Capítulo 29: Agnes

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Não gosto de despedidas, e dessa vez não é diferente, sinto que criei um vínculo com todas essas pessoas, as antigas das quais não me lembrava, e as novas que conheci agora

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Não gosto de despedidas, e dessa vez não é diferente, sinto que criei um vínculo com todas essas pessoas, as antigas das quais não me lembrava, e as novas que conheci agora. Um telefonema não supre a distância, quero mais conversas no jardim da clínica com o Afonso e jantares simples envolta da longa mesa de madeira na casa do Lucas.

Há uma paz aqui que não posso negar, me sinto acolhida de fato, sem medo e receio de experimentar ser eu mesma pela primeira vez. No entanto, minha vida continua do outro lado do Atlântico, preciso trabalhar e estou com saudades demais do Nick para aguentar um dia a mais longe dele. Me despeço com abraços apertados no aeroporto, prometendo que não acaba aqui, eles são parte da minha história.

E o voo até Madrid se faz tranquilo, não estou perdendo o que ganhei só por voltar à rotina, muito pelo contrário, eu vou me reapresentar às pessoas que amo, diferente do que eles conhecem, porém, mais eu do que nunca.

Após mais de quase vinte horas entre aeroportos e escalas, mal acredito quando finalmente abro a porta do apartamento. Está escuro e silencioso, num obvio sinal que o Nicholas não está em casa. Entro e deixo a mala no canto, com preguiça de arrumar tudo logo agora enquanto minhas pernas ainda estão rígidas por passar tantas horas sentada. Penso em tomar um banho e me arrumar antes de sair outra vez, mas sou interrompida pelo baixo chiado vindo do quarto ao lado do meu.

— Sofi! – A chamo, ligando o interruptor do cômodo. — Sophia, está tudo bem? – Pergunto, quando ela cobre a cabeça com o grosso edredom, virando para o outro lado.

— Acho que peguei uma gripe, é melhor você não chegar perto. – Ela avisa com a voz congestionada.

— Que bobeira. – Bufo e me aproximo da cama. — E vai ficar aí morrendo sozinha? – Questiono, puxando o edredom o suficiente para descobrir seu rosto.

A pele sempre bronzeada do seu rosto está vermelha como um tomate e com olheiras profundas sob os olhos azuis, inchados e vermelhos de quem andou chorando por muito tempo. Ela me encara enquanto toco sua testa com as costas das mãos.

— Com febre você não está. – Concluo. — Vou preparar um chá e te dar um antigripal.

— Deixa isso para lá. – Sophia dispensa, se sentando no colchão, com as costas na cabeceira almofadada da cama. — Você deve estar cansada da viagem.

— Só o normal. – Dou de ombros e me sento na beirada da cama, retirando os saltos dos pés. — Pensei que estaria na casa do Daniel.

— Decidi voltar antes quando percebi que estava meio gripada, não queria passar nada para o Nick. – Ela explica. — Já falou com ele?

— Ainda não. – Murmuro, olhando o relógio em meu pulso. — Acho melhor deixar o Nicholas dormir lá mais essa noite.

— Com certeza. – Sophia concorda. — E o Daniel está cuidando bem dele.

Nunca Mais [COMPLETO]Onde histórias criam vida. Descubra agora