Cinco anos não bastaram para que Agnes superasse o passado, mesmo conseguindo tudo aquilo que queria, o desejo de vingança contra os Salles permanece vivo em seu peito. Agora, ela tem uma chance de fazê-los pagar por todo mal que lhe causaram, os a...
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Eu tracei um roteiro perfeito, digno de concorrer ao Oscar na categoria "Melhor Roteiro Original", eu brilharia num tapete vermelho ao lado de nomes como Coppola e Tarantino. É realmente uma pena não poder assumir a autoria por ele.
Camilla e eu viajaríamos para o norte do país no helicóptero pessoal do Daniel, que surpreendentemente ela pilota. Longe de Madrid e segura de ser acusada por isso, eu vazaria todo o material que o Pietro conseguiu para mim. Enquanto a bomba estivesse explodindo sobre a cabeça do Salles, eu manteria a sua empresária ocupada degustando bons vinhos e sendo enredada pela a história da minha brilhante atriz principal, Melissa Ferraz, ou melhor dizendo, Daphne Kluger.
E tudo correu como eu esperava, na tarde do primeiro dia encontrei a Camilla no aeroporto privado fora da cidade e partimos juntas para Valladolid. Mesmo estando com a cabeça a mil, me apaixonei pelo lugar, mais um para a lista de lugares da Espanha que me cativaram. Nos hospedamos em um hotel localizado na região dos vinhedos e no jantar eu "coincidentemente" reservei uma mesa para nós ao lado da mesa da Daphne, que por acaso escutou nossa conversa e se intrometeu, com ares de especialista no mercado de vinhos.
Dei a primeira tacada, acertando direto no alvo, as duas conversaram por horas e horas, enquanto eu abastecia a taça da Camilla de vinho, fazendo-a falar pelos cotovelos e perder todo o bom senso de advogada, não percebendo as pequenas falhas no arsenal da Melissa. No dia seguinte eu assumi meu papel de coadjuvante e deixei as duas trabalhando juntas, como futuras parceiras de negócios. Enquanto isso, eu permanecia no celular arquitetando meu ataque direto em Madrid.
Às duas da tarde, após o nosso almoço, elas já estavam mais do que acertadas para fechar um acordo real quando retornassem a capital, e eu disparei o torpedo, liberando a notícia do atropelamento para os principais jornais à que tenho acesso. Pedi champanhe para nós três e ofereci um brinde ao futuro, ao meu futuro, no qual tudo o que eu planejei deu certo com sucesso.
Claro, que como o esperado, o Daniel ligou para a Camilla desesperado e ela voltou sem mim para Madrid, afim de socorrer o bebê chorão. Sozinha com a Melissa, comemoramos e traçamos a segunda parte do plano.
Tudo tão perfeito que eu até escutava "We Are The Champions" do Queen ecoando nos meus ouvidos.
Isso, até a manhã seguinte...
Agora, assisto na tv do quarto de hotel, transmitindo para o mundo inteiro, um pedido de desculpas do Daniel, com toda a pompa e encenação que só ele sabe fazer.
— Cretino! – Grito, jogando minha taça contra a parede.
Ela acerta as pedras rusticas com força e se parte em mil cacos no chão.
— Ai, Jesus! – Melissa dá um pulo da cama tirando a máscara de dormir. — O que aconteceu?
— Esse... esse asqueroso, nojento de uma figa acabou com tudo que eu planejei para ele. – Choramingo, fechando as mãos em punho.