Capítulo 38-Livro-A palestra sobre educação sexual

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Todos os alunos ficaram muito preocupados, até eu que passava a mão pelos cabelos, tensa, com medo de que algo de grave acontecesse com ela e também me sentindo culpada.
A sala toda estava numa confusão só:
-Vamos chamar o professor Henrique ou a diretora?-gritavam alguns
Algum tempo depois, Henrique e a diretora entram na sala. Ao entrar, Henrique olha para mim e eu abaixo minha cabeça com vergonha. Ele simplesmente pega a mulher no braço e sai, deixando-me desolada.
Depois disso, outro professor veio substituí-la e a aula correu normalmente. Entretanto, assim que te cheguei em casa, fiquei ligando para o Henrique e nada dele me atender.
-Tá ligando pra quem?-pergunta minha mãe
-Para o Pedro, não sei porque, mas ele tá com raiva de mim
-Então, vai na casa dele, ao invés de ficar gastando telefone
-Eu vou depois
No dia seguinte, na escola, assim que vi o Henrique, fui direto falar com ele, bastante apreensiva.
-Henrique, preciso falar com você
-Aqui não, Larissa, depois a gente conversa
-Você tá zangado comigo?
-Claro que não-ele fala entrando na sala dos professores apressado e diz-Hoje, no lugar de sempre
Ele fala a última parte em tom mais baixo.
Assim como o combinado, fui até a rua atrás da escola e encontrei o Henrique lá me esperando. Ele me recebeu com muitos beijos, mas logo tornei a falar do assunto.
-E a Roberta, como ela está?
-Fisicamente bem, mas psicologicamente mal depois do que aconteceu
-E o bebê?-perguntei preocupadíssima
-Infelizmente, ela perdeu
-Desculpa, Henrique-começo a chorar-Me sinto tão culpada
-Mas, por que, meu amor? Você não tem culpa de nada
-Mas eu não queria que ela estivesse grávida, morri de ciúmes de você-falei chorando compulsivamente-ele fala
-E eu entendo você ter ficado assim e eu prometo que vai ser só você quando eu me divorciar-ele fala tentando me acalmar-E com relação à gravidez, nem eu acho que estava preparado para ser pai
Mesmo com ele tentando me animar, eu continuava chorando incontrolável.
-Larissa, você colocou o lixeiro para a Roberta cair?
-Não, Deus mas livre pensar em fazer algo assim
-Então, para de se sentir culpada, meu amor, você não tem culpa de nada, isso foi uma fatalidade do destino. Se alguém tem que se sentir culpado nessa história, esse alguém sou eu por estar sendo infiel, mas eu nem estou porque acredito que é por uma boa causa, porque me apaixonei por você
Eu dou um leve sorriso quando ele termina a última frase.
-Olha, eu fiz você sorrir. Sabia que você fica muito mais linda assim sorrindo?
Como agradecimento, dei-lhe um beijo longo e demorado.
-Ah, meu amor, eu já ia esquecendo-ele começa-Tenho uma coisa para te contar, recebi uma proposta de emprego para trabalhar no 15 de novembro
-15 de novembro, o que é isso?
-É um colégio muito bem conceituado de Fortaleza e lá pagam muito bem os professores, bem melhor que o estado...
-Está pensando em me abandonar?-já perguntei preocupada
-Claro que não, meu amor, vou continuar morando aqui, vou trabalhar lá apenas um dia na semana
-Ah, ainda bem, senão eu iria morrer de saudades-falei beijando-o
No dia seguinte, assim que cheguei na escola, havia uma multidão de gente em frente a um cartaz na porta da escola.
Palestra!
Tema:educação sexual
Data:18/04/1998(sábado)
Horário:14:00
Público alvo: ensino médio
Pautas:
-morfologia e fisiologia do aparelho reprodutor masculino e feminino
-DSTs
-métodos contraceptivos
Professor palestrante: Henrique Vieira(graduado em Biologia)
Todos estavam muito chocados, ninguém imaginava que teria uma aula assim. Entretanto, no meio da multidão, teve uma conversa que me chamou a atenção:
-Meu Deus, será que vão ensinar a gente a como fazer sexo?!-pergunta Pedro
Milton se abre em rir.
-Não, né, idiota, ainda mais, não tá vendo as pautas?-comenta Hortênsia
-Sim, mas olha o nome, educação sexual, pelo nome dá para saber que vão ensinar a gente a transar. Minha mãe sempre disse que a escola deve ensinar outras coisas além de matérias. Então, devem ensinar a gente a fazer sexo para gente não passar vergonha na hora de tirar a virgindade, mas só para nós homens, na minha opinião, vocês mulheres tem que ser puras
Hortênsia não dá atenção às palavras de Pedro, provavelmente para a sua sanidade mental e vai direto para sala, saindo daquela multidão tão abismada.
Depois daquele dia de aula, fui fazer um trabalho que o professor de história tinha passado para fazer de dupla na casa da Rute. Chegando lá, Jefferson estava lá conversando com ela.
-Boa tarde, gente-eu os cumprimento
-Boa tarde, amiga-ela fala se aproximando de mim e dando dois beijinhos-Deixa eu só tomar um banho que eu acabei de chegar do sol quente, tava comprando umas lingeries na rua. Espera aqui também, amor, eu já volto
Dizendo isso, ela entrou para tomar banho, deixando eu e Jefferson sozinhos na sala. Ficamos em silêncio por algum tempo, então decidi puxar assunto.
-Jefferson e aí? Anda falando muito com o Pedro?
-Ando, Pedro é meu parça, nunca vi mais vocês saindo, vocês ainda estão juntos?
-Não, a gente decidiu dar um tempo
-Ah, ouvi dizer que você já tinha outro, tava namorando um professor
-Q-quem te disse isso? Foi o Pedro, não foi?
-Foi, ele me falou da traição, que viu vocês no carro e como você gemia gostoso com o Henrique
Eu fiquei tão envergonhada que eu nem sabia o que dizer, eu só queria ir embora dali o mais rápido possível, mas as minhas pernas pareciam paralisadas.
-Sabia que você fica até mais sexy com essa cara de garotinha inocente envergonhada. Ah, Larissa, se você fez isso com o Henrique também pode gemer gostoso comigo
-O quê?-falei incrédula
-É a Rute nunca iria saber
-De jeito nenhum, a Rute é minha melhor amiga, jamais trairia ela
-Você já traiu quem você dizia ser seu melhor amigo, agora trair a melhor amiga é meio caminho andado-ele fala se aproximando de mim
-Saí de perto de mim!
-Acho melhor você rever a sua modalidade, porque se não quiser transar comigo, eu conto para todo mundo que você tem um caso com um professor
-Eu vou contar tudo para Rute
-Conta, pode contar, vamos ver em quem ela vai acreditar
De repente, os dois escutam os passos de Rute se aproximando. Assim, para despistar, Jefferson começa a mudar de assunto:
-Larissa, no trabalho, você pode falar sobre a Batalha do Riachuelo, o pessoal brigando lá...-ele começa e quando a vê-Oi, meu amor, que rápido
-Sim, tomei o banho mais rápido da vida para não deixar vocês me esperando, só fiz passar um sabonete bem rápido nas regiões em que eu mais transpiro-ela fala e continua-Larissa, vamos fazer o trabalho?
-A-amanhã a gente faz, tá bom? Depois da palestra, acho melhor. Então, já vou indo, tchau

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