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Enquanto na empresa, Lucas se distraía com trabalho, mas em seus momentos de folga, sua mente vagava para um lugar que o deixava apreensivo: Santa Teresa.

— Vamos, Lucas? — Clara perguntou, entrando na sala do irmão com Pedrinho no colo.

— Vamos pra onde? — Perguntou Lucas.

— Pra reunião de responsáveis do Pedrinho. — Diz a irmã. — Nossa, Lucas, você tá no mundo da lua.

— É, eu tô... Desculpa. — Ele suspirou. Precisava conversar com alguém, esperava que a irmã entendesse. — Lembra daquela minha amiga, Du?

— Lembro, claro. Vocês eram inseparáveis. — Diz, sorrindo com a lembrança. Gostava dela, a garota tinha personalidade.

— Bom, eu reencontrei com ela. — Começa, enquanto organiza sua mesa, preparando-se para ir embora.

— Jura? Ai, que bom, você sentia tanta saudade dela. Fico feliz. — Diz, acompanhando o irmão até a porta da sala.

— Mas ela não quer falar comigo, e o problema é que eu preciso falar com ela. — Diz, coçando a cabeça enquanto caminhavam pela empresa. Ele suspira e solta um riso desconfortável. — Você não deve estar entendendo nada, né?

— Não, não estou. — Ela diz, sorrindo. O rapaz suspirou, pensando em uma maneira melhor de explicar aquilo.

— Tá, vamo lá. — Diz. — Quando eu tava em Santa Teresa ontem, no jogo do Vitinho, eu vi a Du com os filhos dela. — Diz, apreensivo.

— Filhos? Não sabia que ela era mãe. — Clara diz.

— É, eu também não. — Lucas comenta. — Mas aparentemente ela é. E de gêmeos.

— Tá brincando? Gêmeos?

— Pior que eu não tô. E... — Lucas fez uma pausa. Como explicar? — As idades batem. — Disse, com vergonha. Sabia que tinha sido irresponsável, e podia ouvir até mesmo a voz de seu pai lhe dando uma bronca.

— As idades batem com o quê? — Clara ficava mais confusa a cada segundo.

— Com as datas, Clara. Eu acho que sou pai daquelas crianças. — Se pensar naquilo já era assustador, verbalizar era ainda pior.

— Você o quê? Lucas, você me disse que eram só amigos. — Clara disse, agora soando um pouco como Zé.

— E éramos! Mas teve essa noite, essa única noite, onde a gente... É... Ultrapassou as barreiras da amizade. — Clara segurou a ponte do nariz.

— Eu não tô acreditando... — Ela chacoalha a cabeça. — Mas você pode não ser pai, né? — Diz, visivelmente aliviada com a possibilidade.

— Sim. — Diz. — Pode ser que eu não seja. Mas e se eu for? — Clara estremeceu. Não. O drama do filho bastardo de novo não.

— Ficar nesse achismo não vai nos levar a nada. Conversa com ela. — Diz.

— Ela não quer conversar comigo. Esse é o problema. — A irmã suspira.

— Então algo você fez. — Lucas a lançou uma expressão triste. — Lucas, me conta a verdade. Por que vocês se afastaram?

— Eu conto depois da reunião. — Não conseguia esconder a vergonha que sentia da maneira que havia agido. — Seu carro chegou.

Clara entrou em seu carro colocando o sobrinho em sua cadeirinha e em seguida observando o irmão correr até o carro do mesmo e atender uma ligação, provavelmente da empresa. Clara olhou para Pedrinho, quieto demais para se parecer com José Pedro, e suspirou. Não sabia o que temia. Provavelmente outro golpe, ou talvez a maneira que seu irmão agiria perante uma responsabilidade daquela. Temia também a parte que Lucas não havia contado. O que havia feitos de tão ruim que fez a melhor amiga do rapaz se afastar e passar os últimos anos desaparecida?

Rockabye - LucaduOnde histórias criam vida. Descubra agora