Fazia quatro meses desde que Marília e Maraisa haviam admitido seus sentimentos. Elas não estavam namorando, mas se tratavam como se estivessem. Sua relação era como um namoro não assumido, nem delas para si mesmas.
Maraisa sempre que podia, dormia na casa de Marília aos finais de semana, e vice-versa. Eram os únicos dias em que elas conseguiam respirar fora do internato.
Marília lia atentamente ao texto da página de sua apostila que estava sobre suas mãos. Ela estava no intervalo, sentada em uma das cadeiras do refeitório. Maraisa, como uma menina travessa, a observou de longe e tratou de chegar perto da loira aos poucos, para dar um dar-lhe um susto quando estivesse próxima o suficiente.
Seus passos eram silenciosos e minúsculos, pisava leve enquanto andava até sua menina.
Para sua surpresa, Marília virou-se com um sorriso estampado em seu rosto. Ela havia reconhecido o cheiro e a presença de Maraisa.
- Sabia que era você. - A loira disse ainda sorrindo. - Seu cheiro é forte, Carla. - Inalou o cheiro doce.
- Perdeu de ganhar um susto meu dos grandes. - Maraisa disse, puxando uma cadeira para se sentar. - O que está estudando? - Disse interessada, olhando para a apostila aberta.
- História, estou dando uma revisada para o teste de quarta-feira.
- Você é a menina mais inteligente que eu já conheci, Dias. Meu coração se enche de orgulho de você. - A morena falou com a mão em seu peito esquerdo. Marília apenas sorriu sentindo suas bochechas esquentarem.
- Como foi com a diretora e sua mãe? Ela ainda quer levar você... embora? - Marília disse a última frase com um aperto no peito, não se imaginava longe de Maraisa.
- Dona Almira é um pouco difícil de lidar, dengo. Ela está pensando que uma nova escola fará bem para mim e Maiara, mas eu sei que não. Não quero ficar longe de você. - Sua mão foi de encontro com a da loira.
A sra. Pereira observava como a relação com suas filhas não estava bem, e isso já fazia muito tempo. Ela achava que o motivo disso poderiam ser as amizades das gêmeas, pensou serem más influências, e para mudar isso, colocou em sua cabeça que teria de mudá-las de escola. Mas todos, menos ela, sabiam que essa não era a razão da má relação com suas meninas. Resultado da falta de diálogo e compreensão entre as três.
Naquela manhã a sra. Pereira havia ido ao colégio conversar com a diretora sobre a mudança de escola, os benefícios que isso lhe traria. Ela estava realmente focada nisso. A diretora, tendo total noção do quão bem aplicadas e boas alunas as gêmeas eram, tentou a todo custo convencer a mulher à sua frente o contrário.
Foi uma longa conversa, diversas opiniões eram expressas dentro da enorme sala da diretoria enquanto Maraisa esperava sentada em uma cadeira perto das duas, podendo falar somente quando lhe perguntassem algo. Sua mãe não gostava que ela a contestasse.
- Você tentou falar com ela em casa, conversou de forma calma? - A loira questionou afagando a mão de Maraisa.
- Ainda não, mas preciso tentar. Não é muito fácil acontecerem diálogos entre eu e minha mãe, mas para ficar perto de você eu saio dessa zona de "conforto" e tento de tudo. - Maraisa sorri fraco. - Mas vai ser tão... difícil. - Olhou para cima, sentindo seus olhos queimarem aos poucos e encherem de água.
- Vamos resolver isso com calma, tudo bem? Vocês podem tentar construir uma amizade aos poucos, claro que isso não aconteceria do dia pra noite. Estarei ao seu lado, tenha certeza disso. - Marília levou a mão de Maraisa aos seus lábios, beijando ali.
- Mendonça, adorei a forma como você animou seu time ontem. Você carrega as cheerleaders nas costas! - Gizelly, a presidente do grêmio estudantil, disse ao chegar ao refeitório e se aproximar da loira. Ela não admitia, mas no fundo tinha desejos pela líder de torcida.
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The Cheerleader | Malila
FanfictionEsta história retrata uma paixão de adolescência, forte, avassaladora e intensa. Mas o que acontece quando se percebe que a paixão vira amor? Pior ainda, e quando só se nota isso quando inicia o fogo cruzado? Insistir ou desistir? Ir ou ficar? Sim o...
