Capítulo 45-A primeira vez de Pedro

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Durante o trajeto ao hospital, parecia que minhas contrações aumentavam cada vez mais, sentia como se minha barriga fosse explodir de tanta dor no pé da barriga. Devido a isso, eu estava com um mau humor horrível que praticamente a tudo o que Pedro dizia, eu dava patada.
Chegando no hospital, enfermeiras me colocaram em uma cadeira de rodas e com o auxílio delas, eu fui direto para a sala de parto, pois minha dilatação já estava boa.
Depois de me deitarem não cama, me mandaram respirar fundo e fazer força, muito fraca, não sabia de onde tirá-la, mas segui as recomendações com o instinto e logo meu filho começou a sair. Senti a mesma sensação de quando fui defecar com uma prisão de ventre severa. Depois da cabeça, era só manter o ritmo e logo veio o alívio de ter saído a placenta.
Esse sentimento aumentou assim que meu bebezinho foi entregue nos meus braços, misturado ao intenso amor que começara a sentir por aquele serzinho, mirei seus olhos e, neles, vi os olhos de Henrique, verdes e cheios de ternura. Já o nariz, puxara a mim com certeza, era arrebitado e meio gordinho.
Durante esse contato pele com pele, fui logo amamentá-lo, senti uma intensa dor que, aos poucos, foi diminuindo à medida que ele se acostumava a pegar o peito.
Algum tempo depois, ouço a enfermeira falando algo, tirando-me do frenesi de sentimentos lindos e borbulhantes que a ocitocina me deixara.
-Posso mandar o pai entrar?
-Pode-disse olhando com tristeza para o pequenino
Nesse instante, lembrei-me de que não era Henrique que estava ao meu lado e eu teria que mentir a vida inteira para meu filho para não vê-lo sofrer dizendo que o pai nem sabia da sua existência.
Pedro entra na sala um pouco assustado, mãe logo se acalma quando vê que eu e o bebê estávamos bem.
-Quer segurar?-perguntei
Ele assentiu, estendendo os braços para segurar a criança.
-Tadinho, nasceu com os olhos feios do outro-fala Pedro com um certo deboche
-Já vai começar-falei com raiva
-Tá, desculpa-ele tenta se retratar-Só estava pensando na mentira que vamos contar, vamos dizer que ele tirou esses olhos da minha bisavó?
-Pode ser, tanto faz
-Mudando de assunto, você já pensou em um nome?
-Sim, vou chamá-lo de Bernardo
-Bonito nome-ele me olha arqueando as sobrancelhas-Algum motivo especial para a escolha?
-Por causa do Bernardo Guimarães, ele escreveu meu livro favorito, o Seminarista, um romance que fala de um amor impossível, acho que é por isso que eu acabei me envolvendo em um
-De besta, né, é muito mais fácil viver com um amor possível
-Não vamos brigar, estamos com um neném aqui
Passado uma semana do dia mais feliz da minha vida, levamos Bernardo para uma consulta no pediatra. Depois disso, fomos para uma consulta ginecológica que eu tinha naquele dia.
Pedro ficou sentado em frente à mesa da médica, ao lado do carrinho do bebê, enquanto a médica me examinava.
Depois da consulta, enquanto ela me prescrevia um sabonete íntimo de aroeira para evitar uma inflamação, meu marido faz a seguinte pergunta a ela:
-Doutora, quanto tempo depois do parto a gente pode fazer amor?
-40 dias-ela responde sorrindo-Mas por quê? O senhor já está pensando em dar uma irmãzinha para esse garotinho lindo aqui?
-Sim
-Deus me defenda-falei-Se já é difícil cuidar de um bebê, imagine de dois
-A verdade, eu que sou mãe, sei como é
Passado alguns dias, acordei e fui direto tomar banho, liguei o chuveiro, sentindo o frescor da água quente batendo na minha cabeça, já havia me acostumado às comodidades que o chuveiro elétrico proporcionava, fecho os olhos apreciando o momento com prazer.
De repente, sinto mãos em minhas costas, fico tão apavorada que dou um grito.
-Que é isso, Larissa, sou-Pedro fala me abraçando completamente nu
-O que você tá fazendo aqui? Será que nem banho eu posso tomar mais em paz?
-Eu tô só querendo fazer um amorzinho com a minha esposinha-ele fala em tom galanteador ao estilo pedreiro
-Os 40 dias-rebati
-Já se passaram, meu bem, completou 40 dias ontem, Bernardo nasceu dia 5 de março e hoje já é 15 de abril
-Você tá contando, seu doente-falei com muita raiva, vestindo meu roupão
-Porra, Larissa, você acha que me casei com você só para você servir de bibelô? Eu te amo, só quero me divertir com você e quem sabe ter um filho, meu e seu mesmo, de verdade
Eu o olho pensativa.
-Já pensou um filho meu e seu de verdade?
-Você disse que ia amar o Bernardinho como se fosse seu filho
-E eu amo, mas eu queria tanto ter um filho com você, Larissa, por favor
Refletindo um pouco, percebi que não havia escapatória, uma hora iria ter que acontecer, então respondi suspirando:
-Está bem, hoje à noite, eu deixo o Bernardinho na sua tia e fico com você
-Yea-ele vibra em comemoração
-Mas de dia, vê se me deixa em paz-avisei
-Sim, senhora, nem vai me ver
Assim foi feito, deixamos meu filho aos cuidados da tia dele, uma senhora muito respeitada e entendida de crianças, até porque ela já tinha tido 7 filhos.
Além disso, dispensamos os empregados, tudo para ficarmos sozinhos em casa. Só de imaginar no que isso iria dar, eu já ficava apreensiva.
Porém, tudo correu bem rápido que nem deu para eu pensar tanto.
Assim que chegamos da casa da tia dele, ele me pegou nos braços, desde a sala até o quarto, algo ainda coerente. No entanto, assim que ele me despiu, ficou tão fascinado com meu corpo que quase não conseguia se controlar, vi que seu membro estava prestes a explodir da calça.
Instintivamente e com certa rapidez, ele simplesmente me jogou na cama, ficando por cima de mim, e foi logo me penetrando, sendo que não tinha nem dado tempo de lubrificar, fazendo eu sentir um pouco de dor. Entretanto, ao observar seu rosto depois da sessão de tortura, meu algoz parecia bem pleno, além de emitir sons guturais animalescos.
-Já acabou?-eu perguntei ao ver ele se levantando
-Sim, fui incrível, você ficou maravilhosa depois que emagreceu, a amamentação fez um bem a você
-Legal-falei com um certo deboche
Eu me senti uma boneca inflável nesse momento, fui toda dedicada e era assim que ele me tratava. Porém, percebi que não podia julgá-lo, pois era a primeira vez dele, deveria ser compreensiva e ensiná-lo. Entretanto, isso não seria fácil, porque antes eu sempre era a aluna, a paparicada, em uma posição passiva que eu gostava, mas eu teria que me acostumar a ser ativa, se quisesse receber algo em troca e aī talvez as coisas melhorassem.
E melhoraram... Pedro aprendeu que ser um ligeirinho não era legal e começou a me satisfazer mais. Entretanto, ainda não chegava, para mim, no patamar do outro. Esse ato, cometido por mim, de comparação, fazia eu me sentir horrível, mas era difícil não fazê-la, porque, no fundo, eu ainda amava o meu primeiro, apesar de tentar me convencer que amava meu marido e repetir isso mil vezes.
Além disso, Pedro começou a me culpar, com o passar dos anos,  por eu não conseguir dar um filho a ele, mesmo dizendo que me amava muito todos os dias, ele não se importava se isso estava me fazendo mal.
Passado 4 anos, por um milagre de Deus, eu fiquei grávida da minha caçula aos 22 anos, foi uma verdadeira festa para todos na minha casa.

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