Cinco anos não bastaram para que Agnes superasse o passado, mesmo conseguindo tudo aquilo que queria, o desejo de vingança contra os Salles permanece vivo em seu peito. Agora, ela tem uma chance de fazê-los pagar por todo mal que lhe causaram, os a...
Ops! Esta imagem não segue nossas diretrizes de conteúdo. Para continuar a publicação, tente removê-la ou carregar outra.
O impacto do trem de pouso do avião sobre a pista faz com que minha enxaqueca piore, e eu precise cobrir minha boca com a mão para não gritar. Ter chorado metade do tempo de um voo de 11 horas contribuiu bastante para o meu atual estado de dor inenarrável e rosto inchado, sem falar dos olhos vermelhos que me deixam parecida com um monstro de animação infantil.
A comissária autoriza a descida e me levanto para pegar a mala no bagageiro, sendo ajudada por um senhor que viajou ao meu lado, uma vez que não alcanço nem pulando na ponta dos pés. O agradeço e entro na fila para descer do avião, tenho duas horas na escala feita em São Paulo, o que me dá tempo para pagar por um banho e soar mais apresentável para o segundo e curto voo de uma hora.
No meu destino tomo um táxi para o hotel que meu secretário reservou, fica localizado próximo ao centro, olhando pela sacada consigo ver a escola de teatro que frequentei, mas que agora é uma loja de produtos asiáticos. Tudo mudou, o lugar e eu.
Não sou acometida por nenhuma lembrança espontânea, meu mal-estar se deve ao fuso-horário de cinco horas positivas de Madrid. Solicito ao serviço de quarto que me mandem uma aspirina dupla, e desabo na cama assim que a engulo, exausta demais para fazer qualquer outra coisa que não seja dormir.
Acordo de madrugada, por volta das três da manhã e já recuperada. Me arrumo minuciosamente para poder sair cedo, assim que o sol despertar. Uso minhas roupas habituais, calça de corte reto num tecido verde pastel que combinava com o blazer que acabei dispensado antes de descer para o café-da-manhã, por conta do calor tropical.
O carro que pedi por aplicativo me deixa exatamente no endereço que o Daniel me passou por mensagem. É uma loja de assistência técnica com duas portas frontais pintadas em azul, e um desenho de um pinguim sob o slogan.
— Tem certeza de que é aqui? – O motorista pergunta, me encarando pelo retrovisor. — Não parece um estabelecimento muito chique. – Ele dá uma risadinha, claramente percebendo o contraste entre a minha pessoa e o lugar.
— Com certeza é aqui. – Murmuro e confiro se não estou deixando nada dentro do carro. — Muito obrigada. – Agradeço e desço, subindo na calçada imediatamente.
Entro na loja e vejo inúmeros aparelhos desmontados no canto, o que parecem ser ar-condicionado e geladeiras, além uma enorme quantidade de fios e ferramentas espalhadas pelo chão. Desvio deles, tomando cuidado para não cair sobre meus saltos.
Um garoto vem ao meu encontro, segurando uma nota de dez reais em sua mão de maneira desatenta. Ele me olha da cabeça aos pés repetidas vezes, e arregala os olhos.
— Posso ajudar, dona? – O menino me questiona e noto que ele tem um leve problema de dicção, talvez a língua presa.
— Claro. – Afirmo, olhando em volta. — O Lucas se encontra?
— O Lucas? – Ele pergunta, parecendo confuso. — É... – O garoto olha para trás, para a porta aberta de onde saiu. — Ele tá lá no fundo.