Capítulo 7: Daniel

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Meus olhos acompanham o farfalhar dos fios de cabelo rosa indo em direção ao portão de saída do aeroporto

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Meus olhos acompanham o farfalhar dos fios de cabelo rosa indo em direção ao portão de saída do aeroporto. Fui eu quem atropelei o carrinho dela, mas agora tenho a sensação de que um caminhão passou por cima de mim. Por alguns segundos achei que estava vendo a Agnes, como se ela houvesse caído do céu bem na minha frente, apenas por uma ironia do destino. O mesmo tom de pele, o nariz arrebitado de quem sempre está pronta para dar um sermão, os traços diminutos do corpo e os lábios cheios que conheço bem... só que não era ela.

Angel.

Repito o nome em minha cabeça, com certeza combina com a aparência angelical dela, mas não com aquele humor do diabo, achei que ela fosse me dar um soco por conta de um simples atropelão em sua bagagem. Não era a Agnes, não mesmo, apenas uma dessas pessoas parecidas, eu mesmo tenho alguns sósias no mundo.

Essa mulher, apesar de pequena, tinha a postura de alguém que se acha grande, ombros para trás, peito estufado, voz firme e a constituição sólida, sem falar da ousadia do cabelo rosa junto ao traje de negócios elegante. A Agnes tinha mais o jeito de alguém que não quer chamar atenção e se encolhe ao menor sinal de constrangimento... e bom, se fosse ela, teria sido amigável antes de rosnar para mim por conta de alguns objetos no chão.

Sigo em direção ao segundo andar para fazer o check-in das minhas passagens para a Alemanha, ficarei lá por três dias para gravar um comercial para uma marca de carros. Minhas canelas ainda doem por conta do impacto com o carrinho de malas, devia ter chamado a atenção dela também, pois se não estou engando me lembro de tê-la visto digitando em vez de olhar para frente.

Balanço a cabeça e respiro fundo ao empurrar minha documentação para a moça do guichê, no mísero segundo em que acreditei ser a Agnes na minha frente, eu fiquei feliz a ponto de agradecer o universo por atender ao meu pedido de aniversário. Mas pensando bem, seria uma sacanagem sem tamanho trazê-la de volta justo quando decidi seguir em frente, eu apenas machucaria mais um par de pessoas tentando ajeitar tudo.

Os dias na Alemanha são metódicos, fico na casa de um amigo jogador, gravo o comercial, faço um passeio turístico e logo volto para Madrid, não dá para ficar longe por muito tempo agora que iremos iniciar o campeonato espanhol.

Assim que chego sou avisado que a Camilla está em uma videoconferência, não gosto de atrapalhá-la, então apenas deixo a mala no quarto e saio novamente. Me preocupo as vezes que ela se sinta uma funcionária minha, ou que tenha deixado tudo de lado para viver em função da minha carreira, mas Camz sempre diz que não se importa, que ela faz porque gosta. Eu não tenho do que reclamar, ela é tão boa quanto o Lúcio, e de benefício não é chata e escrota como meu padrasto. Ela sempre discute os contratos comigo, pergunta quais são minhas condições e se eu realmente quero aceitar, sem nunca me forçar a assinar nada. Ela é boazinha demais, talvez mais do que eu mereça.

Começo a pensar que eu tenho sorte com mulheres, tirando a completa maluca da Paola, todas as outras eram boas pessoas, que me davam mais do que recebiam. Antônia, Agnes, Camilla... são a prova viva de que mesmo você tendo sido um enorme filho da mãe durante a maior parte da vida, o universo pode reservar coisas boas para você. Acho que devo começar a agradecer, vai que ele uma hora se cansa de ser bondoso comigo e me manda uma fera como aquela do aeroporto só para se vingar por tudo que já aprontei.

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