Cinco anos não bastaram para que Agnes superasse o passado, mesmo conseguindo tudo aquilo que queria, o desejo de vingança contra os Salles permanece vivo em seu peito. Agora, ela tem uma chance de fazê-los pagar por todo mal que lhe causaram, os a...
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Todos os dias acordo preparada para correr uma maratona, logo cedo bato na porta do Pietro e o faço comer um café-da-manhã decente e saudável antes de irmos até o Centro de Treinamento. Acompanho da beira do gramado o Saymon exigindo o máximo dele, sendo um carrasco no sentido mais diabólico da palavra, acho que se ele pudesse tacaria pedras no Pietro enquanto ele treina.
O dia nem amanheceu direito e já estou com o headset pendurado na orelha passando instruções para a matriz da agência em Buenos Aires e com o tablet nas mãos digitando um e-mail para a agência de publicidade que me reunirei hoje. Assim que tiver certeza de que o Pietro não abandonará o treino por insubordinação, terei que viajar até uma outra cidade para analisar uns garotos que um olheiro* me indicou.
— Ponto para você, é o segundo dia e ele ainda não deu uma crise de infantilidade. – A voz grossa vem de trás de mim, próximo demais ao meu ouvido, fazendo os pelos da minha nuca se eriçarem.
A pior parte disso tudo é ter que lidar com o Daniel sempre por perto, vendo o que estou fazendo e aproveitando todas as brechas para me irritar.
— Não posso dizer o mesmo de você. – Murmuro e fecho a capa de couro do tablet com um estalo. — Está querendo virar meu assessor pessoal? Dou um passo e você está na minha cola.
— É você quem está no meu campo. – Ele devolve, parando ao meu lado. — Quer ver algo?
— De você? – Pergunto, arqueando a sobrancelha. — Nem a sombra.
Ele ri alto de maneira forçada, e por um mísero segundo o Pietro olha para nós, se desconcentrando e errando toda a sequência que ele estava fazendo com o preparador do time sob os gritos do Saymon.
— Você é um babaca. – Rosno entredentes.
— A culpa não é minha se ele é inseguro e fica mais tonto que barata quando estou por perto. – Daniel dá de ombros e se afasta de mim, indo para perto do Saymon.
É bom ele sair mesmo, pois com a raiva que estou queria afundar o salto da minha bota bem no dedinho mindinho dele.
Assustadoramente o Pietro não consegue acertar mais nada na hora seguinte do treino, até que é dispensado e eu o acompanho em silêncio até a sala de preparo físico.
— Ele está atrasado? – Pietro pergunta, ligando a esteira, e compreendo que ele está falando do Vasques.
— Não, o seu treino individual que acabou antes do esperado. – Respondo, checando o horário no meu relógio. — O que deu em você? – Pergunto, e paro na frente da esteira, cara a cara com ele. — Parece que ficou bobo depois que o Daniel chegou.
Pietro apenas dá de ombros e aumenta a velocidade da corrida, voltando a derramar suor da testa sardenta.
— É aquele lance de competição entre caras, ou algo mais profundo que precisa da ajuda de um psicólogo? – Insisto. — Me preocupo que meus agenciados estejam bem de saúde mental.