Obito
No seu pior momento, no meio da noite
Eu vou compensar você
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Quando tinha por volta de onze anos, encontrei um gato ferido no caminho que eu fazia para voltar da escola. O pequeno felino de pele alaranjada estava com o pelo emaranhado de sangue e mal conseguia mexer as patinhas direito, mas assim que peguei para ir para casa, ele reagiu com uma vivacidade que parecia não existir no seu corpo. Com as garras de fora e sibilando baixinho ele deixou claro que estava pronto para me atacar.
Demorei um bom tempo para conseguir ganhar a sua confiança, mas quando eu consegui por fim pegar ele no meu colo, lembro que ele ronronou e se esfregou no meu peito como se agradecesse por eu não ter desistido dele. Ter Deidara em meus braços, com o rosto escondido no meu peito me fez lembrar daquele gatinho.
De todas as respostas que Deidara poderia me dar, de todas as formas que ele poderia ter feito, ele escolheu fazer isso de uma forma que quebrou totalmente os limites que coloquei em minha mente enquanto esperava por sua decisão. Não sei bem o que me permitiu tocar seu coração e segurar suas mãos, sei apenas que nesse momento sinto que entendo melhor as decisões que meu primo tomou há quase meio ano.
Deidara apoiou o queixo no meu peito e tirei a franja dos seus olhos para poder ver seu rosto melhor. Ele franziu as sobrancelhas com isso.
-Por que você sempre faz isso?
-Gosto dos seus olhos - Dei de ombros.
Ele mordeu o lábio e seu olhar se perdeu junto com seus pensamentos, uma expressão nada boa para minha mente cheia de libertinagem.
-Acho que estou ficando louco.
-Hã?
Eu o apertei mais no meu abraço, nenhum espaço restante entre nós.
-Obito?
Eu segurei sua mão junto ao meu rosto e beijei a sua palma, de olhos fechados mordi a parte gordinha do dedão dele. Ouvi ele arfar, um som surpreso e carente que agitou meu estômago. Beijei sua palma outra vez e percorri desde a palma até seu pulso num toque suave da minha boca.
-Não!
-Você quer que eu pare?
Eu soltei seus dedos trêmulos e beijei seu pulso, depois de erguer a manga da sua blusa, beijei cada pedaço de pele que lembro já ter visto marcas hereges e cruéis. Assim como antes, fui avançando devagar, testando seus limites, com medo dos impulsos necessitados que eu estava sentido.
Quando mordi seu ombro por cima das tramas do tricô, Deidara arfou mais pesado e eu parei de avançar.
-Você quer que eu pare? Farei o que você quiser.
Ele olhou meus olhos como se pudesse ler meus pensamentos imorais sobre ele. O quão fácil seria pressionar seu corpo contra a parede e exigir o toque dos seus lábios? Mas eu o conheço bem o bastante para saber que esse tipo de aproximação não dará sua confiança de corpo e alma.
-O que você quer que eu faça, Deidara-senpai?
Sua resposta não veio até que as batidas sofridas no meu coração chegassem ao limite. Seus lábios tremeram e suas sobrancelhas se apertaram, ele estava angustiado. Soltei o aperto ao redor do seu corpo para lhe dar espaço, e não pude ir muito longe. Deidara abraçou meu pescoço e, de olhos fechados, me puxou um pouco para baixo.
-Você é hetero - Ele falou baixinho perto da minha boca.
-Eu não tenho mais certeza disso.
Eu me lembrei da conversa com meus amigos onde minha sexualidade foi alvo de descrenças e acabei rindo por imaginar a reação deles quando souberem o que eu estou fazendo. Deidara me empurrou para longe assim que me ouviu rir.
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O Vazio das Chamas
Fiksi PenggemarUm incendiário. Um perfilador. Um sobrevivente. Um agressor. Deidara, um universitário tentando lidar com o vazio que as chamas deixaram. Obito, um perfilador em busca de um sentido a amais para a sua vida. Sasori, um residente em cardiologia sem co...
