Cinco anos não bastaram para que Agnes superasse o passado, mesmo conseguindo tudo aquilo que queria, o desejo de vingança contra os Salles permanece vivo em seu peito. Agora, ela tem uma chance de fazê-los pagar por todo mal que lhe causaram, os a...
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Encaro o armário do Nick, me perguntando o que ele deve vestir, ainda não consegui decorar a rotina escolar dele, mesmo sendo o seu segundo semestre na educação infantil, ainda tenho problemas com os dias de uniforme vermelho ou uniforme azul. Me viro para ele, e o vejo sentado sobre a cama ainda enrolado na toalha com capuz de sapinho, esperando por mim. Não quero perguntar, isso poderia levar ele a pensar que eu não me importo, quando na verdade eu me importo muito, só estive ocupada demais para decorar isso também.
A porta do meu quarto se abre sem aviso, e Sophia entra, já usando jeans e suéter caramelo, ela tem um estilo que eu chamo de prático, do tipo que pega a primeira coisa que encontra na frente e que sirva para a estação, como o inverno de agora.
— Bom dia, meu amor. – Diz ela cheia de floreios na voz, e sei muito bem que ela não está falando comigo, então volto ao meu dilema de vermelho ou azul.
— Olha mamãe. – Ele chama, e eu me viro. — Eu consegui colocar o bracinho do Bibou de novo. – Nick conta todo empolgado, mostrando o brinquedo que ele vive grudado.
— Que lindo! – Eu e Sophia pronunciamos juntas.
Mas só então percebo que é para ela que ele olha ao falar, eu não sou a mamãe, sou a mamãe-Agnes, um nome composto, que só é lembrado se dito junto. Sophia é quem recebe os louros por ser a mãe número um, de um filho que ela não fez, não carregou e não pariu.
Agarro o conjunto de uniforme vermelho, decidida a fazer com que essa seja a cor de hoje, pois é tudo que eu enxergo. Vermelho-ódio, composto como o meu nome de mãe.
— Hoje é dia de azul. – Sophia me informa e eu jogo o uniforme sobre a cama, me sentindo derrotada.
— Ótimo! – Grito para ela. — Pois pegue você e vista nele, já que gosta tanto de tomar o meu lugar.
Nick arregala os olhos escuros para mim, e eu respiro fundo, tentando me acalmar. Já sou a mãe chata, a que não tem tempo e a de nome composto, não quero ser também a que causa medo.
— Está tudo bem, meu amor. – Digo, com um tom mais leve, para amenizar a situação. — A tia Sophia vai te ajudar, e daí você desce para tomar café da manhã com a mamãe antes de ir para escola. – Explico, deixando bem explicito que ela é a tia e eu sou a mãe.
Ele assente, e Sophia balança a cabeça para mim, desaprovando meu surto.
Saio do quarto marchando firme sobre os saltos vermelhos de quinze centímetros, gostaria de poder fumar em casa, é uma das poucas coisas que me acalma, devo isso à Melissa, aprendi com ela. Mas como não posso, vou para o quarto da minha mãe, como hoje é o dia do papai fazer café, ela deve estar se arrumando ainda para a aula de yoga daqui a pouco.
Bato antes de entrar, e a encontro organizando os travesseiros na cabeceira. Todos os quartos do apartamento têm o mesmo tamanho, grandes, mas com decorações que os deixam bem diferentes entre si, o deles é todo em tom de branco e azul celeste, me lembrando o cenário de Mamma Mia.