Por Hugo
Caminhei pelas ruas frias do pequeno bairro de Inglaterra em que eu morava. Olhei à minha volta. Tudo parecia tão triste, tão sem cor. As lágrimas ainda não tinham parado de cair desde que tinha siado da casa dos meus tios e o meu coração parecia que estava a receber golpes a cada passo que eu dava. A vergonha, a desilusão e o desespero que eu sentia naquele momento estavam a consumir-me por inteiro.
E eu que pensei que os meus pais me iam aceitar e que ia ser igual ao Scorpius e ao Thomas que toda a gente apoiou e adorou. Pensei que eles não se iam importar de sermos 3, pensei que eles só quisessem a minha felicidade.
Pensar no meu relacionamento com eles dois magoava. Mas terminar a relação era necessário. Afinal, eles são meu pais eu não posso simplesmente não ouvir as opiniões deles. Se eles não aceitam ou não gostaram eu não o vou fazer. Dói muito o meu coração.
Caminhei até à porta da minha casa e bati na mesma. A minha mãe abriu e olhou para mim, desta vez com uma expressão preocupada pelo facto de eu estar todo molhado, da neve que tinha caído em mim e já tinha derretido, estava vermelho, cabisbaixo e a minha respiração estava fraca demais.
-Filho? O que se passou?- ela puxou-me para dentro e sentou-me no sofá, com um movimento de mão acendeu a lareira. O meu olhar ficou fixo no fogo e senti que o meu corpo começou a aquecer, mas eu não conseguia esboçar nenhuma reação. Não conseguia tirar a expressão de dor do meu rosto, nem de deixar de sentir aquele peso profundo no meu peito. - Fala comigo- sentou-se ao meu lado e colocou a mão no meu ombro. As lágrimas que já tinham deixado de cair do meu rosto começaram a cair de novo.
-Desculpa, ter-vos desiludido mãe. Eu acabei com eles e vou esquece-los por vocês. - olhei para ela, cansado e sem forças- Eu entendo-vos , agora eu não consigo mais- senti a mina visão escurecer e a minha força falhar.
Abri os olhos e levantei o meu corpo rapidamente. Olhei à minha volta, estava no meu quarto. A minha cabeça latejava e o meu corpo todo doía.
A porta foi aberta e a minha mãe apareceu nela com o meu tipo Harry atrás dela. Ela aparentava estar preocupada e o meu tio veio rápido até a mim colocando a sua mão na minha testa.
-Parece que apanhas-te uma gripe Hugo...- o tio Harry sorriu, mas não era um sorriso feliz, era um sorriso com compaixão e preocupação. A minha mente viajou até ao momento em casa dele. Aquele momento terrível que faz o meu coração doer.
Abaixei a cabeça e desviei o meu olhar dos dois adultos que estavam ali. Eu queria ficar sozinho, mas como e que se manda alguém embora sem ser mal educado? Ouvi os passos da minha mãe caminharem até mim.
-Hugo eu...
-Mãe, está tudo resolvido. Eu gostava de ficar sozinho durante algum tempo...- ela virou costas sem dizer nada. Não tinha olhado para ela ainda, sei que quando o fizesse ia doer, porque quando eu pensava nela os meus pensamentos iam para eles e aquele momento. O meu tio virou-se para sair, mas havia algo a atormentar-me e eu tinha de lhe perguntar- tio?
-Sim, Hugo?
-Como é que eles estão...?- sussurrei
-Eles... Eu vou ser muito sincero Hugo, eles não estão bem, é óbvio. Os dois ficaram muito abalados pelo que aconteceu, vi o meu afilhado perder o controle pela primeira vez desde que aprendeu a controlar as suas habilidades, o Justin... ele chorou muito, eles estão em minha casa por enquanto Hugo, quando estiveres pronto para ires falar com eles, eles vão estar lá para te ouvir. Eles gostam de ti, arrisco-me a dizer que eles te amam. Acho que lhes magoas-te um pouco o orgulho ao teres acabado com eles por causa do Ron. Olha...- o meu tio sentou-se na cama ao meu lado e colocou a mão dele na minha cabeça- O teu pai é muito cabeça quente, é claro que ele vai aceitar. Quando eu assumi para ele que gostava do Draco, sei que ele não aceitou de primeira, mas ele respeitou e pode ter levado algum tempo para ele levar o meu relacionamento com ele como "normal", mas ele fê-lo. Entende isso, acho que não era necessário acabares com eles assim, mas eu entendo a tua posição Hugo. E a tua mãe não está chateada contigo, ela ama-te e ela não te ia dizer para terminares com eles. A tua mãe teve a noite toda preocupadissima contigo, mal tu desmaiaste ela ligou-me. Eu vim logo para aqui e disse-lhe que tinhas tido um esgotamento, que precisavas de descansar só, para ela ter calma. Ela chorou a noite toda Hugo, não a culpes pela forma do teu pai agir as vezes. Ela saiu para tentar conversar com ele e chamá-lo a razão, não foi porque não aprovou o teu relacionamento. - as lágrimas escorriam pelo meu rosto, eu não conseguia controlar aquele sentimento dentro de mim. Era tanta coisa ao mesmo tempo- Ambos os teus pais te amam Hugo, e pode custar um bocado ao teu pai no início, mas ele só quer a tua felicidade. - quando o meu tio acabou de falar ouvi batidas na porta e o meu pai colocar apenas a cabeça dentro do quarto.
-Posso?- assinei que sim com a cabeça e dei um sorriso fraquinho para o meu tio que logo me deixou a sós com o meu pai. O tempo passou e o silêncio estava-me a fazer ficar desconfortável.
-Não vais dizer nada pai?- perguntei baixinho.
-Eu... - o meu pai caminhou até à cama e sentou-se ao meu lado, onde outrora o meu tio estivera- Eu não consegui aceitar filho, eu até posso respeitar, mas é difícil para mim. Entende uma coisa, eu não tenho nada contra homossexuais, os meus melhores amigos são, mas custou-me aceitar no início. Filho, eu vou sempre respeitar as tuas decisões, eu quero ver-te feliz. Ontem quando a tua mãe disse que tinhas desmaiado eu só pensei que te ia perder como perdi os meus pais, o meu irmão... eu não te quero perder filho, muito menos por um assunto que se pode resolver. Eu amo-te muito meu filho.- o meu pai puxou-me e abraçou-me. O meu coração batia rápido, talvez pelo início da aceitação do meu pai... - porque é que não ficas-te lá com eles? Aposto que eles devem estar preocupados.
Parece que ninguém lhe contou. A minha cabeça já dois de novo, e de pensar em tudo de novo sentia-a a doer cada vez mais.
-Eu terminei o meu relacionamento com eles.- disse e baixei a cabeça.
-Porque?- o meu pai levantou-se e olhou para mim. Olhei de volta para ele.
-Porque eu não vos quero desiludir e...
-Não Hugo. Eu vou dizer ao Harry para os mandar vir aqui a casa, tu não vais estragar a tua felicidade por causa de eu ser teimoso. Nem pensar.- o meu pai saiu do meu quarto e eu deitei-me de lado e aconcheguei-me na roupa quente da minha cama.
Bom, acho que ele me aceitou, agora eu posso tê-los para mim.
Senti os meus olhos pesarem e vai no sono.
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Com todo o meu amor 2
FanfictionEsta fanfic é uma continuação do "Com todo o meu amor", espero que gostem. Draco e Harry estavam casados e desde que o seu filho nascera tudo parecia perfeito, até que uma acontece algo que pode mudar o rumo todo da história.
