Depois de se despedirem de Sandra, Anastácia, Celso e Maria permaneceram por alguns instantes em silêncio no corredor do hospital. Foi então que Celso se lembrou de avisar Araújo.
A pedido da tia, dirigiu-se ao telefone do hospital e ligou para a Fábrica.
Naquele momento, Araújo já estava em seu escritório, organizando os primeiros assuntos do dia, quando foi chamado para atender a ligação.
Ao reconhecer a voz de Celso, seu semblante mudou imediatamente. Com poucas palavras, o rapaz lhe deu a notícia de que Sandra havia falecido. Araújo permaneceu alguns segundos em silêncio. Lamentava profundamente aquele desfecho. Apesar de tudo o que acontecera, ninguém merecia um fim tão trágico.
Celso então transmitiu o pedido de Anastácia para que a Fábrica fosse fechada naquele dia.
Sem hesitar, Araújo concordou. Informou que comunicaria pessoalmente os funcionários, em seguida, seguiria diretamente para o hospital.
Antes de desligar, pediu que Celso dissesse à tia que ela não estaria sozinha naquele momento.
Enquanto aguardavam a liberação do corpo de Sandra, o corredor voltou a mergulhar em um silêncio respeitoso.
Algum tempo depois, depois de comunicar aos funcionários o falecimento de Sandra, Araújo seguiu imediatamente para o hospital.
Ao chegar, encontrou Celso, Maria e Anastácia ainda aguardando os últimos procedimentos. Aproximou-se primeiro de Celso, apertando-lhe a mão com firmeza antes de abraçá-lo, oferecendo-lhe algumas palavras de conforto.
Em seguida, voltou-se para Anastácia.
Bastou um olhar para perceber o quanto aquele dia a havia abalado. Com delicadeza, segurou suas mãos por um breve instante.
— Eu sinto muito por essa tragédia...
Anastácia retribuiu o gesto com um leve aperto.
Ele então aproximou-se devagar, e abraçou-a delicadamente, num gesto respeitoso, mas carregado de carinho.
— Ela partiu em paz... — Respondeu baixinho. — Acho que Deus foi misericordioso com ela no último instante.
Araújo assentiu em silêncio. Conhecia Anastácia o bastante para perceber que havia algo por trás daquelas palavras. Havia algo que ela ainda precisava lhe dizer, mas não naquele momento.
Pouco depois, um funcionário aproximou-se para informar que o corpo de Sandra já havia sido preparado e liberado para o velório.
Respirando fundo, Celso reuniu forças para cuidar dos últimos preparativos da despedida da irmã. Ao seu lado, Anastácia, Maria e Araújo seguiram em silêncio, unidos pelo mesmo sentimento de respeito e compaixão naquele momento de despedida.
***
Após chegarem à mansão, os demais permaneceram na sala por um instante, enquanto Anastácia voltou-se discretamente para Araújo.
— Doutor Araújo... o senhor poderia vir um instante à biblioteca?
Ele percebeu, pelo tom sereno de sua voz, que havia algo importante a ser dito.
— Claro.
Poucos instantes depois, Anastácia fechou a porta da biblioteca com calma. Permanecera alguns segundos em silêncio, caminhando lentamente até as amplas janelas do cômodo.
