Capítulo 23: Agnes

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Cada respiração longa dele me deixa apreensiva, como se a próxima fosse falhar e a máquina de batimentos cardíacos anunciasse o apito interminável

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Cada respiração longa dele me deixa apreensiva, como se a próxima fosse falhar e a máquina de batimentos cardíacos anunciasse o apito interminável. Assisto seu peito subir e descer, coberto pela fina manta do hospital. Já se passaram algumas horas desde a última vez que ele acordou, por um curto período de tempo. O doutor Cassilas disse que é normal, todo o corpo do Nick está drenando energia para lidar com o transplante.

Não sei como um procedimento realizado para deixá-lo bem, pode o colocar num estado tão debilitado, parecendo mais doente do que antes. Sua pele está febril, com uma fina camada de suor, apesar do constante gotejar do medicamento na sua bolsa de soro. Há uma palidez forte e lábios ressecados, além das bochechas descarnadas, evidenciando a perda de peso recente. Toco a sua mão com cuidado, ele parece tão indefeso que um simples toque pode quebrá-lo.

As horas passam devagar, o dia amanhece e não fechei os olhos por um único instante, sinto eles pesados, ardendo em sonolência, mas não posso dormir, se algo acontecer tenho que estar em alerta.

A porta do quarto se abre e a enfermeira que conheço pelo sobrenome bordado no jaleco entra no quarto. Ela segura uma bandeja com um copo de água e a coloca no suporte ao lado da cama para poder puxar um par de luvas da caixa fixada na parede.

— Ele acordou alguma outra vez? – Ela pergunta e eu nego com a cabeça, sem tirar os olhos dele. — O doutor Cassilas virá as oito, antes de retornar para Barcelona.

— Ele vai embora? – Pergunto alarmada, ele é o especialista, não pode abandonar meu filho assim.

— Sim, a cirurgia deu certo a princípio, ele irá fazer o primeiro monitoramento e após isso são apenas consultas de rotina. – Diz ela, embebendo um enorme chumaço de algodão no copo de água. — O Nick ainda não pode ingerir líquidos, mas não é bom deixar os lábios ressecarem assim.

O algodão é passado de leve na boca do Nicholas, hidratando a pele cortada aos poucos, ele desperta um pouco zonzo e arregala os olhos.

— A mamãe está aqui. – Digo, massageando seus dedos pequenos. — Você está sentindo dor? – Pergunto e ele me encara pelo canto dos olhos, ainda perdido.

— Ficou assustado, né Nicholas? – A enfermeira pergunta rindo. — É só água. – Ela mostra o algodão pingando para ele que observa o gotejar. — Está com sede?

Ele assente vagarosamente e ela volta a deslizar o algodão pelos seus lábios e depois na parte interna, sobre os dentes. É um procedimento rápido, e assim que ela termina, checa as máquinas e sai do quarto.

— Eu com fome, mamãe. – Diz ele, e eu respiro aliviada, isso é um bom sinal eu espero.

— Agorinha você vai comer. – Prometo, sem nem saber como ou quando isso irá acontecer. — Sua barriguinha ainda está doendo?

Nadica. – Ele responde, negando com a cabeça. — Ainda pode fazer xixi deitado? – Nicholas pergunta, se referindo a sonda que ele não compreende o processo, mas sabe que por conta da "bolsinha" não precisa ir ao banheiro.

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