Vingança

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Atenção: Nesse capítulo contém cenas fortes. Se tiver medo de sangue, eu não aconselho ler.

Antes de tudo, gostaria de agradecer de todo coração a minha amiga AmandaLuciano, que me ajudou com esse capítulo. 💖

-É hoje que eu saio dessa espelunca. - falou Sandra para si mesma, após esperar o guarda sair da sala, vomitar seu comprimido e dar para o rato.

Já havia dias que Sandra havia parado de tomar os remédios que segundo uma conversa que ouviu, a tornaria mais calma.
"Eles vão ver quem está calma! Titia ainda vai me pagar por tudo que fez!" -Pensou com raiva.

Hoje fazia mais ou menos um mês desde o dia que ela havia começado a pensar para escapar dali. Como sempre haviam paspalhos em todo lugar, e o seu paspalho era o segundo guarda que a vigiava no turno da noite. Um antigo colega de turma que ela não via a muito tempo, mas por ser bonita desde jovem, tivera uma paixonite por ela na adolescência. Sempre que ele a inspecionava, fazia-se de frágil e boa garota, como se tudo que falaram dela foi nada mais que um leviano engano.

Era quarta-feira a noite, e ela estava pronta para colocar seu plano em ação...

-Boa noite Sandra, seu jantar. -Falou após bater na porta fechada da solitária, para chamar sua atenção.

-Obrigada. -Respondeu mansamente antes de pegar o jantar pela pequena cavidade.

O guarda mal caminhou dois metros e foi capaz de ouvir um baque no chão, seguido de estrondo de metal.

-Oh, meu Deus... Sandra. -Falou o guarda desesperado ao correr até a porta e ver a moça desmaiada pela pequena janela na porta da cela.
Institivamente correu até a sala de primeiros socorros da prisão e pegou um pequeno kit para averiguar seu estado de saúde. Espiou a moça inconsciente e abriu a porta para ajudá-la. Passou a mão por seus cabelos loiros, já não tão brilhosos por ficar na cadeia, e virou-se para separar os equipamentos de pressão.
Enquanto estava virado, deixou a caixa medica aberta, já que a criminosa estava desmaiada. Em questão de segundos, Sandra abriu os olhos, pegou a seringa preparada com adrenalina e injetou na garganta do jovem sem dó, nem piedade.

-Sandra. - falou o guarda com os olhos arregalados enquanto sentia o liquido descer entre as veias.

-Sinto muito, mas não falo com gentinha. -Terminou a moça, antes de ver seus olhos fecharem e dar-lhe um beijo em sua cabeça por ele ceder a vida em prol de sua liberdade.

Pegou a chave da prisão de dentro do bolso de seu uniforme e pegou uma tesoura afiada da maleta, apenas por precaução. Em seguida trocou-se no vestiário com um simples roupa de faxineira e saiu pela porta dos fundos.
Embora uma boa moça como ela, não devesse saber o mapa de qualquer prisão, seus antigos namorados não eram lá um poço de moral e boa índole.

A caminhada entre a prisão e a casa de sua tia foi longa, se tudo saísse como o planejado, a encontraria de madrugada. A idiota de sua tia, e toda aquela gentalha que chamavam de família tinham o péssimo costume de não largar de velhos hábitos, seria fácil encontrar a chave de casa.
Pular o muro da mansão seria difícil, o que seria arriscado, mas completamente plausível, era atravessar a passagem no jardim que ligava a casa da tia com a do idiota do Dr. Araújo. Com o Cláudio sendo um invalido, ela já ouviu Ilde comentar que eles deixavam o portão da casa destrancado, pois não havia possibilidade do estrupício fugir na cadeira de rodas.

"Bons tempos compartilhar o meu veneno com Ilde" -Pensou enquanto abria o portão e caminhava lentamente até a passagem.

Perdida em pensamentos, esbarrou em um dos vasos espalhados pelo enorme jardim, que caiu com um baque na calada da noite. Abaixou-se e ao não ver ninguém destrancou a passagem e atravessou.
Ao lembrar de sua família idiota, caminhou até a porta dos fundos e vasculhou embaixo dos vasos em busca da chave para entrar. Abriu a porta e trancou-a novamente, retirando a chave da fechadura e guardando consigo. Com a tesoura na mão, caminhou até o telefone na sala e cortou o fio. Ninguém atrapalharia seu momento de vingança.
Subiu as escadas e abriu a porta do quarto da tia o mais delicado que pôde. Ao atravessar, trancou a porta e pegou a chave também.

O PerdãoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora