Despedida

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Naquela tarde fria e nublada, Celso e Anastácia contavam apenas com o apoio de seus amigos mais próximos. Maria, Dr. Araújo, Dr. Lauro e Emma fizeram questão de acompanhá-los para dar o último adeus a Sandra. Eram poucos os presentes, o que não causava surpresa. Afinal, Sandra jamais fora uma mulher querida pela sociedade.

Durante toda a cerimônia, Celso e Anastácia encontraram em Araújo um apoio silencioso e constante. Ele fizera questão de permanecer ao lado deles até o fim, e aquele gesto de solidariedade despertava ainda mais a admiração de todos que ali estavam.

Depois de tudo o que sofrera por causa de Sandra, qualquer um compreenderia se ele tivesse escolhido manter distância. No entanto, ali estava, não apenas por consideração à família, mas porque seu coração jamais lhe permitiria agir de outra forma.

Em determinado momento, Emma deixou escapar um discreto sorriso ao observar, em silêncio, a maneira como o advogado acolhia Anastácia. Como grande amiga da viúva, já desconfiava de que algo havia mudado entre eles. Anastácia disfarçava muito bem, mas Emma a conhecia havia anos. Sabia reconhecer quando um olhar dizia mais do que qualquer palavra.

Araújo não se afastara dela em nenhum instante. Os olhares discretos que trocavam, desviando os olhos sempre que percebiam um ao outro observando... a forma delicada como ele repousara a mão sobre seu ombro enquanto ela deixava escapar algumas lágrimas diante do túmulo de Sandra... tudo aquilo dizia muito mais do que qualquer declaração.

Sem dúvida, aquele homem já havia entregue o coração a ela - pensou Emma - contendo um sorriso ao imaginar que, talvez, em breve pudesse dar um pequeno empurrãozinho naquele romance.

Maria permaneceu ao lado de Celso durante toda a despedida, oferecendo-lhe carinho e apoio.

Apesar de nunca ter tido uma boa relação com Sandra, sentia-se em paz ao acreditar que, enfim, sua alma havia encontrado descanso.

Por fim, Celso aproximou-se do túmulo. Permaneceu alguns instantes em silêncio diante da sepultura. Respirou fundo e com os olhos marejados, deixou que as palavras saíssem do coração.

— Eu escolho guardar no meu coração as boas lembranças...

Fez uma breve pausa.

— ... a menina que corria pelos jardins comigo... que ria das minhas travessuras... que segurava a minha mão quando éramos apenas duas crianças felizes, sem imaginar o que a vida ainda nos reservaria.

Seu sorriso foi triste, mas sereno.

— É dessa Sandra que eu quero me lembrar.
Baixou os olhos por um instante.

— Espero que, onde quer que você esteja, tenha finalmente encontrado a paz que tanto procurou.

Com delicadeza, depositou uma flor sobre o túmulo.

—  Adeus, minha irmã... que Deus a receba em Sua infinita misericórdia.

O silêncio que se seguiu foi quebrado apenas pelo vento que atravessava o cemitério.

Anastácia deixou escapar um discreto sorriso, emocionada com a serenidade daquelas palavras.

Seu coração agora seguia em paz, por saber que Sandra partira sinceramente arrependida e encontrara tempo para pedir perdão antes de sua despedida.

Ao seu lado, Araújo voltou o olhar para ela. Sem dizer uma única palavra, acompanhava cada uma de suas reações com a mesma ternura silenciosa que jamais deixara de lhe oferecer.

O PerdãoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora