Um dia mais leve 🍃

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Na manhã seguinte, ainda cedo, Araújo se levantou devagar, e discretamente entrou no quarto em que estava Claudinho.  Ao abrir a porta devagar, encontrou o filho dormindo tranquilamente. As cobertas haviam escorregado um pouco durante a noite, e com cuidado, aproximou-se da cama e puxou o cobertor até os ombros do filho, ajeitando-o com carinho. Depois passou a mão levemente por seus cabelos.

Claudinho se mexeu devagar, abrindo os olhos ainda sonolentos.

— Me desculpe ter acordado você... eu só queria saber se estava bem.
O menino esfregou os olhos e, de repente, pareceu se lembrar de algo importante.

— Papai... eu sonhei com a mamãe outra vez.
Araújo sentiu o peito apertar suavemente.
Sentou-se na beirada da cama.

— Sonhou?

— A minha mãe estava no jardim — contou Claudinho, um pouco apressado. — Ela veio me dar um abraço...
Araújo sorriu com emoção.

— ... e falou muitas coisas bonitas.

— O que ela falou, meu filho?

— Ela me disse... para não ficar triste quando a Dona Anastácia for morar na fazenda. Disse que nós vamos estar sempre juntos... e também falou outra coisa...
Cláudio fez uma pequena pausa, tentando se lembrar.

— Mas eu não lembro  o que ela disse depois.

— Tudo bem, meu filho. Não precisa se esforçar para lembrar. De qualquer forma, foi um sonho muito bonito.
Araújo acariciou o rosto do menino com ternura.

— E a sua mãe tem razão. A Dona Anastácia pode morar um pouco distante daqui, mas o carinho que ela sente por nós não vai diminuir por causa disso. É claro que vamos sentir saudades de tê-la por perto todos os dias... mas teremos muitas oportunidades de vê-la, visitá-la na fazenda e compartilhar momentos felizes ao lado dela.

Cláudio permaneceu quietinho, sentindo o coração mais calmo ao ouvir aquilo.
Araújo observou o filho em silêncio. Percebia nos olhos dele um carinho por Anastácia que já ia muito além da simples amizade.
Aquilo o enternecia. Mas também o preocupava.

Respirando fundo, decidiu abordar o assunto com delicadeza.

— Meu filho... eu sei o quanto você se apegou à Dona Anastácia durante o tempo em que estive ausente. — Fez uma breve pausa antes de continuar.
— E também percebo que...  muitas vezes, você enxerga nela a figura de... de uma mãe... Talvez até deseje que ela fosse uma mãe para você.
_ Claudinho abaixou os olhos, um pouco envergonhado.

— Eu acho isso muito bonito, meu filho. A Dona Anastácia é uma pessoa especial. Mas eu me preocupo que você alimente esperanças que talvez não se realizem.

O menino ergueu o rosto para encará-lo.

— Não quero ver você sofrendo depois.
Araújo segurou uma das mãozinhas do filho, e continuou a falar, com bastante delicadeza:

— ... Dona Anastácia e eu sempre fomos amigos...  Entre nós existe um carinho sincero, uma grande amizade e muito respeito. Mas isso não significa que um dia vamos nos casar ou formar uma família.

Cláudio ficou em silêncio por alguns segundos.
No fundo, ainda existia uma pequena esperança de que, quem sabe, um dia aquilo pudesse acontecer.

— Eu sei que vocês são apenas amigos — disse em voz baixa.
Araújo sorriu de leve.

— Sabe?

— Sei... mas a verdade é que eu queria muito que um dia vocês... pudessem virar namorados...

Araújo deixou escapar uma risada suave.

— Ah, queria?

— Queria sim _ disse o menino com a sinceridade e inocência de criança — E quem sabe, depois... a Dona Anastácia poderia ser como uma mãe de verdade para mim.

O PerdãoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora