Cinco anos não bastaram para que Agnes superasse o passado, mesmo conseguindo tudo aquilo que queria, o desejo de vingança contra os Salles permanece vivo em seu peito. Agora, ela tem uma chance de fazê-los pagar por todo mal que lhe causaram, os a...
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Permaneço parado no mesmo lugar desde que a Agnes foi embora, sem reação, encarando a porta à minha frente, esperando que ela retorne, de verdade. Para mim, quem veio aqui foi a Angel, me recuso a acreditar que ela possa ser a Agnes.
Claro que entendi que não são gêmeas, ou qualquer outra teoria maluca, mas ela estava diferente, alguém que não reconheço mais, que não consigo me conectar. Não estou com raiva pelas coisas que ela fez, nem por ter me escondido a existência do Nicholas, me sinto assustado e perdido demais para estar com raiva.
Há um dia atrás ela era a Angel apenas, alguém que eu direcionei todo o meu ódio, agora percebo que estava odiando a Agnes, por quem estive apaixonado todo esse tempo, e isso me deixa confuso. Como é possível odiar e amar a mesma pessoa?
Sempre acreditei que quando me reencontrasse com ela, contaria a minha versão e nos entenderíamos, mas ela chegou armada até os dentes, fechada para qualquer acordo. E eu também não consegui ser quem eu era com a Agnes, porque estava lidando com a Angel, para ela tenho uma versão mais provocante e combativa.
Nos reencontramos, ainda com a mesma história, mas sendo pessoas completamente diferentes.
São coisas demais para processar, uma personalidade falsa, um filho correndo perigo, uma vida que eu planejei achando que ela jamais retornaria...
Como lidar com tudo isso? Queria que a Angel pagasse pelo o que estava fazendo, entretanto, não consigo desejar que algo de ruim aconteça com a Agnes.
Talvez ela fique feliz ao saber que de uma forma ou de outra conseguiu se vingar de mim, pois esse reencontro catastrófico com uma versão dela que me odeia tanto, doeu mais do que tudo que ela fez para me prejudicar até agora.
E ainda tem o ponto mais urgente, a doação para o Nicholas, não sei o que decidir sobre isso. Quais são as consequências? Eu mal conheço o garoto, para mim ele ainda é o menino bonitinho e legal que eu gostei de brincar. A Agnes não quer que eu seja o pai de fato, apenas que realize a doação, mas de qualquer forma, é isso que eu sou, o pai dele, de alguém que não vi nascer e não criei, mas agora preciso ter sentimento o suficiente para realizar uma doação.
É assustador, eu nunca tive que pensar em alguém além de mim, e justo quando isso acontece é mediante uma catástrofe eminente. Parece que algo assim acontece apenas para testar se sou capaz de me importar com outro ser humano de uma forma profunda, espero ter uma resposta em breve.
Escuto os latidos agudos e engraçadinhos do Gato e vou vê-lo em sua cama, ele está com as garras presas na parte acolchoada, o ajudo a sair e ele lambe a minha mão em agradecimento. Me recordo da empolgação do Nicholas ao brincar com o cachorro, eu teria me apegado tanto se ele não fosse o meu filho? Talvez uma parte de mim já soubesse disso, assim como sabia que a Angel era a Agnes, e eu apenas me negava a admitir.