Corações feridos

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— Pai, eu não quero! Eu não quero que ela volte a morar aqui! — Cláudio mal conseguiu conter a aflição.

— Como pode me tratar assim, Cláudio? — Sarita levou a mão ao ventre e fez um bico, fingindo estar profundamente magoada.

— Eu nunca lhe fiz nenhum mal... Fico tão triste por saber que você não gosta de mim... e, pelo visto, também não gosta do seu irmãozinho...

Cláudio permaneceu em silêncio. Seu semblante denunciava a confusão que sentia. Sarita percebeu que suas palavras haviam surtido efeito. Conhecia o bom coração do menino. Sabia que, por mais que ele não a aceitasse como madrasta, jamais desejaria o mal de uma criança, ainda mais se acreditasse que era seu irmão.

Araújo respirou fundo.

— Já chega, Sarita! Deixe meu filho em paz. Você já foi longe demais com esse assunto! — Voltou-se para Antônia.
— Antônia, por favor, leve o Cláudio para o quarto. Depois eu converso com ele com calma.
A empregada aproximou-se do menino.

— Venha, Claudinho...  — Cláudio lançou um último olhar ao pai antes de sair da sala.
Araújo respondeu apenas com um discreto aceno, tentando tranquilizá-lo.

Quando ficaram as sós  o semblante dele endureceu.

— Escute muito bem o que eu vou dizer!

Sarita cruzou os braços.
— Estou ouvindo.

— Você não vai morar nesta casa. Não vou permitir que volte a infernizar a minha vida, muito menos a do meu filho.
Ela sorriu com ironia.

— Engraçado... Você só pensa no Cláudio. Parece que esqueceu que também tem um filho a caminho...
Araújo a encarou com seriedade.

— Antes de tudo, você vai provar que está grávida. Pelo visto, nem esse exame você fez.
Sarita ergueu o queixo, ofendida.

— Fui ao médico, sim.

— E o que ele disse?

Ela respondeu, sem hesitar.
— Que estou grávida!

Araújo permaneceu em silêncio por alguns instantes.

— Tem certeza do que está dizendo?

— Claro. O atraso dos meus dias, os enjoos... O doutor não teve dúvidas. Disse que estou esperando um filho.
Araújo continuou desconfiado:

— Pois amanhã cedo iremos ao doutor Lauro. Eu mesmo vou marcar uma consulta. Quero ouvir isso da boca dele.

Por um instante, Sarita sentiu o coração acelerar. Mesmo assim tentou manteve a postura.

— Como quiser.
Araújo respirou fundo.

— Até essa consulta, você ficará nesta casa. Se a gravidez for confirmada, não vou colocá-la na rua. Permanecerá aqui durante esse período, porque não seria digno abandonar uma mulher grávida.
Ela suspirou discretamente, aliviada. Agora bastava ter paciência. Aos poucos, encontraria um jeito de prendê-lo a ela.

Mas ele continuou:
— Depois que a criança nascer, providenciarei uma casa para você. Se esse filho for meu, não lhe faltará absolutamente nada. Assumirei todas as minhas responsabilidades como pai.

O PerdãoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora