- CAPÍTULO I - ELEFANTE -

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    Katsuki Bakugo, cresceu com seu temperamento questionável e suas atitudes nada louváveis, ouvindo desde criança o quanto se apaixonar era extraordinário e que conheceria aquilo que somente os abençoados conhecem, quando encontrasse sua pessoa destinada. Ele com certeza não foi o único tolo deste mundo que acreditou nessa "lorota". Todavia, Katsuki sendo um garoto aplicado, disciplinado, metódico e com um foco formidável e nada displicente com o seu futuro, não acreditava no amor, na verdade, ele nunca pensou sobre isso. Tristemente para ele, logo entenderia que talvez se apaixonar não fosse tão "extraordinário" como ele se cansou de ouvir, e isso ocorreu quando ele deixou de conhecer sua pessoa destinada. Eu entendo que talvez estejam confusos, pois por via de regra as pessoas costumam se apaixonar quando conhecem alguém, então foi uma surpresa quando alguém que Katsuki costumava pensar conhecer e julgar erroneamente mudou, e a partir daqui, irei narrar a trajetória de Katsuki e sua paixão, épica e trágica.

_____

    Foi numa sexta-feira a tarde quando Katsuki após cumprir com todas as suas obrigações, ouviu batidas lentas e firmes na sua porta. Ele não se encontrava nos aposentos da U.A, na verdade estava na casa de sua mãe, esta que por sua vez preparava uma torta de algo bem cheiroso na cozinha, e por isso cobrava para que o jovem atendesse logo em seu lugar:

- Olha só Katsuki, se me fizer gritar de novo para que abra essa maldita porta, eu vou te deserdar! Mas antes eu te garanto uma boa surra! - Mitsuki obviamente compartilhava do temperamento explosivo e fervoroso de seu filho.

- Essa velha. - o jovem com seus cabelos espetados de cor marfim sussurrou com um bico bem evidente de irritação.

- Sabe bem que meus ouvidos são ótimos seu bastardo! - ela gritou espumando pela boca com uma colher de pau exalando vapor.

    Mesmo com seu dia a dia comum de treinamentos, estudos e a convivência "pacífica" com seus pais, era notável que havia um clima denso naquela casa. Algo como um elefante no meio da sala, um assunto desconfortável que ninguém queria tocar. Entretanto, a negação daquela família estava prestes a ruir.

- Senhora Midoriya? - o jovem sabia diferir sua rivalidade exagerada com o filho da senhora a quem atendeu e o seu tratamento com os mais velhos, e por isso costumava ser bem gentil com Inko Midoriya, ou pelo menos educado. - Como posso ajudar a senhora? - quase que imperceptível, mas com boa observação notava-se uma fina instabilidade no semblante de Katsuki quando respondeu, como se estivesse pisando em ovos.

- A... b... boa tarde Katsuki, espero que esteja bem. - suspirou - Como vão as aulas? - a senhora sorria e demonstrava interesse, mas era perceptível que seu sorriso era vazio e seu olhar sem o brilho característico que pertencia aos Midoriyas.

-A... está tudo indo muito b... está tudo...

- Tudo bem. Não se preocupe. - a senhora afagou seus cabelos com o mesmo sorriso sem conteúdo, e entrou quando Katsuki deu passagem.

- Ah... Inko! Como você está? - a carranca irritada de Mitsuki se desfez rapidamente quando viu sua melhor amiga parada na sala, segurando uma cesta de frutas cortadas com um semblante ensaiado.  - Que pergunta a minha.

- Bom... estamos levando. Mas... eu não vim aqui só para trocar amenidades. Eu tenho uma notícia e um triste convite para vocês. - aqui ela já não sustentava seu semblante falsamente feliz, e permitiu que uma lágrima fria rolasse pelo seu rosto. E depois outra lágrima, e depois mais outra. Até que seus joelhos cederam e com suas mãos trêmulas no rosto, formulava frases interrompidas por soluços estridentes. Sem pensar duas vezes, Mitsuki correu acolhendo sua amiga em seus braços e repetindo palavras de conforto, todas em vão. As frutas da cesta estavam jogadas pelo chão, frias como as lágrimas de Inko Midoriya.

𝐕𝐞𝐫𝐝𝐞 𝐞́ 𝐚 𝐜𝐨𝐫 𝐝𝐨 𝐦𝐚𝐥Onde histórias criam vida. Descubra agora