Cinco anos não bastaram para que Agnes superasse o passado, mesmo conseguindo tudo aquilo que queria, o desejo de vingança contra os Salles permanece vivo em seu peito. Agora, ela tem uma chance de fazê-los pagar por todo mal que lhe causaram, os a...
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Pisco algumas vezes, tentando definir a imagem borrada diante dos meus olhos. Acho que é um dragão... ou seria uma cobra entrelaçada por algumas flores? Seja o que for, deixa ele mais bonito. Tatuagens tem esse efeito nos homens, assim como maquiagem para as mulheres, ressalta a beleza.
Me afasto devagar para não o acordar, odeio quando pego no sono e tenho que sair na ponta dos pés, parecendo uma ladra, ou algo do tipo. Poderia ficar até amanhã cedo e sair como uma pessoa normal, assim como poderia beijá-lo em público, ou pelo menos me permitir gostar dele, mas é melhor assim, sem amor, sem dor.
Sento na beirada da cama e minha cabeça dá um giro, acho que bebi vinho demais, parei de contar na quinta taça que a Melissa me estendeu enquanto jantávamos. Recupero o equilíbrio e consigo me levantar, procuro minhas roupas, e só encontro o vestido e os saltos. Desvio o olhar rapidamente para o Juan, me perguntando onde foi parar a minha calcinha, não gosto de deixar para trás provas do "crime". Me visto unicamente com o vestido e junto meus longos fios de cabelo castanho em um coque, pareço quase uma pessoa decente, que não estava na cama com um dos contratados do meu escritório.
Pego os saltos na mão, e quase escorrego na camisa azul jogada no chão, estampada o brasão do time e o número 9 nas costas, com um JUAN, em letras maiúsculas... velhos hábitos não morrem, e o tempo não cura a minha atração por jogadores.
Consigo sair do quarto sem despertá-lo. Em silêncio, passo pelo corredor e encontro uma recém desperta Melissa na sala de estar, já se vestindo, e deixando adormecido o seu mais recente casinho de uma noite, um primo do Juan. Ela olha para mim e leva o dedo indicador até os lábios, pedindo por silêncio. Assim que ela se recompõe, abandonamos juntas a cobertura do melhor atacante de toda a Argentina.
Melissa é a amiga ideal, ela não me julga, até porque suas escolhas são piores que as minhas, eu pelo menos mantenho um caso fixo com o Juan há quase um ano... já ela.
Só nos permitimos fazer barulho quando chegamos ao meu carro, estacionado na vaga de visitante do prédio. Ela ri, e eu fico a encarando sem entender.
— O que foi, maluca? – Pergunto, sentindo vontade de rir também.
— Parecemos duas criminosas fugindo após assaltar um banco. – Explica ela, secando os olhos azuis lacrimejantes. – Algo meio Sandra Bullock em Oito Mulheres e Um Segredo.
— Roubar jóias traz menos consequências do que se apaixonar. – Rebato e ela me aplaude. — Como foi com o Patrício? – Pergunto, sempre conversamos sobre os homens de uma noite só que ela sai.
— Legalzinho, nada que me tire o fôlego ou faça querer repetir a dose.
Ligo o carro e saio do estacionamento, pegando a avenida para deixá-la em casa antes de ir para minha. Abro a janela do carro assim que ela acende o cigarro, não gosto de deixar o cheiro impregnar nos bancos, minha mãe sempre repara e pergunta se eu ando fumando. Amo dirigir, é uma das coisas que mais faço desde que me recuperei da cirurgia reparadora, também corro e pratico exercícios com frequência, testando a minha perna que parece novinha em folha, a não ser pelas novas cicatrizes que ficaram com a cirurgia realizada há três anos.