-O Cláudio está bem, Sarita, mas que modos são esses?
Araújo afastou-se irritado, e olhou sem jeito para Dona Anastácia.
-O que a Dona Anastácia há de pens...
-Não se preocupe, Doutor... a sua vida particular, não me diz respeito - disse o olhando seriamente -embora eu ache que deviam respeitar um pouco mais o ambiente em que estão -Disse e retirou-se logo em seguida, o deixando sem graça.
-Você não devia ver vindo! Ainda mais com esse seu atrevimento!
-Deixe essa velha pensar o que quiser...
-Mais respeito com a Dona Anastácia! Eu não vou admitir que você se comporte dessa forma na presença dela! Aliás, o que tivemos ontem não significou nada pra mim! E não vai acontecer de novo!
-Até parece que você não gostou! -Dissa ela descaradamente -eu sei que há de me procurar de novo, porque não resistirá as minhas pernas -Sarita ergueu a barra da saia mostrando os joelhos, e um pouco da coxa.
-Por favor, peço aos senhores que tenham mais respeito aqui! Não podem esquecer que estão em um hospital!
Foram repreendidos por uma enfermeira.
***
Depois de tomar um bom banho, Dona Anastácia vestiu uma roupa mais confortável e deitou em sua cama um pouco pensativa.
Sua preocupação por Cláudio era inevitável, ainda mais depois do que presenciou no hospital. Nunca pensou se decepcionar tanto com o Dr. Araújo.
***
Os dias se passaram e finalmente Cláudio voltou para casa, mas ainda estava um tanto impaciente por ter que ficar mais alguns dias de repouso.
Naquele dia, Dona Anastácia levou Alice na casa dele, pois sabia o quanto ele ficaria feliz em vê-la.
Assim que foram passando pelo jardim, Alice colheu uma linda flor do mesmo, e a escondeu atrás das costas até chegar no quarto do menino.
-Estar a esconder algo fadinha? -Cláudio perguntou curioso e logo Alice entregou-lhe a flor.
-É para você!
-Uma flor?
-Cláudio sorriu.
-Sim! Como eu sei que adora as flores eu a trouxe para você, já que não vai poder ir vê-las no jardim...
-Obrigado, fadinha! Eu tenho a melhor amiga do mundo.
Alice sorriu, e nesse momento Dr. Araújo fez o mesmo olhando para Dona Anastácia, que foi desfazendo seu sorriso ao perceber que ele a observava.
-Bem, se não for incômodo, eu vou deixar Alice ficar mais um tempinho aqui com o Cláudio, preciso ir resolver umas coisas nesse horário...
-Não será nenhum incômodo, Dona Anastácia, Alice fará muito bem ao Cláuido! Mas... porque a senhora não fica mais um pouco? -Disse ele, como se não quisesse que ela fosse embora naquele momento, e sem lhe dar muita atenção, a viúva se aproximou de seu filho já se despedindo do menino.
-Até logo, Dona Anastácia.
-Cláudio respondeu enquanto recebia um beijo carinhoso na cabeça.
-Alice, comporte-se, viu querida?
-Segurou no queixo dela delicadamente. -Celso e Maria também estão vindo ver o Claudinho, então você volta para casa com eles, tá bom minha linda? Seu amiguinho vai precisar descansar daqui a pouco.
-Sorriu docemente para os dois e viu
Alice concordar com a cabeça.
***
-Dona Anastácia, espere -Ao sentir a mão dele em seu ombro, ela recuou,
porém permaneceu de costas para ele
por um instante antes de ouvi-lo falar:
-Acho que precisamos conversar.
-Araújo disse, ficando na frente dela, que suspirou antes de responder:
-Eu acho que nós não temos nada para conversar -Disse com a voz calma, porém séria.
-E se me der licença, eu preciso ir.
-Eu sei que não tem nenhum compromisso!
-Ele falou encarando-a e deixando-a sem reação.
-A senhora só estar a fugir de mim!
Ou acha que não percebo a sua indiferença após o que aconteceu naquela tarde...
-Aquilo foi o pior dos erros que o senhor poderia cometer!
-Eu não sei se posso considerar um erro, o que aconteceu, talvez não tenha sido apenas impulso, talvez...
-Como se atreve a me dizer isso?
Ele a olhou fixamente, e sussurrou:
-....a verdade é que não eu consegui esquecer -Suspirou. -Todas as noites, fico a pensar em seus lábios... em seus olhos...
-Doutor Araújo -Ela o interrompeu, em um tom de repreensão, mas o homem continuou, deixando-a totalmente nervosa com tamanha ousadia. -.... no jeito doce como cuida do meu filho, eu nunca a admirei tanto como admiro agora...
-Ele sussurrava forte, olhando em direção aos lábios dela.
E movido pelo desejo de beijá-la mais uma vez, ele tomou-a num beijo intenso.
Anastácia se debatera em seus braços, tentando fugir, mas Araujo a manteve em seus braços, até que por alguns segundos, ele sentiu-a ceder, deixando sua língua ser invadida por ele, que a chupou com voracidade.
Nesse momento, ele ouviu a respiração dela ficar ofegante e sorriu entre o beijo, sentindo que ela estava gostando tanto quanto ele.
Mas de repente, seu rosto foi atingindo com um tapa inesperado, que o fez voltar a realidade, e ver o quanto ela estava furiosa com aquilo. Ela não conseguiu encará-lo por muito tempo, logo sentiu os olhos marejarem e antes que ele tentasse dizer alguma coisa ela saiu correndo.
Assim que a viu enrolar no corredor, Araújo suspirou nervoso, passando a mão no rosto, que ainda queimava.
Com ar arrependido, pelo que havia feito passar, ele levou à mão à cabeça, que e com a respiração ofegante, fechou os olhos aflito.
***
-Dona Anastácia, o que estar a se passar?
-Maria indagou assustada, ao vê-la subir a escada correndo. Anastácia não conseguiu responder, e
Maria foi atrás dela preocupada.
Ao chegar em seu quarto, Maria a viu chorando sentada na cama, mas logo ela limpou o rosto ao vê-la na porta.
-Desculpa entrar assim, Dona Anastácia, mas é que a eu a vi subir chorando e fiquei muito preocupada! Estar a se passar algo com o Cláudio?
Maria a viu fechar os olhos e respirar fundo, antes de responder:
-Com o Cláudio não, Maria -A voz soou tensa.
-É comigo!
--Com a senhora? -Maria sentou-se ao lado dela assustada e segurou na mão da mesma, que a olhou com os olhos vermelhos.
-Por favor, conte-me, Dona Anastácia? O que houve?
-O doutor Araújo -Sentiu a voz embargar.
-O que tem o doutor Araújo? O que ele fez, dessa vez?
-Maria disse preocupada.
-Ele me beijou!
Ao ouvir isso, Maria abriu a boca incrédula.
