Cláudio se sente mal

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—Sarita? O que faz em minha cama?

Sarita sorriu descarada, e ergueu uma das pernas, insinuando-se para o homem, que estava apenas com uma toalha, envolta da cintura.

—Gostou das minhas pernas?
—Indagou atrevida.

Araújo a olhou nervoso. Há um bom tempo, que não tinha relações com uma mulher, e ver Sarita daquela forma, insinuando-se para ele apenas de calcinha e sutiã vermelho, era.... tentador para um homem, ainda mais nas condições em que se encontrava.

Mas pelos céus, não poderia cometer o erro de ter alguma coisa com Sarita dentro de sua própria casa... não podia ser tão desrespeitoso com seu filho pequeno, que encontrava-se no quarto ao lado.

—Sarita, é melhor você sair daqui antes que o meu filho...

—O Cláudio está muito entretido em seu quarto brincando com o Aladim, não há de desconfiar de nada!
—Sarita levantou-se e foi até ele, tentar provocá-lo de perto.

—Não vai me dizer que não gostou das minhas pernas...? —Falou ela, com o rosto próximo ao dele, jogando os braços em volta de seu pescoço.

—Não. Quer dizer... Er... você tem umas  pernas bem charmosas, não posso negar —Disse sem jeito. —Mas eu não acho uma boa ideia...

—Shhhh... —O calou, com o dedo em seus lábios, e sem perder mais tempo o atirou sobre a cama.

Araújo a olhou surpreso com tamanha ousadia da garota, sentindo a mesma lhe arrancar a toalha que cobria a sua nudez e logo em seguida ela foi retirando o sutiã de forma maliciosa, mostrando-lhe sem pudor os seios empinados e levando uma mão dele a acariciar os mesmos.

—Sarita!

—Cale a boca e me beija! —Se jogou sobre ele,

—O que estamos fazendo é... É uma grande loucura!

—Uma loucura que te dará muito prazer!

***

—Bom dia, queridos!
Dona Anastácia falou, ao sentar-se à mesa.

—Bom dia, titia/ Bom dia, Dona Anastácia. —Celso e Maria responderam juntos.

—Maria... Você de novo com esse uniforme...?

—Dona Anastácia, perdoe-me... Mas até eu me casar com o Celso eu prefiro continuar usando o meu uniforme, e eu gosto dele... —Sorriu.

—Não seja tão teimosa, Maria... Você já faz parte da família a muito tempo, e além do mais somos amigas.

—Maria é cabeça dura, titia! Eu também acabei de repreendê-la por causa disso...

Anastácia balançou a cabeça, discordando da atitude de Maria, que sorriu com a preocupação da mais velha.

***

—Eu preparei um café "especial," para os dois!

—Que bom, Sarita. —Araújo disse sem jeito, entendendo perfeitamente o que significava aquele "café especial," Cláudio por sua vez, ao olhar para os dois, sentiu um grande desconforto, não estava nenhum pouco satisfeito com a ideia de seu pai ter trazido ela para sua casa.

—Bom, você quase deixou queimar as torradas, mas... eu acho que dá para aproveitar alguma coisa... Espero que pelo menos o café esteja...

—O que foi isso, meu filho? —Viu Cláudio cuspir o suco na roupa de Sarita.

—Cláudio, olha só o que você fez com a minha roupa!

—Desculpe, é que esse suco tá muito ruim —Cláudio disse fazendo uma careta e viu o pai fazer o mesmo com seu café.

—O café também ficou péssimo! —Disse, levantando-se chateado.

—Espere, meu filho! Eu vou preparar alguma coisa pra gente comer, eu já volto!

Sarita saiu atrás dele.

—Não precisa ficar tão bravo, nem ficou tão ruim assim!
—Riu ela descarada, beijando seu pescoço por trás, enquanto ele tentava salvar o café da manhã.

—É melhor você ir parando com isso, se o meu filho desconfiar de alguma coisa, eu serei obrigado a te mandar de volta para o Dancig! Aliás, eu nem devia ter cometido a loucura de te trazer para trabalhar aqui, você nem se quer sabe fazer um café que preste!

—Não, não, por favor! Eu não quero voltar para o Dancig, eu não suporto mais a vovó! Olha, eu prometo que eu vou tentar fazer as coisas direito, e também hei de me comportar quando estivermos perto do Cláudio...

—Acho bom! —Araújo disse sério.

—Deixa eu ajudá-lo com isso...

***

Mais tarde...

—Dona Anastácia? —Araújo ficou surpreso, ao abrir a porta e ver a viúva.

Desde o dia em que ele a beijou no jardim, que Dona Anastácia não havia mais ido em sua casa, o que o deixara bastante incomodado e aflito.

—Boa tarde, doutor —Falou séria, desviando o olhar dele, e olhando para dentro da casa. —C-como está o Claudinho?

—Por favor, entre Dona Anastácia —Falou sem jeito.
—O Cláudio acabou de me pedir para levá-lo em sua casa, queria brincar um pouco com a fadinha  —Forçou um sorriso, não conseguindo disfarçar seu nervosismo diante da viúva.

—Ah, e porque não o levou?

—Er, eu... achei que a senhora estava evitando me ver depois daquele...

Sarita o interrompeu:

—Doutor Araújo, o Cláudio está se sentindo mal.

Ao ouvir aquilo, Dr. Araújo e Dona Anastácia se olharam assustados. Anastácia até havia estranhado a presença de uma mulher tão jovem  em sua casa, mas ficara tão preocupada com Cláudio, que acabara ignorando esse detalhe.

—O que ele tem?
O pai indagou nervoso.

—Disse que está com uma dor muito forte na barriga!

—Sarita, ligue agora mesmo para o doutor Lauro, por favor venha comigo Dona Anastácia!

Anastácia o acompanhou. Ambos muito assustados com aquela situação.

***

—Meu filho, o que você tem?

—Pai, está doendo muito —Gemeu Cláudio com a mão na barriga.

Araújo olhou para o filho com aflição, em seguida para Dona Anastácia, sem saber o que fazer naquele momento, e para piorar a situação, Sarita apareceu no quarto dizendo que o telefone não estava funcionando.

—Não pode ser! Você tem certeza?

—Calma, doutor Araújo, eu vou agora mesmo na minha casa e ligo para o doutor Lauro!
—Anastácia saiu praticamente correndo, mas pôde ouvir quando ele agradeceu aliviado.

***

—... Calma, meu filho, tente respirar fundo... Doutor Lauro não há de demorar.

—Dona Anastácia! A senhora conseguiu falar com ele?
—Indagou ao vê-la voltar.

—Sim, graças a Deus! Ele já está vindo aí! Vai ficar tudo bem, querido...
—Disse ela, segurando firme não mão do menino, e nesse momento, Dr. Araújo a olhou com admiração, pensando em como ela conseguia acalmar Cláudio, apenas com a sua presença.

Realmente, ela teria sido a Mãe ideal para o seu filho...

Enquanto isso, Sarita fingia preocupação pelo menino, mas a única coisa que a interessava naquela casa, era o pai dele.

O PerdãoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora