Cinco anos não bastaram para que Agnes superasse o passado, mesmo conseguindo tudo aquilo que queria, o desejo de vingança contra os Salles permanece vivo em seu peito. Agora, ela tem uma chance de fazê-los pagar por todo mal que lhe causaram, os a...
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Observo do outro lado da mesa a Sophia estudar seus livros de química orgânica, enquanto finjo digitar um e-mail que já enviei há muitas horas atrás. O Nick está na soneca da tarde e esse é o horário que tiramos para resolver as coisas que não conseguimos quando ele está acordado contagiando todo o apartamento com sua tagarelice engraçada e desenhos no último volume.
Não paro de pensar no que o Daniel disse, sobre como uma criação perturbada gera traumas e adultos igualmente problemáticos. Minha irmã foi criada pelos nossos pais, enquanto eu, até onde sei, me virei entre um lar para crianças e as ruas. Por esse motivo estou a analisando, tenho complexos que nem mesmo sei a origem, e talvez venham desse período de abandono, mas é difícil comparar quando minha irmã caçula parece um túmulo.
A Sophia e eu nunca fomos de conversar sobre nós duas, o que sentíamos ou queríamos, nosso único elo é o Nick, e admito que no momento até isso está fragilizado. Mamãe costuma dizer que a minha irmã sempre viveu no mundinho dela. Não acho que isso seja ruim, ela me parece normal, bem mais do que eu, sem dúvida alguma.
Será que se eu e o Daniel desenvolvermos uma boa convivência, eu poderei enxergar no futuro um Nicholas diferente de nós dois? Digo isso, porque nem eu e muito menos o Daniel somos exemplo para alguma coisa. Já a Sophia é o tipo de pessoa equilibrada e exemplar, que os pais olham de longe e dizem "quero que meu filho seja como ela". É isso que nos difere?! Uma família estruturada e com afeto formando nossa base quanto humanos?
— Está me olhando por que? – Ela questiona ao me flagrar lhe encarando enquanto roo a ponta de um lápis.
— Não estou te olhando. – Desconverso e volto a atenção para a tela do notebook.
— Hmn. – Sophia murmura e também continua suas anotações no caderno.
Penso melhor sobre me aproximar dela, não me aproximar do tipo "vamos virar amigas?", mas entender quem é essa estranha pessoa com quem divido meus genes.
— Sofi. – A chamo e ela ergue a cabeça. — Você gosta dos nossos pais?
— Que pergunta é essa? – Sophia arqueia a sobrancelha loira para mim e eu dou de ombros. — A mamãe mandou você perguntar isso?
— Não, só quero entender como é morar com nossos pais a vida inteira. – Justifico pela metade e ela suspira.
— Eu os amo muito e não vejo minha vida sem os dois. – Sophia responde com algo que considero sinceridade e me dou por satisfeita. — Claro que brigamos, nenhuma família é perfeita, mas nunca cheguei a desejar que fossemos diferentes. – Sua complementação é ainda mais interessante e eu assinto.
— Então você não guarda nenhum rancor ou algo do tipo?
— Não! – Ela exclama e me encara como se eu fosse uma maluca. — E está sendo especifica demais para o meu gosto.