vai fazer o trabalho, porque não queria fazer com o garoto xenofóbico.
Depois de terminar, o professor avisa com um sorriso macabro:
-Lembrando que não é obrigado fazer o trabalho, já que ninguém é obrigado a nada, afinal vivemos em uma democracia. Contudo, eu aconselho vocês a fazerem, pois, na minha disciplina, não haverá prova parcial, a nota será a que tirarem no trabalho. Por isso, se esforcem
De repente, o sinal toca e todos saem para o recreio, após a despedida do professor.
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Não quebre meu coração!
RomanceClarisse é uma mulher de meia-idade que tem um passado sofrido por ter sido abandonada pelo pai aos 5 anos, tendo que conviver com a mãe sempre falando mal dele. Somado a isso, ela foi deixada pelo grande amor de sua vida, relação que lhe rendeu mág...