Ao deixar o escritório, Anastácia encontrou Quitéria no corredor. A mesma saía do quarto de Claudinho e seguia em direção ao quarto onde doutor Araújo estivera hospedado, durante aqueles dias...
Ao perceber a expressão discretamente preocupada em seu rosto, Anastácia aproximou-se
— Quitéria... como está o Claudinho?
— Está bem, dona Anastácia — Respondeu ela com calma — ainda não está sabendo dessa história que essa moça contou... O doutor Araújo apenas disse que já estava na hora de voltarem para casa. Comentou que conversará com o menino depois... — Anastácia engoliu discretamente em seco.
Por um instante, permaneceu em silêncio. A notícia pareceu confirmar aquilo que, no fundo, ela já esperava.
— Então... ele decidiu voltar para casa? — disse em voz baixa.
Quitéria assentiu.
— Sim, senhora. Pediu que eu o ajudasse a arrumar as coisas dele. Deixei a Maria terminando de arrumar as coisinhas do Claudinho...
Anastácia baixou discretamente o olhar.
Compreendia aquela decisão. Ainda assim, doía pensar que aqueles dias de convivência chegavam ao fim.
— Obrigada, Quitéria.
A empregada seguiu pelo corredor, enquanto Anastácia caminhou até o quarto de Claudinho.
Ao entrar, encontrou Maria fechando a pequena mala sobre a cama. Mais adiante, sentados numa mesinha, Claudinho e Alice davam os últimos retoques no desenho.
O olhar de Anastácia, por um instante, desviou-se outra vez para a pequena mala sobre a cama.
Maria fitou-a em silêncio por um instante, compreendendo a dor que ela tentava esconder, mas permaneceu em silêncio, respeitando aquele momento.
Assim que Cláudio a viu, abriu um sorriso e levantou-se devagar.
— Dona Anastácia... — Seu olhar imediatamente voltou-se para o menino, que ao vê-la ali, pegou seu desenho e se levantou devagar.
— Olha o que eu fiz.
Assim que pegou a folha de papel nas mãos, Anastácia deu um leve sorriso, imediatamente reconheceu o desenho.
Eram ela, Claudinho e Alice brincando com Aladim no jardim, como haviam brincado no dia anterior.
Seus olhos se encheram de ternura.
— Ficou lindo, meu querido. — Claudinho sorriu, satisfeito.
— É para a senhora. — Anastácia recebeu o desenho com todo o cuidado, como se fosse um presente precioso.
Em seguida, abraçou o menino com carinho.
— Foi muito bom ter você pertinho de nós nesses dias...
Ao se afastar, levou o desenho junto ao peito, num gesto de gratidão.
— Vou guardar esse desenho com muito carinho.
— Claudinho sorriu.
— Papai disse que já está na hora de voltarmos para nossa casa... — Comentou o menino naturalmente. Apesar de adorar a companhia de Anastácia e de Alice, não havia tristeza em sua voz. Afinal, também sentia saudades do seu lar.
— Mas foi muito bom ter ficado aqui mais uma vez. Me diverti muito brincando com a Alice e o Aladim.
Anastácia sorriu com doçura.
— Fico feliz que vocês tenham se divertido. E quero que você nunca se esqueça de uma coisa: esta casa sempre estará de portas abertas para você. Sempre que desejar vir brincar com a Alice ou nos fazer uma visita, será muito bem-vindo.
Claudinho assentiu com um sorriso. Então, Anastácia voltou o olhar para Alice.
— E a minha pequena artista? Posso ver o seu desenho também?
