00- Prólogo

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Julie Molina

Minha casa estava cheia de pessoas que eu mal conhecia, mas, vinha a cada instante me parabenizar por eu ter passado em primeiro lugar na faculdade de Medicina de uma das Universidades mais famosas de Los Angeles.

- Fiquei muito feliz quando seu pai me ligou hoje pela manhã, senhorita Molina. - um homem que vestia terno de grife dizia ao lado de sua mulher que esbanjava elegância. - Essa é uma nova fase da sua vida, parabéns.

- Obrigada. - sorri como agradecimento. Eu já havia agradecido milhares daquelas pessoas que rodeavam a mansão e nem se quer sabiam direito o meu nome.

- Senhorita Julie, aceita alguma bebida? - um dos garçons apareceu na minha frente segurando uma bandeja enorme onde continha várias taças com bebidas de todos os tipos.

- Água, por favor. - Ele me olhou estranhamente e eu tinha quase certeza que era por conta do meu pedido, mas logo assentiu me entregando um pequeno copo - já que tomar água em taça é deselegante, não é mesmo? - E eu o desejei tomar em um gole, mas papai provavelmente me mataria por estar sendo tão mal educada em público.

- Querida, se aproxime de nós, por favor. - A voz do meu pai ecoou pelo ambiente e lá era a hora de eu esbanjar sorrisos falsos. Ótimo. - Meus colegas de trabalho querem te parabenizar.

- Oh, obrigada. - Sorri abertamente pra todos.

- Não são todos os dias que passamos em uma faculdade tão desejada como a sua senhorita. - Um deles falou.

- Puxou ao pai. - Meu pai dizia com tanto orgulho.

Não achem que o meu pai é médico, oh não, fora de cogitação. Ele trabalhava com eventos importantes, ajudou a produzir diversos discos famosos como do Michael Jackson e da Beyonce.

Havia uma equipe enorme por trás disso tudo e ele era o diretor.

Lá rolava muito dinheiro em diversos aspectos, meu pai ainda achava que eu era inocente, porém não me esqueço de quando ouvi no seu escritório uma conversa que envolvia a mídia.

Devo dizer que a maioria dos relacionamentos de celebridades era tudo fachada, a maioria começava a namorar após sair da clínica de reabilitação e mostrar aos telejornais o quanto se distanciar das más línguas o ajudou.

Talvez ajude mesmo, porque o campo da música é como um jogo minado: em cada passo uma bomba, ainda mais para aqueles que estão na boca do povo, e era exatamente desses com quem o meu pai trabalhava.

Minha mãe permanecia no seu grupo de mulheres fúteis, assim como ela. Não ache que eu a odeio, isso seria ridículo da minha parte já que ela foi uma mulher boa por ter me gerado e cuidado de mim sempre tão bem, mas agora comigo e com o meu irmão Carlos já grande o suficiente, a única coisa que saia da sua boca era as diversas roupas novas que ela comprou ao passar o dia inteiro no shopping ou a nova marca de esmalte que saiu e ela foi uma das primeiras a estrelar.

Meu irmão tinha apenas 12 anos e estava se tornando uma pequeno rei, mas não o culpo por isso, minha mãe o leva em todos os lugares aonde vai e qual menino não iria gostar de passear ao shopping e ganhar tudo o que quiser?

Já fui da época onde minha mãe passeava comigo em todos os cantos, mas desde meus 15 anos decidi querer ser médica e sempre tive o apoio dos meus pais, graças a Deus isso nunca me faltou. Então, eu estudava em período integral e o tempo livre que eu tinha era pra dormir ou estudar ainda mais.

No último ano eu me privei de quase todas as minhas amizades, mantendo contato diariamente apenas com Flynn e Carrie, minhas duas melhores amigas atualmente.

Flynn também havia passado na Universidade junto comigo, já Carrie ainda aguardava resposta.

- Querida, temos uma surpresa pra você. - Meu pai disse em voz alta enquanto vinha na minha direção. Todos os olhares da festa estavam sobre mim e eu odiava isso, odiava ser o centro das atenções. - Você sempre me cobrou tanto por eu trazer esse pequeno garoto em casa ou então, que eu te levasse a um show dele. Acho que finalmente os anjos ouviram suas preces. - Ele riu, levantando a sua taça do uísque mais caro. - Pode deixá-lo entrar. - Ele pediu aos seguranças que permaneciam na frente da porta de entrada da mansão e que imediatamente, o abriu.

Oh céus, eu conhecia tão bem aquele sorriso... Diversas vezes foi considerado o mais lindo durante um grande tempo. O seu cabelo estava alinhado de forma tão perfeita que eu podia jurar que era mentira, mas estava em um topete impecável. Sua roupa continuava do mesmo modo que eu sempre vi em fotos: uma jaqueta de couro e uma calça preta, nos seus pés ele calçava o seu famoso tênis que cabia dois pés dentro, mas de qualquer forma ficava perfeito nele.

Ele usava um óculo de sol mesmo sendo de noite e aquilo me deixou um pouco revoltada porque eu queria tanto ver os seus olhos.

Sua língua passou preguiçosamente sobre seus lábios avermelhados, molhando-os no mesmo instante. Ele não sabia, mas aquilo me deixava um tanto quanto louca.

- Luke Patterson? - Perguntei, tentando raciocinar toda aquela ideia.

Daylight - JukeOnde histórias criam vida. Descubra agora