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Eduarda tinha que confessar que quando jovem, odiava praia. Odiava a quantidade de pessoas nela, odiava o calor, odiava a água, odiava tudo. Mas agora, era impossível não ficar contagiada com a felicidade dos filhos. Tinha acabado de entregar um pastel para os dois quando sentiu duas mãos ao redor de sua cintura.

— Vai continuar insistindo que essa não foi uma boa ideia? — Perguntou Gael, a vendo sorrir.

— Ela foi média. — Disse, o fazendo revirar os olhos e rir. — Eu não gostava muito de praia quando pequena. Dá pra perceber que nisso, eles não se parecem comigo.

— Pelo menos uma coisa, né. — Ele disse, a fazendo rir.

Os gêmeos terminaram de comer e começaram a (tentar) construir um castelo de areia quando Xana chegou com toda sua família. Lohane, Ismael, Tuane, Elivado, Vitor, Juju, Orvile e Junior também vieram.

— Pronto, duplinha dinâmica, hora de passar protetor. — Eduarda disse, depois dos dois ficarem um tempo construindo. No geral, Vitor, Luciano e Junior jogavam futebol, mas hora ou outra davam um pouco de atenção pros pequenos. Depois de passar o protetor, as crianças assistiram encantadas conforme Vitor levantava uma pipa no céu.

O dia deles estava sendo animado, regado a cerveja (para os que bebiam) música (digna do bar do Manuel) e petiscos diferenciados.

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Já o dia de Lucas estava o oposto de animado, fazia hora extra na empresa nesse dia, ajeitando tudo com um medo enorme do que a mãe faria se visse alguma irregularidade.

Terminando de organizar sua mesa, a porta de seu escritório foi escancarada e um jornal atirado em sua mesa. Era coisa de sua mãe, toda vez que encontrava alguma polêmica com o nome do filho em uma banca, ou imprimia a matéria, e mandava seu motorista comprar e depois questionava Lucas.

— Eu acho que eu não preciso pedir explicações, né, meu filho!? Tá tudo nessa página de fofoca aí! — Ele pegou o documento (se é que podia ser chamado assim) e olhou. Era aquela foto dele com Eduarda e as crianças, mas dessa vez, havia uma penca de informações. Inclusive um trecho que dizia: "O depoimento de Vitória, próxima da misteriosa mulher do 'imperador', alega que aqueles são os filhos de João Lucas Medeiros". Teve que sorrir. Só podia ser a pequena Vitória.

— Juro que eu tenho uma explicação plausível. — Marta cruzou os braços.

— Então dê. E eu não quero nenhuma lamúria que me lembre do seu pai. — Lucas concordou com a cabeça, olhando pra baixo.

— Eles são meus filhos mesmo, mas espera. — Ela não esperou, foi logo dizendo:

— Filhos! Eu não acredito numa coisa dessas! O que é isso? A história da Cristina todinha de novo? — Perguntou Marta. — E eu achando absurdo o Zé me trair. Aquela insossa merece uma traição, mas uma vida dupla com direito a filhos, Lucas!?

— Mãe, calma. Eles são filhos da Eduarda, minha melhor amiga. — Nunca havia parado de se referir a ela dessa maneira. E agora, nunca pararia.

— Que Eduarda? — Lucas suspirou.

— Cresceu comigo, cabelos vermelhos...? — Sugeriu, tentando fazer a mãe ligar a mulher da imagem a adolescente que conheceu.

— Não é possível. Vocês eram só amigos, nunca passou disso. — Lucas levou sua mão até a nuca, esfregando a região para ocultar o desconforto.

— Sobre isso... Teve essa noite... — Começou dizendo.

— Ai, João Lucas, eu não quero saber. — Marta passou a mão na testa preocupada e suspirou. — Ainda assim são filhos bastardos, e isso é absurdo.

Rockabye - LucaduOnde histórias criam vida. Descubra agora