Deidara
Se você pudesse apenas me salvar
Eu estou me afogando nas águas da minha alma
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Eu não estou dormindo muito bem já tem algum tempo, sempre que fecho os olhos eu acordo cercado por chamas impiedosas, dividido entre meus pais e aquele homem de preto, incapaz de me mover.
-Senhor Deidara? Pode entrar, é a sua vez.
A secretária morena do psicólogo sorriu com o mesmo olhar de pena como em todas as vezes que eu venho aqui. Odeio esse olhar compassivo, mas hoje me sinto digno desse olhar. Eu caminhei pelo corredor curto, minha sombra refletida nas paredes se movendo como a cortina de fogo na minha casa. Precisei apertar os olhos para clarear minha cabeça.
O consultório tem um estilo diferente, parece mais uma sala de estar do que com um cômodo de uma clínica de psicologia. Gosto das cores, as paredes não chegam a ser brancas, elas estão mais para a cor de gesso, duas poltronas lado a lado marrom escuro e aveludadas, uma bege na outra ponta do tapete cor de palha com desenhos marrons e pretos formando o que para mim são pequenos redemoinhos. Me sinto confortável aqui, embora eu não confie muito no Takahiro.
Ele é um homem com uma aparência fechada, traços fortes e marcados que lhe dão uma aparência carrancuda que não combina muito com uma pessoa que deveria confortar outras pessoas. Talvez seja pela sua aparência fechada que eu não consigo confiar muito nele. Ele me recebeu com o mesmo sorriso singelo de sempre, o mesmo tablet na mão e a mesma xícara fumegante no móvel pequeno ao seu lado direito. Tudo sempre a mesma coisa.
-Bom dia, Deidara. Aceita um chá?
-Não, obrigado - Me sentei na poltrona mais longe dele, o seu olhar não me incomoda muito quando estou aqui.
-Eu esqueci, você prefere café, não é? Eu comprei uma máquina nova, quer provar?
Ele apontou para a parede atrás de mim onde ele colocou uma mesinha quadrada de madeira clara, alguns copos descartáveis de isopor e uma máquina pequena, brilhando no tom de vermelho. Escolhi a cápsula de mocaccino de canela, um dos meus favoritos.
-Como você passou esses meses?
-Bem.
-E o Sasori?
-Bem também.
Takahiro esperou que eu sentasse com o meu copinho de isopor esquentando meus dedos frios antes de começar suas perguntas. Faz três meses que eu não venho e fui varrido por perguntas irritantes e invasivas.
-Os pesadelos são mais frequentes... Aconteceu alguma coisa específica antes deles começarem?
-Nada fora do comum.
Takahiro franziu a testa - Você não confia em mim, eu sei disso e te respeito, mas você precisa confiar um pouco para que eu possa te ajudar.
Fiquei brincando com o resto do líquido do meu copinho, olhando para ele com o rosto baixo tentando entender como ele poderia pedir confiança.
Eu me consultava com a mesma psicóloga por dois anos e estava progredindo lenta, porém continuamente. Quando eu contei sobre a primeira agressão do Sasori eu vi preocupação verdadeira nos seus olhos, não só misericórdia e sim uma empatia quase maternal.
Entretanto, depois que ela sofreu um mau súbito, fui forçado a encontrar outro psicólogo e vim parar com o Takahiro depois que Sasori nos apresentou, pelo o que eu sei, os dois são amigos desde a faculdade. Na única vez que eu comentei sobre o ciúmes do Sasori, mal cheguei em casa e precisei me explicar para ele e claro, isso não acabou bem.
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O Vazio das Chamas
Fiksi PenggemarUm incendiário. Um perfilador. Um sobrevivente. Um agressor. Deidara, um universitário tentando lidar com o vazio que as chamas deixaram. Obito, um perfilador em busca de um sentido a amais para a sua vida. Sasori, um residente em cardiologia sem co...
